sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Indicados ao Oscar 2015 // Whiplash

Ao Mestre, Com Carinho

Whiplash

Nota: 9,5


Histórias de mestres sádicos que maltratam seus pupilos a fim de levá-los à (quase) perfeição existem por aí aos montes, principalmente nos esportes, vide os infames treinadores soviéticos, os professores das ginastas romenas, e técnicos de vôlei japoneses dos anos 60, entre outros. Era tudo na base da agressão física e assédio moral como forma de incen- tivo. Whiplash é mais ou menos sobre isso: Andrew Neiman, baterista estudante do mais prestigioso conservatório de música americana, consegue entrar na banda de jazz mais conceituada da escola, por conseguinte, do país. Mas o maestro, Terence Fletcher, é famoso por seu rigor e métodos abusivos. Ele abdica de quase todas suas outras atividades para evoluir e corresponder às exigências do regente, mas paira a dúvida se suportar aquilo tudo vale mesmo a pena.

Educadores em sua maioria são letrados no conteúdo a transmitir, mas são despreparados para lidar com pessoas, pois isso é praticamente ignorado nas suas formações acadêmicas. Num passado não muito distante, castigos físicos eram corriqueiros em escolas, como a famo- sa palmatória. Isso pode ter mudado, mas ainda assim, muitos deles ainda não sabem como tratar de muitas coisas, como o bullying ou crianças deficiências. Não por acaso, a capa mais recente da revista Nova Escola é sobre meninos que se vestem como meninas.

Whiplash é desses filmes que a gente não consegue não se colocar no lugar do protagonista. Como nos comportaríamos em tal situação? Apesar da empatia imediato com Andrew, feito por Miles Teller, há de se reconhecer que a grande estrela do filme é o professor Fletcher. JK Simmons, famoso por seus papéis de vilão, como no seriado Oz (alô, madrugadas do SBT!), brilha numa interpretação avassaladora, dessas que ficam marcadas na história e tem levado todos os prêmios de público e crítica.

Talvez a maior surpresa tenha sido a indicação da produção em si para o Oscar de melhor filme, por ser um filme tão pequeno e barato, com pouco mais de 3 milhões de dólares de orçamento. O diretor Damien Chazelle, que se inspirou nas suas experiências em banda de jazz do colegial para escrever a história, concorre ao prêmio de roteiro adaptado, pois já havia feito da história um curta-metragem para poder conseguir financiadores para o longa. Prática relativamente comum com cineastas novatos e pouco conhecidos.

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