segunda-feira, 3 de março de 2014

Oscar 2014

Sabe que eu até já caí no vício de ver Oscar só pra criticar depois? Mas esse ano, pra variar (de verdade), o evento foi bom. Foi um dos melhores Oscar que vi, e o melhor desde o apresentado por Hugh Jackman em 2009. Aquelas coisas de modernidade que o Oscar sempre inventou pra atrair o público jovem e nunca davam certo, dessa vez funcionaram, e de uma forma bem espontânea.

Pra começar os comentários, tenho que falar da menção a Eduardo Coutinho na sessão in Memorian, que foi totalmente inesperada para mim. Fiquei contente. Encheu até o olho de lágrima. William Ross conduziu a orquestra desse ano, que foi a melhor em anos. A escolha de trilhas tocadas durante a transmissão foi perfeita. Algumas eu nem conheço, vou ter que pesquisá-las.

E pra provar que Roberto Benigni foi um trauma pra Academia (acho é pouco...), a Itália não ganha o Oscar de filme estrangeiro desde então, há 15 anos, uma eternidade para eles, maiores vencedores da categoria. Pior o Brasil que não ganhou nunca... Mas pra provar que, mesmo depois desses anos todos, esse povo tem vocação nata pra dar bola fora, Sorrentino agradeceu a suas inspirações. Entre elas, Fellini, Scorsese e... Maradona. Nem comento.

Voltaram com a apresentação das indicadas a melhor canção, que esse ano eram músicas agradáveis em sua maioria, e ainda bem que desclassificaram a quinta indicada, a do filme racista da direita cristã. Achei o palco e a direção de arte do evento muito bem cuidada e de bom gosto (exceto quando tinha aquele monte de Oscar de plástico no palco), mas achei que a abertura da Ellen, à la stand-up comedy, meio pobrinha, apesar de divertida. Senti falta de um clipe apresentando os indicados. Mas ainda assim foi muuuuuito melhor que o fiasco do ano passado.


Frases da noite:
Estou honrada por voltar. Eu apresentei o evento há 7 anos atrás, e me alegro de terem me chamado de volta tão rápido.
Ellen DeGeneres, no seu monólogo inicial.

Tudo era tão diferente. Da última vez que apresentei Cate Blanchett foi indicada. Meryl Streep foi indicada. Leonardo DiCaprio foi indicado. Martin Scorsese foi indicado... Tão diferente...
Ellen DeGeneres, no seu monólogo inicial.

Esse é um dos melhores imitadores da Liza Minelli que eu já vi. Bom trabalho, senhor!
Ellen, no seu monólogo inicial, 
brincando com Liza Minelli na platéia.

Precisamos de heróis agora mais do que nunca. O mundo está passando por maus bocados, e filmes são uma fuga. Não estou dizendo que filmes sejam a coisa mais importante do mundo, porque sabemos que a coisa mais importante é a juventude.
Ellen DeGeneres, no seu monólogo inicial.

Eu queria que vocês se considerassem vencedores. Não todos vocês, mas os que já venceram antes.
Ellen DeGeneres, no seu monólogo inicial.

Entre todos os indicados hoje à noite, vocês fizeram mais de 1400 filmes, e juntos fizeram um total de seis anos de faculdade.
Ellen DeGeneres, no seu monólogo inicial.

São todos tão talentosos, e eu não quero colocá-los uns contra os outros, mas tem câmeras por todos os lados, tá todo mundo faminto, Jennifer Lawrence ganhou ano passado. São os Jogos Vorazes.
Ellen DeGeneres, no seu monólogo inicial.

Jennifer Lawrence caiu hoje de novo saindo do carro. Se você vencer hoje acho que a gente vai ter que levar o Oscar até você.
Ellen DeGeneres, no seu monólogo inicial.

O avô do Bruce Dern foi governador de Utah. Seu tio-avô foi um poeta vencedor do Pulitzer, sua madrinha foi Eleanor Roosevelt. E você está aqui entre nós hoje. O que é que deu errado?
Ellen DeGeneres, no seu monólogo inicial.

Jonah Hill, você me mostrou algo nesse filme que eu não vejo em muito, muito tempo.
Ellen DeGeneres, no seu monólogo inicial, se referindo 
a cena em que Jonah Hill se masturba em uma festa.

