domingo, 2 de março de 2014

Crítica de O Lobo de Wall Street

Ai que Locura!

O Lobo de Wall Street // The Wolf of Wall Street

Nota: 9,5


Eu já imaginei alguma vez na vida como seria Narciza Tamborindeguy se ela fosse homem. Acho que encontrei a resposta. Porque cá pra nós, Narciza tá mais pra corretor da bolsa padezeiro do que pra socialite dondoca. A diferença é que Narciza traz um certo humor para si, por ser só frívola e, quase (atenção para o quase), inofensiva. Eu acho que há certo humor quando não se enquadra na tríade da dominação e opressão macho-branco-hétero. Já esses corretores da bolsa de inofensivos não têm absolutamente nada. Pra alguém como eu que odeia o capitalismo, que dita que o objetivo das nossas vidas seja fazer dinheiro pra poder apenas sobreviver, uma expressão do tipo “corretor da bolsa vigarista” ou “corretor estelionatário” são puro pleonasmo vicioso...

Lobo foi uma biografia escrita pelo verdadeiro Jordan Belfort que, no fim dos anos 80 e início dos anos 90, naquela época em que mullets, ombreiras e cocaína eram moda, acabou contagiado e se transformando de homem de classe média baixa do Queens num ganancioso corretor de Wall Street, e agregando outros babacas iguais a ele para acabar de destruir as vidas de milhares de pessoas que buscavam alguns trocados para sair do buraco. Vale ressaltar que eles não só enganaram milionários, mas qualquer um que se dispusesse a colocar dinheiro em suas mãos.

Um ambiente estritamente masculino, misógino e desprovido de limites sociais e éticos. Essas pessoas chegam a um ponto onde ganhar mais e mais dinheiro se transforma num fetiche. O prazer é puramente por ter o dinheiro, e não o que se pode fazer com ele. Além de torrar com mediocridades, óbvio. E num mundo onde milhões de pessoas sobrevivem com apenas poucos dólares por dias, apenas o fato de dispor de milhões de cifras numa conta corrente já me soa imperdoavelmente imoral.

O ritmo é frenético e eufórico, como quem está no meio de um porre de cocaína. A montagem e direção são perfeitas. Scorsese conhece bem seu nicho e sabe como retratá-lo. Assim como a editora Schoonmaker já sabe como trabalhar com Scorsese colaboradores de longa data. DiCaprio está em sua melhor performance da carreira, creio eu. Antes de ver esse filme eu acho que diria que ele jamais seria o ator apropriado pra esse tipo de papel. Fiquei deveras surpreso. Se ganhasse o Oscar, não seria injusto.

Há diversas críticas de que o filme glamuriza o estilo de vida dos criminosos. Bom, se há alguém que se influencie por esse tipo de vida, eu culpo mais o sistema do que o filme, que inclusive tenta ser isento a meu ver, especialmente por mostrar todo um contra ponto nas últimas cenas. Pra mim, soa mais como uma crítica do sistema que nos ensina que sucesso se mede com cifrões na conta bancária, e estampar a capa da Forbes.

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