segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Oscar 2017

Então, ontem a noite rolou o Oscar - Miss Universe Edition, com direito a anúncio de resultado errado no final. Pelo menos a festa evitou o clichê de iniciar com referências aos filmes indicados e copiar cena de La La Land (como o Globo de Ouro), e já abriu com apresentação de indicada ao prêmio de melhor canção original, no caso Justin Timbalada fazendo playback de Can't Stop The Feeling de Trolls, e interagindo com a plateia VIP. Foi uma ótima ideia pra iniciar o evento num bom astral. Valeu só pra ver Javier Bardem, Michael J. Fox e Jackie Chan sacudindo.


Depois teve muito boicote a La La Land nas categorias técnicas, mas nada comparável ao gran finale. Pegadinha do malandro nível Master. Nada me tira da cabeça que houve algum tipo de armação naquilo, porque Bonnie e Clyde, digo, Faye e Warren não teriam como se confundir com um envelope com letras garrafais daquelas escritas Emma Stone (Emma, inclusive, já disse que ficou com o seu envelope o tempo inteiro). Iam perceber no ato que estavam com o cartão errado e até teriam solicitado o correto. Pareceu que a premiação não sabia mais o que fazer pra chamar a atenção e resolveu apelar pra receita do concurso de beleza de publicidade.

Justin Horowitz, produtor de La la Land, que grosseiramente
arrancou o envelope da mão de Warren Beatty.

Sobre as constatações da noite, uma óbvia: homens brancos e hétero fazem sempre os discursos mais auto-centrados. Eles nunca tem nada pra falar além de si mesmos. Vejam só Casey Affleck e Damien Chazelle. E já que nesses eventos eles erram com evelopes dos resultados, tá na hora de fazer uma verificação retroativa, porque tem muita coisa suspeita nesses 89 anos, tipo Crash, Gwyneth Paltrow, Shakespeare Apaixonado, A Vida É Bela, Benigni, Rocky, etc.

Roberto Benigni

Fora isso, teve até menos trollada no troll dos trolls (Donald Trump) do que nas premiações anteriores, apenas em momentos pontuais como no Oscar de filme estrangeiro, onde o iraniano que foi impedido de entrar nos EUA mandou recado. E teve o apresentador Jimmy Kimmel, que usou e abusou da piada/richa com Matt Damon, desde o tempo de I'm Fucking Matt Damon. Cansou rápido essa parte.



Frases da noite:

Espero que outros membros do N'Sync tenham visto esta performance, porque se eles viram há uma boa chance de eles te deixarem voltar pro grupo.
—Jimmy Kimmel, sobre a performance de Justin Timberlake.


Eu não posso fazer isso. Só tem um 'Coração
Valente' aqui e nem ele vai nos unir também.
—Jimmy Kimmel, sobre o clima politicamente polarizado nos EUA, 
citando Mel Gibson, famoso por suas visões direitistas reacionárias.


Esse ano os negros salvaram a Nasa e os brancos
salvaram o jazz. Isso é o que chamo de progresso.
—Jimmy Kimmel, sobre Hidden Figures e La La Land.


Obrigado, presidente Trump. Lembram do ano
passado quando o Oscar que era racista?"
—Jimmy Kimmel, comparando o #OscarSoWhite do ano passado.


Nós não vimos Elle, mas nós absolutamente adoramos,
e estamos felizes pela imigração ter te deixado entrar no país.
—Jimmy Kimmel, falando com Isabelle Huppert 
em seu monólogo inicial.


Nós não discriminamos as pessoas pelo país de onde elas vem,
nós as discriminamos pela idade e peso. Andrew Garfield perdeu 15kg
para o filme Silence, uma transformação fisíca extraordinária jamais
tentada desde qualquer atriz, em qualquer papel, em qualquer época.
—Jimmy Kimmel, sobre Hollywood.


Estrelas Além do Tempo não é apenas um filme sobre 
discriminação racial e de gênero nos anos 60, 
mas sobre as coisas incríveis que as mulheres fazem 
quando elas precisam fazer xixi.
—Jimmy Kimmel, apresentando Janelle Monáe, 
Taraji P. Henson e Octavia Spencer ao palco.


Quando seu nome é Mahershala,
como você batiza seu filho?
—Jimmy Kimmel, fazendo piada com o nome de 
Mahershala Ali, e seu filho que nasceu há 4 dias atrás.


Se houver alguém aqui da CNN, LA ou New York Times,
se tiver 'Times' no seu nome, até Medieval Times,
eu gostaria de pedir que deixem o recinto neste momento.
Não toleramos notícias falsas, apenas bronzeamentos falsos
—Jimmy Kimmel, sobre a proibição de Trump de que meios 
de comunicação críticos a ele cubram a Casa Branca.


Um ex-lutador é o artista mais bem pago do cinema atual,
o que coloca toda essa indústria em perspectiva.
—Jimmy Kimmel, chamando Dwayne Johnson (o The Rock) ao palco.


Por mais 2 dólares você pode adicionar abacate
em qualquer um dos doces que jogamos hoje
—Jimmy Kimmel, criticando as taquerias americanas, 
que cobram a mais por acompanhamentos básicos das comidas mexicanas.


Oposição é ótima em filmes, histórias, esportes. 
É muito boa na sociedade, e esses filmes me fizeram 
lembrar algo em que as mulheres são
melhores do que os homens: se opor sem odiar.
—Mark Rylance, antes de anunciar as indicadas a 
melhor atriz coadjuvante. Talvez ele deva conhecer 
Rachel Sheherazade. Pode ser que ele mude de ideia.


Eu me tornei uma artista porque essa é a única 
profissão que celebra o que significa viver uma vida.
—Viola Davis.