Muita coisa pode acontecer hoje. A possibilidade número um é 12 Anos de Escravidão vencer Melhor Filme. A possibilidade número dois, vocês são todos racistas.
Ellen DeGeneres, no seu monólogo inicial.

Cidadão Kane. Lawrence da Arábia. Ace Ventura. O próximo apresentador foi um deles.
Ellen DeGeneres, chamando Jim Carey ao palco.

Eu tenho algumas palavras aqui guardadas no meu sutiã.
Catherine Martin, esposa de Baz Luhrman 
e figurinista de O Grande Gatsby, ao receber seu 
terceiro Oscar (e primeiro dela na noite).

Ai! Eu nunca twittei antes!
Meryl Streep, após tirar selfie com Ellen 
e outros famosos na platéia.
[UPDATE]: Para ler os diálogos pouco audíveis dessa cena da selfie, clique aqui.
Não escapa de mim por nenhum momento que tanta alegria na minha vida veio do sofrimento de outrem.
Lupita, ao receber seu Oscar.

Qual o seu artista favorito? Estão todos aqui!
Ellen DeGeneres, para o entregador de pizza.
Eu tô sem trocado nenhum. Sandy! Você tem muito dinheiro. Você pode dar a gorjeta, né? Quem? O Harvey Weinstein? Mas onde ele está?
Ellen, pedindo pra Sandra Bullock pagar as pizzas.

Heróis nem sempre usam capas e máscaras. Às vezes eles usam sapatinhos.
Whoopi, antes de apresentar a homenagem a O Mágico de Oz.

Acabo de receber um email do Twitter. Nós fizemos história e quebramos o site. Viu, Meryl, o que a gente pode fazer?
Ellen, comemorando a sua foto ser a mais retweetada da história.

Obrigado aos nossos companheiros indicados. Vocês são todos rockstars. Literalmente.
Robert Lopez e Kristen Anderson-Lopez, 
se referindo aos indicados famosos.

Vinte dólares? Você fez dois filmes esse ano...
Ellen, reclamando da quantia doada por 
Brad Pitt pra pagar as pizzas.

Para aqueles na indústria que estupidamente se agarram à ideia de que filmes sobre mulheres são um nicho, não são. O público quer vê-los e, na verdade, eles geram lucro.
Cate Blanchett, no seu discurso.

Todos merecem viver e não apenas sobreviver. Eu dedico esse prêmio a todos que viveram a escravidão e aos 21 milhões que ainda a vivem hoje em dia.
Steven McQueen, na última frase da noite, ao receber 
o prêmio de melhor filme por 12 Anos de Escravidão.



Os 3 Melhores Momentos da Noite:

1. As interações de Ellen com os famosos na platéia. A selfie para o twitter e as pizzas distribuídas aos famosos ficarão para a história, com certeza.

2. Pharrel dançando com Lupita, Meryl e Amy Adams na platéia. A apresentação da canção indicada Happy foi a mais divertida da noite, com certeza.

3. Karen O cantando Moon Song de Ela. Se tem uma coisa que eu amei em Ela foi a trilha sonora, e a performance acústica com a lua cheia de fundo foi de arrepiar os pentey do fiofó de travesti depilada.



Os 3 Piores Momentos da Noite:

1. O vídeo sobre “pessoas comuns que se tornam heróis” que colocava Milk, Filadélfia, 12 Anos de Escravidão, Norma Rae e Silkwood no mesmo balaio de Capitão Phillips, Discurso do Rei, O Mordomo da Casa Branca, Ben-Hur, Lawrence da Arábia, A Hora Mais Escura e Argo. Direitos civis, imperialismo, militarismo, direitos trabalhistas, colonialismo, enfim, vamos todos morrer mesmo...

2. Pink assassinando Somewhere Over The Rainbow.

3. Aquela música chata de Frozen (e performance fraca, nasal e estridente, decepcionante, ainda mais pra Idina Menzel, que tem décadas de experiência nos palcos da Broadway), a pior das quatro indicadas e que ainda acabou ganhando, tudo pelo lobby Disney.



