terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Crítica Os Descendentes

O Outro Lado da Vida

Os Descendentes // The Descendants


Nota: 9,5


Alexander Payne já é bem conhecido no metiê. Seus dois últimos filmes fizeram muito sucesso e foram destaque nas premiações. Mas desde Sideways (que pra mim é certificado de tédio garantido), em 2004, que ele não lança nada novo. Antes de Sideways, As Confissões de Schmidt, de dois anos antes, já havia lhe dado bastante credibilidade. Esse eu nunca vi. Shame on me... Mas Eleição, de 1999 é certamente uma das minhas comédias favoritas e está a léguas de Sideways. Lógico que a crítica (mais) especializada e os votantes de premiações discordam de mim. Pode ficar no seu mundinho, que eu não tô nem aí. Gosto sempre de pensar que críticos de premiações tem fixação pelo mais-do-mesmo e medo do novo, preferindo Como Era Verde Meu Vale a Cidadão Kane. Ou Crash a Brokeback Mountain. Rocky a Taxi Driver, et al. Por isso uso e abuso da arrogância, dá licença que eu tô passando...

Desta vez ele adaptou um livro sobre um havaiano, Mr. George Clooney em toda sua glória, que faz parte de uma família que possui um pedaço de paraíso intocado em Kauai, uma das ilhas do arquipélago (inclusive o local mais chuvoso do mundo), que está sendo oferecido milhões por ela para se construir um resort por lá. Ele é o cabeça da decisão e tem que responder por toda a família, posição que lhe foi herdada e ele há de honrar, e com toda a pressão do estado, que acompanha todos os passos da decisão.

Nesse meio tempo ele tem que lidar com sua família problemática. A filha mais nova não tem um real de juízo nem pra emprestar. A filha mais velha rebelde não se dá bem com a mãe. Já essa acaba de sofrer um acidente esquiando no mar e entra em um coma irreversível. E um segredo sobre ela muda completamente tudo que ele sente pela infeliz. E ele ainda tem que tolerar o paquera debilóide da filha e o sogro patriarca, que vai envelhecendo e ficando mais rabugento (sexagenário cri cri = redundância, pleonasmo vicioso). E agora, José? Dinheiro ou natureza? Respeitar a moribunda ou curtir a mágoa? Ligue para 0800-meia-meia-sem sapato. O final você decide.

O filme me trouxe muitas memórias. Nem parece que quase 5 anos atrás eu vivia por aquelas bandas. A trilha sonora toda só me fazia lembrar do restaurante que eu trabalhei. George Clooney é sempre bom, mas esse papel lhe proporcionou um algo mais, e ele soube muito bem trazer todas as nuances necessárias a personagem. Está entre os favoritos para melhor ator nas premiações.

A estrela teen Shailene Woodley, como a filha aborrescente, mostra que há talento escondido na Nickelodeon, Boomerang e afins, e é nome certo nas listas de melhores do ano. Além de um elenco de apoio ótimo também. Tem Judy Greer, que eu amo sempre, Matthew Lillard (eterno Salsicha pra mim), num dos seus raros papéis decentes e Robert Forster, como o sogro osso duro de roer.

Além de Clooney e Shailene, Os Descendentes é forte candidato também nas categorias de Filme, Direção e Roteiro Adaptado (nessa principalmente). Outras indicações mais deverão ser incluídas, obviamente. O que mais me encanta nesse filme é a singeleza que Hollywood, numa safra recheada de super-heróis e seqüências de blockbusters acéfalos, explosivos e inflamáveis, tem se esquecido. No meio da lama uma bela flor havaiana nasce colorida e cheia de vida. Aloha!

14 comentários:

  1. Não tinha vontade de ver, mas seu texto o deixou interessante. Beijos.

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  2. eu estou louca pra ver esse filme, gosto de tudo que george cloney faz! eu sou groupie! kkkkkkk

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  3. vitor, odiei o filme!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Odiei muito mesmo. Até o cavalinho da guerra foi melhor!!!!!

    Como tu deu 9,5??

    Impossivel!

