quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Indicados ao Oscar 2015 // O Jogo da Imitação

O Pior dos Pecados

O Jogo da Imitação // The Imitation Game

Nota: 8,5

Toda ação desencadeia uma reação. Lei da física que se aplica a quase tudo. Por exemplo, hoje em dia vivemos uma forte reação conser- vadora devido às conquistas da comunidade LGBT. Aqui mesmo no Brasil, elegemos o congresso mais conservador desde 1964, o ano da “revolução”, segundo alguns. Eu gosto de chamar de ano do golpe, mesmo. A reação conservadora consiste em nada menos que tentar perpetuar desigualdade e preconceito, já que essa maioria não sabe lidar com, ou respeitar, diferenças. Inclusive esquecem da contribuição social de minorias em geral. Em The Normal Heart há um monólogo onde a personagem Ned Weeks expressa seu orgulho por sua orientação sexual, citando nomes importantes da história, que eram gays. Entre eles Proust, Alexandre “O Grande”, Walt Whitman, Tennessee Williams e Alan Turing. Este último foi um introspectivo cientista inglês responsável por quebrar o código nazista na II Guerra Mundial, possibilitando a vitória dos Aliados sobre o Eixo.

O Jogo da Imitação é justamente sobre ele: um homem gay que quebrou o enigma alemão, um herói de guerra que não pegou em armas, mas julgado e condenado pelo Estado inglês por Indecência, devido à sua homossexualidade, que na época era crime perante a lei britânica. Recentemente, a rainha concedeu o seu perdão à Turing. Acho muito interessante essa coisa de “conceder” perdão ao invés de desculpar-se (mesmo que isso não mude coisa alguma). Faz parte da humanidade, caçar as bruxas para depois de décadas (ou séculos) admitir o erro. A história é sempre a mesma, só mudam os perseguidos. Não aprendemos mesmo.

Benedict Cumberbatch faz Turing, em seu melhor papel da carreira até o momento. Cumberbatch já está acostumado a interpretar figuras histórias. Já fez anteriormente Stephen Hawking para a TV inglesa, papel que está rendendo muitos prêmios a Eddie Redmayne esse ano, e no ano passado ele fez Julian Assange, num filme que rendeu pouca repercussão. Keira Knightley volta aos papéis de destaque fazendo a cientista Joan Clarke, amiga e cúmplice de Turing, e Matthew Goode, um de seus parceiros no projeto.

Assim como A Teoria de Tudo (sobre o físico Stephen Hawking), O Jogo da Imitação é mais um exemplo da competente, porém conservadora (e não raramente enfadonha), escola inglesa de fazer cinebiografias. Entre outros exemplos recentes dá para destacar O Discurso do Rei, A Dama de Ferro, e, meu favorito deles, Philomena. Características comuns a todos eles aqui se refletem no roteiro bem amarrado e boa direção (dos relativamente novatos Graham Moore e do norueguês Morten Tyldum, respectivamente), além do elenco talentoso. Porém falta a todos eles uma dose de ousadia ou inovação ao contar história, o que os faria se destacar mais como obras em si, além de serem bons veículos para atores apresentarem grandes interpretações.

2 comentários:

  1. Sinto que vou gostar mais da sua resenha que do filme, mas deu vontade de conferir...

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  2. Um milagre se opera hoje: concordamos em um filme (acho que isso acontece uma vez por ano). Eu gostei do filme também e da atuação do Cumberbatch, mas nada inovador. O filme é bom e vale a pena ser visto, mas acho que não da pra competir com os outros filmes que estão na lista.
    Eu acho um absurdo esse negócio de "conceder perdão". É menos mal, mas o certo era pedir desculpas mesmo.

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