sábado, 1 de março de 2014

Crítica de Philomena

Entre Deus e o Pecado

Philomena

Nota: 8,0

Com certeza essa é uma das melhores e mais tocantes histórias contados no cinema nesse ano, junto com 12 Anos de Escravidão. Qualquer his- tória que minimamente ques- tione o falso-moralismo reli- gioso tem a minha atenção. Será que só eu (e mais alguns poucos gatos pingados) ache muito estranho que as igrejas sempre preguem que Deus é amor e compaixão, mas que a gente deve sempre temer sua ira e tudo que elas pratiquem seja castigo, amargura e discriminação? Isso amor ou rancor, afinal de contas? Francamente, viu... Deus deve ter um desgosto imenso do que essas instituições eclesiásticas fazem seu nome... Tudo bem, não dá pra generalizar. Mas dá pra dizer sim que a proporção é tipo um Dom Helder Câmara na Igreja pra uma procissão inteiras de padres omissos na Segunda Guerra e pedófilos em comunidades miseráveis, e mais um punhado de padres-ovelhas, sem personalidade alguma.

Philomena Lee é uma irlandesa que na juventude engravidou de uma noite de sexo casual. Renegada pela família católica fervorosa, foi exilada em um convento onde era maltratada e forçada a trabalhar para as freiras. Achando pouco, as servidoras do divino ainda venderam o filho dela para a adoção de um casal estrangeiro. Mas isso daí é só a introdução da história. A verdadeira odisséia de Philomena é buscar por esse filho, décadas depois de terem sido separados.

O caso foi famoso, virou reportagens, documentários e livro, então acho que muita gente já sabe qual é o desfecho dessa história. Pra quem não sabe, não se preocupe. Não a contarei aqui. Mas falarei do que acho do filme, óbvio. Judi Dench é fantástica sempre. Ela conta histórias só com o olhar, sem dizer uma palavra. Acho que esse é meu trabalho favorito dela no cinema, junto com seu trabalho em Notas Sobre Um Escândalo. Nunca vi Sua Majestade Mrs. Brown, que é elogiadíssimo. Tenho pouquíssima paciência pra filmes sobre monarcas.

Mas nem com Judi afiadíssima, e uma história que espinafra lindamente as práticas da Igreja e suas ramificações como instituição, Stephen Frears conseguiu fazer jus a história. Não acho que ele seja o diretor apropriado para dirigir esse tipo de filme. Obviamente escolheram o tom errado pra contar essa história. Dá só uma olhada pro cartaz do filme? Ela exprime alguma coisa da sinopse? Não, né... Mas mesmo tendo errado a mão, Frears também não tinha muito o que fazer com o roteiro do co-estrelo Steve Coogan que, assim como Clube de Compras Dallas, é burocrático e morno, levando em banho-maria o tempo inteiro uma história tão rica e cheia de nuances. E que ainda fica em cima do muro. Vale mais a pena pelo relato do caso do que por suas qualidades cinematográficas. Uma pena, pois poderia ser uma fita investigativa e cheia de tensão, com reviravoltas e desfechos surpreendentes.

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