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  4. po vitor, esse filme é horrível. parece filme feito pra TV misturado com documentário sobre o havai. quer justificativa? então vamos lá:

    Ninguem tá nem ai para a perda da mulher. Ele só pensa em como ele poderia ter sido melhor para ela, até descobrir q ela tinha um caso. daí, ele só pensa em como se vingar dela e do caso...disfarça, dizendo q acha q o caso tem direito de saber q ela está morrendo, mas o que quer mesmo é conhecer o cara e conseguir se vingar. Descobre q a vingança é fácil, é só ferrar com a família dele toda e não deixar vender as terras. Note que ele não doa as terras para o governo, não transforma as terras em reserva, nada disso. apenas adia a decisão para ferrar com o cara q tava comendo a mulher dele...

    o bonitão é tão bonitão e bacana que, no final, as filhas nem sentem falta da mãe. Morreu, fazer o que? Temos nosso pai bacana que nos dá tudo e ainda assiste tv com a gente comendo sorvete.

    O havai não é um paraiso porque tem poluição, gente pobre, vulcões e ameaças ambientais. o havai nao é o paraiso porque até os ricos sofrem, coitados.

    Até agora eu não sei como o george clonney entrou nessa. Tem cenas constrangedoras, mal dirigidas, atores ruins (o que é aquele garoto que faz o namorado da filha????). Nem as cenas de paisagem são boas, a maioria poderia ter sido filmada por um cineasta iniciante.

    Eu só vi até o final porque fiquei o tempo todo esperando que algo acontecesse...mas nada acontece. É tudo previsível e chato.

    Lamentei.

    Por fim, onde posso baixar os outros filmes? Aqui onde moro não tá passando nada no cinema, so esse descendentes e cavalo de guerra. Please! Os links!

    E agora, aguardo as suas justificativas para ter gostado tanto do filme!

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  5. Bom, interpretamos as coisas de maneiras diferentes.

    Eu me identifiquei com a maneira que ele lidou com a situação. Eu acho que ele pensar em como poderia ter sido melhor pra ela algo bem humano e natural. E de bom coração também. Esses momentos de perda nos faz refletir como poderíamos ter feito as coisas diferentemente. Lógico que descobrir a traição muda tudo. Que atire a primeira pedra quem não teria a curiosidade de saber quem era @ outr@ de seu parceir@. Ele procurou fazer a vontade dela, mesmo se sentido traído. E quem não se sentiria? Se alguém disser que ia idolatrá-la mesmo assim, tá mentindo. Ainda mais porque eles nunca tiveram a chance de discutir a relação. A amiga do casal contou que ela o amava e que queria se casar com ele, então ele o procurou para que ele a fosse visitar no hospital (pois ela iria querer que o homem que ela amava estivesse do seu lado), e - lógico - pra dizer o que ele sentia, porque ele é filho de Deus também, e não tem sangue de barata. E em nenhum momento ele desrespeitou a moribunda. Mesmo quando o pai intolerável dela, alheio à situação, ficava enchendo o saco dele.

    Também acho compreensível ele não querer vender as terras pro "rival". Ninguém no lugar dele colocaria milhões de futuro lucro no bolso do outro. Mas ele não tomou essa decisão baseado só nisso. Claro que é um fator que pesa na decisão. Ele não poderia simplesmente doar as terras pro governo, porque elas não eram só dele, mas de uma família inteira. O que ele poderia fazer era só adiar uma possível venda e levantar alternativas, opções para se discutir com seus familiares. Mas isso daí já seria uma outra história, um outro filme, outro livro.

    E logo no começo do filme a gente vê uma moça dizendo que o estado inteiro está acompanhando a decisão dele (porque ele é o testa de ferro da família, mesmo não tendo pedido pra ser, como muitas coisas nas vidas de todos nós). E eu morei no Hawaii e sei como os havaianos nativos se sentem com essa capitalização das ilhas. Corporações gigantes transformando tudo em resorts, etc. Donald "mala" Trump falando que ali é um lugar bom de investir, e lá vem um monte de executivo avaliar o local e pouco se lixar pra cultura local, a não ser pra decorar seus investimentos com kukui e leis. Os nativos sentem falta de como tudo era intocado (e olha que é bem menos urbanizado que qualquer lugar do nordeste, pro exemplo) e de como havia de fato liberdade lá, de ir e vir, e não essa liberdade de araque que americano gosta de jogar na cara do resto do mundo. E ele como havaiano, filho de havaiano e tal, com certeza sabia disso e compartilhava desse sentimento, apesar da influência grande da cultura.

