sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Crítica Millennium - Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

Você Não Soube Me Amar

Millennium - Os Homens Que Não Amavam as Mulheres // The Girl With The Dragon Tattoo


Nota: 6,0


A mania que os estúdios americanos têm de refazer as obras só para agradar seu público (e a si mesmos), que não gosta de ler legendas, é algo de uma petulância ímpar. O único caso em que a fórmula deu certo foi Os Infiltrados, porque adaptaram tudo à uma realidade mais ou menos semelhante a deles. Transpuseram a idéia central para Boston, e transformaram a máfia chinesa em gângsteres irlandeses, etc. Ou seja, transformaram uma idéia. Houve um processo de criação em cima da obra original. Mas aqui refilmaram tudo da mesma maneira que é no livro e no filme original. Mesmas locações, etc. Tudo bem que na Suécia todo mundo fala inglês, mas eu D-U-V-I-D-O que eles falem inglês entre si. Então colocaram todo mundo (até os atores americanos) fazendo um sotaque nórdico, que eu nem sei se está, por falta de referência e familiaridade, mas arrisco que deve ser bem no nível de Javier Bardem se passando por brasileiro em Comer, Rezar e Amar.

Pra você que não sabe, a história é sobre um jornalista, aqui feito pelo 007 Daniel Craig, que é contratado por um senhor idoso, o Christopher Plummer, para descobrir o paradeiro da sua sobrinha preferida, que sumiu há mais de 40 anos. Para tal tarefa, ele acaba recrutando a ajuda de uma hacker gótica e anti-social, a semi-novata Rooney Mara, que é expert em descobrir informações sigilosas e burlar/violar formas de segurança.

Por que não trouxeram a história para Nova York, Chicago, Filadélfia? Lisbeth Salander poderia ter virado uma Elisabeth Sanders, ou algo do tipo. Fica tudo tão forçado e fake, como aquele monte de chinês da dinastia Frango Xadrez falando inglês em O Último Imperador, do Bertolucci. Como o Brasil está em ascensão, capaz de virem filmar aqui. Oh wait! Já fizeram isso em O Beijo da Mulher Aranha...

Uma das principais falhas do filme, fora as que eu já citei, foi cortar justamente a melhor cena da versão original, lá perto do fim, depois que ela e o jornalista desvendam e discutem entre si o mistério, que explica muito da enigmática Salander. Sem ela, nesse aqui, a famosa – e controversa – cena do estupro fica puramente gratuita, sem qualquer sentido. Outro erro foi esse cartaz de divulgação misógino e, também, gratuito, que nada tem a ver com a história. Também não gostei do desfecho entre os dois protagonistas.

Como nada é tão ruim assim, a fotografia e montagem do filme ficaram muito boas. Os créditos iniciais ao som de (um cover de) Immigrant Song do Led Zeppelin até prometiam, mas ficou só na promessa mesmo. Com a falta de liga de todo o resto, a qualidade dos dois setores acabou por transformar o filme num mega-videoclipe com belas tomadas e imagens, e pouco conteúdo pra mostrar. Por isso não entendi a indicação da Rooney Mara ao Oscar. Achei desrespeitoso demais com a produção sueca essa jogação de confete pra um remake, principalmente levando em consideração que não foi trazido algo de diferente que acrescentasse ou distanciasse as duas obras. A caracterização física ficou mais chocante, mas em todo o resto ela fica muito aquém à Noomi Rapace. É só Hollywood cultuando seu próprio umbigo.

Faltou profundidade. No fim das contas eu já achava que estava assistindo uma candidata à America’s Next Top Model fazendo caras e bocas para um daqueles ensaios fotográficos (excelentes) que elas fazem. A cena do assalto na escada rolante, então, parecia coreografada (e é mesmo), mas pra se colocar em videoclipe de desfile de uma Fashion Week da vida. Não é à toa que foi o diretor David Fincher que dirigiu Freedom 90 do George Michael, um dos meus videoclipes favoritos, diga-se de passagem.


Obs: Numa nota a parte, já partindo pro lado pessoal, o filme me fez constatar como minha memória funciona, além de toda a minha futilidade e serventia como fonte de cultura inútil, quando eu reconheci a terceira colocada do Miss Universo há 14 anos atrás fazendo figuração como repórter numa tela de TV. Fui pesquisar no IMDB e não é que era ela mesmo?

4 comentários:

  1. eu nao lembro desse assalto na escada rolante acho que dormi nessa parte.

    Eu detestei esse filme!!!!!!!

    Forçadamente Violento e chocante, nao me agradou.

    Muita coisa ficou sem resposta, me irritei tambem por esse motivo!

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  2. Recomendo que você veja a versão original sueca. É mais autêntica e faz mais sentido.

    Mas o filme não é tão sem respostas assim. Acho que você achou desinteressante/irritante e acabou perdendo o fio da meada.

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  3. pode ser mesmo!
    vou pedir pra maurio baixar a versão original pra mim.

    Por falar em baixar, você já viu o filme " O Suspeito" com aquele bonitinho de white collar e a legalmente loira reese naoseioquespoon? Vi a propaganda na warner, e fiquei com vontade de baixar! presta?

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  4. Vi não. Mas esse filme não é com o Jake Gyllenhaal? Não vi não, Bia. Mas pretendo.

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