sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Crítica de Trapaça

Arapuca

Trapaça // American Hustle

Nota: 6,0


Agora colocaram na cabeça que tudo David O. Russell faz é obra prima. Eu confesso, adorei Silver Linings Playbook, mas acho que porque adoro o tema em si. Quase todo filme sobre pessoas com distúrbios mentais me conquistam. Garota Interrompida, Um Estranho no Ninho, etc. O final dele é açucarado e poderia ser melhor, eu concordo. Mas acho que gostei dele principalmente por ter sido baseado em um livro, que Russell não teve nenhuma participação na criação. Talvez eu deva ler o livro...

Suas obras anteriores que vi foram I ♥ Huckabees, que é uma das comédias mais confusas que já vi, e O Vencedor, que é uma novela mexicana disfarçada de filme de Hollywood. Tudo caricato e sobreatuado. Mas enfim, esse texto deveria ser sobre o filme recente, mas não tive como não fazer uma explanação retrospectiva pra poder espinafrar todo o confete que Arapuca, digo, Trapaça vem levando.

É um filme sobre um golpista que é pego pelo FBI e vira isca pra pegar peixes maiores. Como a história se passa nos anos 70, vamos encher o filme da melhor discografia que os músicos americanos já fizeram, e caprichar nas perucas e penteados ridículos. Mas se esquecem que os anos 70 também foram um primor para o cinema americano, e que Trapaça não chega aos pés de unzinho daqueles grandes filmes.

Todo mundo sobreatua, pra variar... Jennifer Lawrence - a idolatrada salve, salve do momento - faz um papel para alguém pelo menos 10 anos mais velha. Não colou (pelo menos pra mim), e só mostra que ainda falta muito para que mulheres deixem de ser valorizadas somente por sua juventude e beleza. Amy Adams aparentemente oscila entre sotaques britânico e americano, que eu sinceramente não notei grandes diferenças. Christian Bale engordou e raspou a cucuruca e Bradley Cooper faz careta demais pra ser levado a serio.

A história é confusa, e seus longos diálogos Tarantino-wannabe (de meia tigela) deixam o ritmo lento demais, virando no fim um Scorsese-diet. Um filme OK, sendo justo, mas que eu acabo só conseguindo ver defeito, por venderem-no como sendo algo extraordinário que ele não é. Seus defensores dizem que Scorsese faz filmes imorais e Arapuca é um filme com coração. Mas não dizem que de boas intenções o inferno tá cheio? Trapaça deve ser filme de cabeceira de satanás, então.

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