    Eu não interpretei no final que as filhas não sentiam falta da mãe. Elas só aprenderam a seguir em frente. Como já diria o poeta "mas tudo passa, tudo paaaasssaráááá, e na da fica, nada fiiiiiicaraááááá...". Eu já perdi avós, cachorros, gato, e lógico que faz falta, mas a gente não vai se apegar à amargura da perda. Life goes on. A lição que ficou pra todos eles foi que a vida é curta e vale mais a pena aprender a desfrutar o tempo que temos com aqueles que amamos, como vendo um filme na TV, tomando sorvete, e enrolados ali na mesma colcha amarela que cobriu a mãe delas em coma no hospital. (continua)

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  6. (continuando) Pra mim ele refletiu que há coisas mais importantes que dinheiro. E que esse dinheiro não mudaria a vida dele, só o faria poder comprar mais coisas, porque é isso que a sociedade de consumo incita as pessoas a fazerem. Essa dicotomia de mundo que gira em torno do capital e buscar sentido na vida, já que dinheiro não dá rumo a vida de ninguém, sempre me atrai. E em lugares tão em contato com a natureza assim a gente reflete mais sobre essa - quase - dualidade.

    E no fim das contas eu adoro histórias de família. São minhas preferidas. Não achei monótona, nem chata em momento algum. Tanto que me absorvi na história e não parei em momento algum pra fazer previsões do que iria acontecer. Quando isso acontece é porque o filme não me fisgou, e eu estou só assistindo analiticamente a história, e é o que mais acontece, na verdade. Nem nada me incomodou. Nem elenco, nem nada técnico.

    Quanto a baixar outros filmes, a maneira mais fácil é por torrent. Vários blogs também disponibilizam os torrents. Só procurar no google. Reclamam tanto de pirataria, vendem Oscar pro mundo inteiro ver e não passam os filmes, exceto nos EUA. Aqui em São Francisco estão todos no cinema, então fica fácil pra eu ver todos.

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  7. Sugiro q vc veja de novo. talvez, vc tenha sido capturado pelas imagens do havai e não percebeu o resto.

    Como vc mesmo coloca no seu comentário, é tudo natural (quem não faria o mesmo?). Não tem nada diferente, interessante, revolucionário, surpreendente. É a vidinha...vista pelos olhos de alguem que praticamente não tem problemas.
    O que teria esse filme que justificasse estar entre os melhores produzidos em 2011? NADA.
    Acho q ao ver de novo você vai perceber os incríveis defeitos técnicos do filme e a obviedade da história: elitista, machista e quase misogina (as únicas mulheres que o personagem principal considera são as filhas).

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  8. Bom, aí já parte pro subjetivo. Eu acho vidinha interessante. Quase todos meus filmes favoritos são sobre vidinha. Acho bem mais interessante que guerras, explosões, aliens, e tal. Acho mais fácil de se identificar e se transportar pro universo do filme. Histórias sobre pessoas comuns, que poderia ter acontecido conosco, com @ vizinh@, amig@, conhecid@, etc.

    Mas cá entre nós, descobrir o adultério e planos de uma outra vida futura de um cônjuge em estado terminal e ainda ter que lidar com heranças multimilionárias, a vida já não passa a ser tão vidinha assim.

    Pelo que você descreve, parece uma novela do Manoel Carlos (aquelas com seus títulos cafonas e muita bossa nova de fundo), e se eu tivesse tido essa mesma percepção, teria odiado também.

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  9. há muito tempo eu não vejo novelas, mas pelo que falam das novelas do manoel carlos, acho q é por ai. Tire a bossa nova e coloque músicas havaianas no lugar e pronto!

    vidinha pode ser interessante tema para filme, mas esta eu achei elitista, egoista e machista. ñ gostei mesmo. Além disso, mal filmado e com elenco ou muito ruim ou mal dirigido.

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  10. Se acha história de vidinha bem mais interessante, como pode despeitar "Como era verde meu vale", ficando ao lado da crítica ao qual mostraste sua indiferença?

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  11. Anônimo, não despeitei de Como Era Verde... E Como Era Verde... ganhou os prêmios e todos os floreios de críticos da época. Mas não durou 10 anos tudo isso. Cidadão Kane, hoje, com o passar do tempo, provou ser um filme muito mais importante.
    E porque gosto de um gênero, não sou obrigado a gostar de todos os filmes dentro dele.

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  12. Eu devo ser um dos últimos mortais que tem "Como era verde o meu vale" superior ao cidadão. Importância pode ser medida pelas inovações, mas gosto realmente é algo muito pessoal e os melhores são sempre relativos. Não há medida, e tudo depende de sentimentos e emoções, que creio, sempre estarão à frente de critérios técnicos, até porque sua medição é impossível. Também prefiro Crash à Brokeback!

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