sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Crítica de Capitão Phillips

Não É Mais um Besteirol Americano

Capitão Phillips // Captain Phillips

Nota: 1,0


Qualquer filme que glorifique heroísmo americano em terras (ou águas, no caso) estrangeiras já tem minha antipatia, e quando os vilões são negros – subnutridos, ignorantes e marginalizados – e africanos, sem uma contextualização qualquer, ganha também o meu desprezo. Paul Greengrass (o diretor) se especializou no tema. O filme United 93, aquele sobre os passageiros que derrubaram o avião do 11/9 que ia ser jogado na Casa Branca, foi dele também. Se aqueles tripulantes tivessem o mínimo de consciência política teriam deixado o avião atingir o alvo. Já que iam morrer mesmo, porque não fazer os verdadeiros culpados pagar o pato também? Ok, polêmicas a parte agora...
Tom Hanks tá até bem numa versão heroificada e açucarada, obviamente fictícia, do papel título, que inclusive a própria tripulação real do navio o culpa pelo incidente, lhe rendendo diversos processos judiciais. Mas é um papel raso, sem nuances, herói bonachão de desenho animado. Praticamente uma Pollyana. Seus grandes momentos são suas cenas finais, onde a gente sente a real emoção da personagem. Pena tudo não passar de pura carochinha, não ter um pingo de veracidade ali, além do trabalho do ator.
O filme poderia ser bem interessante, uma história mais realista sobre pessoas com virtudes e falhas, e contextos históricos e sociais que justificam os atos que cometem. Mas aí não haveria herói, e não iam conseguir vender a agenda proposta, e pelo tom macarronesco da narrativa seria bem capaz de virar uma novela Amor à Vida em alto mar, cheia de gente ruim pra quem não damos a mínima. A verdade pode até libertar, mas definitivamente a ignorância é que é felicidade...
Dando a mão à palmatória, muito a contragosto, o filme é bem feito. Mantém a tensão com um bom ritmo, mas tenta nos fazer torcer pelos mocinhos. E, francamente, isso é o que mais me irrita, pois além de planificar a história, deixar tudo preto e branco, induz o público a tomar partido ao invés de deixá-lo pensar por si só e tomar suas conclusões. No final das contas é a velha fórmula de filme faroeste ou de aventura, à la Indiana Jones (que é bem racista também) e similares, e que Argo se deu bem copiando no ano passado.

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