quarta-feira, 11 de abril de 2012

Crítica American Reunion

Os Bons Tempos Voltaram: Vamos Gozar Outra Vez

American Pie - O Reencontro // American Reunion

Nota: 6

Nada como o sexo para mover montanhas. É mais fácil fazer alguém sair da cadeira pra espiar debaixo da minissaia da vizinha do que pra dar um prato de comida ao mendigo da esquina. Porky’s foi uma franquia de sucesso nos anos 80. O que os anos 80 tiveram de praticamente nulos, historicamente falando, tiveram de produtivos no quesito safadeza. “Taí” a produção nacional que não me deixa mentir, com seus inúmeros filmes com títulos sugestivos, tais como O Beijo da Mulher Piranha e o do título desta resenha crítica, que hoje povoam o cine Brasil e similares. Isso sem contar as novelas... E desde Porky’s que nada parecido foi produzido, a não ser os filmes de terror adolescente, tipo Sexta-Feira 13, onde fazer sexo era sentença de morte. Talvez a onda conservadora nos anos 80 tenha demorado a atingir Hollywood. E a finada TV Manchete. Isso explica os filmes de terro. Abstinência já! Mas não demorou (relativamente) muito para que a moda voltasse.

Aí então surgiu American Pie, que todo mundo da minha idade lotava o cinema pra ver. Uma turma de adolescentes que limitavam a razão da sua existência à perda da virgindade. A do filme, digo. E também não tinham outra coisa em mente, ou falavam sobre outro assunto. História mesmo, não tinha. Era tipo um Faces da Morte do sexo. Eram só esquetes múltiplos, diversas desculpas para se fazer piadas sobre sexo, e mostrar situações inusitadas, onde o bom gosto mandava lembrança.

Como era de se esperar o público (pouco exigente) abraçou o projeto e ele rendeu seqüências e produções similares mil. Mas nenhuma delas chegou aos pés de American Pie. Aos pés, digo de fama e popularidade. E talvez de um certo charme, sejamos honestos. E após algumas seqüências, então o elenco foi se esvaindo a procura de novos projetos, vulgo, filmes sérios. Então continuaram a série com elencos novos, produzidos diretamente pra DVD.

O certo é que depois de 13 anos conseguiram convencer todo o elenco original a se reunir e fazer uma nova seqüência. A verdade é que nenhum deles deu em nada, então convencê-los a sair da rua da amargura não deve ter sido das tarefas mais árduas. No final das contas, e mais um rio de água limpa, um sopro de esperança na carreira deles.

Jason Biggs fez um filme do Woody Allen, uns seriados de TV meia boca e mais um punhadinho de comédias piores. Sean William Scott até ensaiou uma espécie de carreira, mas não decolou. O Chris Klein, que fez o ótimo Eleição, mas queimou o seu filme quando seu teste (aqui o link) pra Mamma Mia vazou. É hilário, eu recomendo. Tara Reid virou party girl profissional, e por um tempo ficou mais famosa por como ela se decompunha em vida, tipo Lindsay Lohan hoje em dia. No filme, pelo menos, ela voltou a ser bonita. Mena Suvari fez Beleza Americana e sumiu. Alyson Hannigan conseguiu emplacar um seriado de sucesso, How I Met Your Mother. E os demais todos devem ter virado jornaleiros, carpinteiros, frentistas e/ou açougueiros.

História, pra variar, esse também não tem, pra poder comentar. A desculpa pra gente acompanhar a saga desse povo interessante mais uma vez é a "reunion" da turma de colégio deles, o que me parece meio estranho, porque esses eventos normalmente são celebrados em anos redondos, tipo dez anos, quinze, vinte e cinco, cinqüenta, e não treze.

As piadas são todas do mesmo naipe. Nada inovador. Como se houvesse como inovar alguma coisa nesse tema. Só se inventarem um novo orifício para a prática do coito... O que eu posso dizer é que o filme começa melhor do que termina. Melhor, no sentido de provocar mais risos. O fato é que eu vi o filme mais por pura nostalgia. Mas o tempo passa, a gente amadurece, o senso crítico vai se apurando, e terminamos percebendo que nossos gostos tendem a se tornar mais seletivo, com o tempo. Ainda bem...