sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Indicados ao Oscar 2015 // A Teoria de Tudo

Dançando no Escuro

A Teoria de Tudo // The Theory of Everything

Nota: 8,5


Assim como O Jogo da Imitação, A Teoria de Tudo, novo filme do diretor inglês James Marsh, vencedor do Oscar pelo documentário O Equilibrista, é uma biopic inglesa sobre a vida de célebre estudioso. Stephen Hawking é um dos acadêmicos mais famosos do mundo na atualidade, e é conhecido pelo seu bom humor também. O fato de o filme ser sobre Hawking e o próprio título em si só me fazem lembrar The Big Bang Theory, já que a música-tema do seriado tem título bem parecido (The History of Everything) e Hawking, além de ser frequentemente citado e satirizado no seriado, também já fez participação especial. Mas ao contrário de Sheldon Cooper, ele não tem nada de anti-social.

Além de ser um dos estudiosos mais importantes da atualidade, o que torna a história de Hawking digna das telas é o fato de ele ter uma doença degenerativa congênita, a doença do neurônio motor, que o faz perder a coordenação motora e os movimentos, paralisando o corpo. Assim que foi diagnosticado, com pouco mais de 20 anos, ele foi logo desenganado pelos médicos, que o deram apenas dois anos mais de vida. Pois hoje ele já passa dos 70.

Ao contrário de O Jogo da Imitação, que foca em um determinado momento da vida de Alan Turing, esse filme é bem amplo ao abordar a vida de Hawking. Começa logo que ele inicia a faculdade e recebe o diagnóstico da sua doença, o casamento, o sucesso como físico, até os momentos mais recentes de sua vida.

Essa não é a primeira obra a falar sobre Hawking. O roteiro de Anthony McCarten foi baseado no best seller escrito por sua ex-esposa, Jane Wilde Hawking, interpretada no filme por Felicity Jones. Mas não sei se ele mesmo foi tão ativo na produção dos demais quanto foi neste. Ele não só aprovou o filme, como proveu a voz mecânica com a qual ele hoje se comunica para o terço final do filme.

Eddie Redmayne, que foi revelado em My Week With Marilyn e depois despontou em peças na Broadway, ganhando o Tony, e no musical Os Miseráveis, lutou pelo papel de Hawking. Ele além de ser bastante parecido fisicamente com o cientista, consegue fazer um trabalho de caracterização física muito competente, como fez Daniel Day-Lewis em Meu Pé Esquerdo. Isso faz dele favorito ao Oscar de melhor ator, um pouco a frente de seu maior concorrente, Michael Keaton por Birdman

Resta saber quem que os acadêmicos irão preferir, o jovem talento ou o veterano que deu a volta por cima. Eu votaria em Keaton, por achar que Redmayne ainda tem muita carreira pela frente e pelo clichê de sempre premiar biografias. Teoria ainda concorre a melhor filme, atriz para Felicity Jones, roteiro adaptado e a trilha sonora, do islandês Johann Johannsson.

O filme é um simples retrato de uma vida difícil, apesar de levada com muito humor por Hawking. Já o filme não tem humor nenhum. Nem siso, também. Tem um tom documental até demais. Não levanta grandes questionamentos ou dá margens para debates, como faz Still Alice, por exemplo, que nos faz ponderar até onde vai a dignidade e qualidade em viver diante da debilidade. A escolha (ou falta dela) varia de acordo com as possibilidades de cada um. Mas a própria vida de Hawking já nos provou que no caso dele, ele escolheu viver, por ter muito o que produzir, apesar do obstáculo.

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