quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Crítica A Pele Que Habito

Um Segredo Entre Nós

A Pele Que Habito // La Piél Que Habito


Nota: 10


Almodóvar lança filme novo. Todos comemora! O diretor mais pitoresco e inventivo da atualidade trazendo coisas novas é sempre motivo pra celebração. E qualquer coisa vinda dele, mesmo as obras mais fracas, é melhor que a média do que passa habitualmente nos cinemas. E ele é um dos raros casos que consegue transitar nos âmbitos do cinema europeu, de arte e mainstream. Mérito conseguido por sua obra ter um estilo muito peculiar, abordar temas espinhosos, mas sempre abusando do humor, e mesmo nos dramas mais densos ele consegue mesclar tons, recheando seus enredos com o inusitado. De uma maneira que só os latinos conseguem focar. Bom, que só o Almodóvar consegue focar... Dessa vez ele trouxe de volta pra Espanha o Antonio Banderas, que há muito não fez mais nada com ele, e também não abriu mão da Marisa Paredes.

Antonio Banderas interpreta um cirurgião plástico que secretamente faz experimentos com pele humana que vão contra a ética médica. A cobaia do Dr. Frankenstein de castanholas é uma mulher que vive trancada num quarto da sua mansão e vigiada por câmeras ininterruptamente. O que ele quer com isso? O que o levou a tais experimentos? Quem é essa cobaia? Quem é a misteriosa senhora que o ajuda a administrar a casa? O que a motiva a compactuar com ele? As respostas após o intervalo comercial.

Como falar desse filme? Bom, o filme é pano pra manga pra discussões e debates diversos. Sobre gênero, sexualidade, ética, justiça, abuso, e qualquer comentário um pouco mais desenvolvido e aprofundado sobre qualquer um desses desdobramentos transformaria o texto em spoiler. É pisar em ovos mesmo.

Mas posso dizer que poucos filmes recentemente me deixaram tão vidrado. Almodóvar sabe explorar o melodrama, os exageros, o kitsch, tanto no conteúdo, quanto na estética, e tornar sua obra extremamente charmosa. E não é nada, nada fácil. Qualquer outro que tentasse o mesmo faria uma novela mexicana con mucho guacamole y queso.

Arrisco até dizer que esse é meu filme favorito dele. Lado a lado com Fale Com Ela, Tudo Sobre Minha Mãe e Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos. Só com tempo pra dizer qual deles eu realmente prefiro. Banderas finalmente faz um personagem interessante. Ele não teve a mesma sorte de Javier Barden, apesar de ter uma carreira estabelecida. Hollywood não o leva a sério. Sendo sincero, o único filme não-espanhol dele que eu lembro que vi e gostei (além de Shrek, que ele dubla) foi Evita.

Como nada é perfeito, o filme tem um personagem brasileiro, que é tão convincente com seu português quanto eu interpretando um esquimó. Não havia necessidade. Era melhor tê-lo posto como espanhol mesmo. E eu, pessoalmente, teria omitido algumas informações até o final, para causar uma reviravolta a mais no fim. E vale ressaltar que se fosse um filme hollywoodiano, certeza que haveria uma seqüência desnecessária. Mas acho mesmo que a odisséia acaba por aqui, e o resto é discussão fora das telas.

Um comentário:

  1. Tb amei o filme e me deixou vidrada, ainda estou pensando sobre ele, como se Almodóvar tivesse escondido surpresas sob o assoalho e atrás das cortinhas. Beijos!

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