Viola Davis acabou de ser indicada ao Emmy por melhor discurso.
—Jimmy Kimmel, sobre o discurso de Viola Davis ao receber
o prêmio de melhor atriz coadjuvante por Um Limite Entre Nós.


Charlize Theron e Shirley MacLaine.
Essa foi a melhor recepção que já tive
em 250 mil anos, obrigada.
—Shirley MacLaine, ao ser aplaudida de pé no palco.


Um muro que divide nós e nossos inimigos em categorias 
cria medo, e justifica agressão guerra. Essas guerras
impedem democracia e direitos humanos em países que já são
vítimas de agressão. Cineastas podem virar suas
câmeras para captar emoções humanas comuns, quebrando
 estereótipos de várias nacionalidades e religiões.
Criam empatia entre nós e outros, uma empatia que nós
precisamos hoje mais do que nunca.
—Ashgar Farhadi, cinesta iraniano impedido de entrar 
nos EUA por fazer parte dos países proibidos pelo governo Trump.


Hailee Steinfeld e Gael Garcia Bernal.
Atores de carne e osso são trabalhadores migrantes.
Viajamos pelo mundo, formamos famílias, construímos histórias
 e uma vida que não podem ser divididas.
—Gael Garcia Bernal, antes de anunciar os 
indicados a melhor curta de animação.


Vocês podem se surpreender que esse barbudo 
não é um mendigo, mas um ator indicado ao Oscar.
—Jimmy Kimmel, apresentando Casey Affleck aos turistas.


Eles previram bem as roupas do futuro,
porque se a gente visse a Tilda Swinton assim,
não íamos achar esquisito.
—Seth Rogen, comentando De Volta Para o Futuro 
e comparando Tilda com Christopher Lloyd.


#MerylSaysHi (#MerylMandaOi)
—Jimmy Kimmel, twitando ao vivo para Trump.


Para mim os quatro milagres em interpretação são o
senso de verdade, o caráter, a relação com objetos e
a linguagem corporal. É uma jornada emocional que te leva
a outros lugares, e a arte tem que ser assim.
—Javier Bardem, comentando a interpretação 
de Meryl Streep em As Pontes de Madison.


Linus, em nome de todos nós, lamento muito
 pelo o que aconteceu na Suécia na semana passada.
Espero que seus amigos estejam bem.
—Jimmy Kimmel, para o fotógrafo sueco de La La Landsobre
o suposto atentado terrorista acontecido na Suécia semana
passada, como mencionado por Donald Trump em um discurso.


Esse é um erro terrível.
—Roberto Benigni, no vídeo dos antigos vencedores 
de melhor ator. De fato, ele foi um erro terrível.


Eu queria ter algo maior e com mais importância para dizer.
—Casey Affleck, divagando sobre o vazio de si mesmo.





Melhores momentos



1. Both Sides Now de Joni Mitchell, cantada na sessão in memorian por Sara Bareilles. Uma das mais lindas canções para tanta gente linda que se foi (menos a senhora que colocaram por engano no vídeo) nesse ano que passou. Incluíram Babenco também, que foi indicado a melhor diretor por O Beijo da Mulher Aranha nos anos 80.


2. O discurso de Viola Davis.

3. La La Land is the new Miss Colombia. O final deliciosamente ridículo.

4. A sequência sobre filmes (e públicos) estrangeiros.




Piores momentos

1. Casey Affleck, molestador e assediador, sendo premiado profissional do ano. A categoria de melhor ator parece ser a pior de todas no nível de vencedores, como visto no clipe com os antigos vencedores. Muito macho branco superestimado, e um punhado de negros perdidos. 

2. Viola Davis ganhando o prêmio de coadjuvante. A categoria dela deveria ter sido de protagonista. Vejam a retrospectiva das vencedoras de melhor atriz. SÓ. MULHER. BRANCA. E quase todas com 20 e poucos anos. No fim colocam Halle Berry, pra dar uma boa última impressão. Fiquei torcendo pra Meryl.

3. John "sono" Legend cantando. Já que Justin fez playback, podiam ter colocado Emma e Ryan fazendo playback de La La Land também. Muito melhor.

4. Manchester by The Sea, o pior filme da safra, ainda ganhou o prêmio de roteiro original. Ridículo.




O que mais teve?

- Teve piada com recorde de indicações da Meryl;

- teve fofoca;

- Teve colar caríssimo tentando salvar o look maria-mijona, mas sem sucesso;

- Teve Miguel Falabella;

- Teve a pira olímpica do Rio. Não é piada;

- Prêmio pra filme ruim;

- Teve Mia Farrow;

- Teve fantasia de Frida Kahlo de carnaval;

- Teve Terra Média;

- Teve rap chato e música idem de Moana. Me julguem;

- Teve veludo pra fazer 5 vestidos;

- Teve cortina;

- Muita cortina;

- Teve peruca;

- Topete;

- e penteado com prazo de validade vencido;

- Teve chuva de confeito;

- Chuva de donuts e pacote de bolacha;

- E teve mundiça;

- Teve decotes;

- Decotes;

- E semi-nudez;

- Teve calça coronha;

- Teve o vovô e a netinha;

- Teve nostalgia;

- Teve propaganda de pornô soft core;

- Teve Amélie Poulain;

- Teve Madame Satã;


- Teve espontaneidade (#sqn);

- Teve tweets maldosos;

- Teve os compositores de La La Land exalando plumas e purpurina;

- Teve Tom e Jerry;

- e Bonnie & Clyde errando melhor filme;

- Teve babado;

- Teve confusão;

- Teve gritaria;

- E teve quem ficasse (mais) bege (ainda).


Vejam a confusão: