sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Crítica de Nebraska

O Mágico de Oz

Nebraska

Nota: 7,0


Bruce Dern tá pra lá de Bagdá. Nesse novo filme do diretor Alexander Payne, Bruce faz um pai de família, que não nos é esclarecido muito bem (ou então eu perdi essa parte) se está senil ou se é só avoado mesmo, que depois de receber uma dessas cartas de propaganda de revista prometendo uma fortuna em dinheiro, crente que acertou na Mega-Sena, ele pega sua estrada de tijolinhos amarelos e parte em direção a Oz atrás do seu pote de ouro em algum lugar além do arco-íris. Ainda bem que ele não usa computador, porque se ele visse todas essas pop-ups que nos prometem prêmios ia ter viagem pra Nebraska todo dia nessa casa.
Will Forte, o namorado transformista da Jenna em 30 Rock, é o filho dele que não deve ter muito o que fazer da vida, e resolve dar cabimento à broquice do pai. E a matriarca tá com a macaca. Ela resmunga tanto no filme que chega uma hora que enche a paciência. Também pudera... Imagine o que essa mulher não deve ter agüentado a vida inteira num ambiente tão machista e patriarcal e nessa altura da vida ter que engolir esse devaneio todo? Eu a entendo. Minha empatia é toda dela.
Esse filme me faz pensar em duas coisas em especial. A primeira é me lembrar meu avô que teve demência, e aí a gente se lembra que velhice pra muitos é praticamente um retorno a infância. Só que ao invés de ser ascensão é decadência. É triste ver alguém que já foi cheio de vida perder a lucidez. Nem são fáceis de lidar, pois essa perda não é da ciência deles, e causa muitos e exaustivos conflitos diários. O segundo é o retrato familiar do americano médio do meio-oeste, que não parece ter outro objetivo na vida além de ter subempregos, casar, ir pra igreja e ver TV comendo fast food. Chega a ser triste. Uma cultura que cria seres humanos que só ocupam espaço e são facilmente manipulados.
Eu até me esqueci depois de um tempo, mas Nebraska é filme do Alexander Payne, e, como todos eles, depois de dois terços de filme sempre acontece um absurdo ou ridículo que muda o tom da história. Eu poderia citar quais são os de Eleição (ainda o melhor de todos eles, na minha opinião), Sideways (eca!) e Os Descendentes, mas prefiro não dar spoilers.
Eu francamente me recusaria a viajar quilômetros só pra provar pra um pai tan-tan que aquele ouro era de tolo. Desconversava e pronto. Dava um fim àquela famigerada carta dele, sacudia no telhado de casa, igual minha mãe fazia com meus brinquedos barulhentos quando eu era criança, e ele logo esquecia daquilo lá. Mas aí não ter o road movie pra contar, né?

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