O que mais teve?


- Lupita. Esplendorosa de azul turquesa;

- Sandra Bullock, bela, toda no formol;

- Kate Hudson, mais linda do que nunca;

- Goldie Hawn, mostrando como será Kate amanhã;

- Kim Novak, deformada. Parece o boneco de Jogos Mortais;

- Jared Leto e McConaughey, que combinaram de ir fantasiados de garçom...

...e combinaram no bronzeamento artificial também. Quase dois Oompa loompas;

- Chris Hemsworth e Charlize Theron. Imaginem só se esses dois tivessem filhos... ;

- Precious, que engordou uns 10 quilos, pelo menos, coitadinha, e Anna Kendrick, a mais mal-vestida da noite;

- Leonardo  DiCaprio, perdendo de novo. Perde tanto que já virou arroz de festa;

- Whoopi, fantasiada de Julia Roberts no Globo de Ouro;

- Chris Evans, com um paletó com os ombros estreitos demais pra ele;

- Hermione, que esqueceu o pente em casa;

- Cate Blanchett e Sally Hawkins, que foram de uniforme;

- John Travolta, que é a definição da palavra cacura. Essa obsessão dele em ser Tony Manero eternamente passou dos limites. Virou estátua de Madame Tussauds. Pra piorar, o momento VA da noite foi dele. Não conseguiu nem pronunciar o nome da Idina Menzel... Chamou de um nome lá impronunciável que ganhou até página própria no twitter depois;

[UPDATE]: Assim como a Idina Menzel, agora você também pode “travoltizar” o seu nome. É só clicar aqui.

- Robert Lopez, o compositor da xaropinha Let it Go de Frozen, que se tornou um dos pouquíssimos EGOTs, ou seja, aqueles profissionais que já ganharam o Emmy, Grammy, Oscar e Tony;

- Como morreu gente importante esse ano! Peter O’Toole, Shirley Temple, Joan Fontaine, Maximilian Schell, Philip Seymour Hoffman, James Gandolfini, Paul Walker, etc;

- A arte da sessão in memorian, que foi ao som da trilha de Algum Lugar no Passado. Se tivessem colocado uma bossa nova no lugar seria plágio à abertura de novela de Manoel Carlos;

- Teve Bette Midler, que entrou cantando aquela música cafonérrima de casamento, Wind Beneath My Wings, logo depois da bela homenagem aos finados, quebrando o clima. Momento WTF da noite.


Para ver a lista completa de vencedores, clique aqui.

5 comentários:

  1. Ótima síntese do Oscar, foi uma edição bem memorável por ser divertida, com indicações concorridas - e também das performances musicais mornas.
    Já estava achando que eu era o único ser vivo a achar Let it Go uma musiquinha chata e aquele que era pra ser o 'momento emoção', a Pink cantando Somewhere Over The Rainbow, foi fail.
    Muito bacana o blog, só acho que você deveria postar com mais frequência.

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  2. Amei os comentários. Concordo com quase todos. Acho que foi um oscar divertido, jovem e politizado. Só não curti a piada com a liza e o momento churrascaria em tarde de sábado com a midler - justo quando tava todo mundo engasgado de tristeza...

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  3. @Bartolomeu Eu escrevo mais quando dá vontade mesmo. Essa época de premiação sempre o assunto se torna mais relevante, então dá mais vontade de falar a respeito. Não ajuda que a maioria dos filmes comerciais e que cheguem até nós não sejam bons. Os filmes de temporada de férias, os blockbusters, eu costumo detestar todos, aí acabo com preguiça de escrever, a não ser que seja pra debochar. Mas tentarei ser mais constante. Acho que vou passar a escrever mais sobre filmes mais antigos.

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  4. @Dai O momento da Bette foi bem tosco mesmo. Aquela música (na versão dela) só lembra casamento hoje em dia, apesar de ter sido originalmente tema de Beaches (Amigas Para Sempre), que não tem nada a ver com casamento. Mas eu adoro a Bette mesmo assim. O episódio de "Inside The Actors Studio", que no final todos cantam essa música, é dos meus favoritos.

    @Valéria Obrigado! Seja bem vinda para aparecer e comentar mais vezes =)

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