sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Crítica Cavalo de Guerra

Sem Destino

Cavalo de Guerra // War Horse

Nota: 8,5

Depois de muito esperar, finalmente conseguir ver esse filme. Minha expectativa, na verdade, era porque a sua adaptação teatral, feita na Broadway, foi muito elogiada e ganhou diversos prêmios. Já o filme eu imaginava que seria um tanto mais clichê. Mas até me surpreendi e gostei mais do que esperava. Achei emocionante. Mas eu sabia o tempo inteiro que estava sendo manipulado para tal. E normalmente essa não é a melhor maneira de se arrancar sensações da platéia, apesar de ser uma tática eficaz. Taí Titanic que não me deixa mentir. James Cameron até tentou repetir a dose com Avatar, mas não rolou... Mas ainda assim conseguiu bater seus recordes de bilheteria. Já Spielberg tem uma filmografia bem mais vasta e mais cultuada que Cameron. E ainda assim eles são tão parecidos.

Bom, a história é bem simples. Um cavalo nasce na Inglaterra, é separado da mãe, comprado por um roceiro pobre, que vive em conflito com o dono da terra que ele aluga, e treinado pelo seu filho. Mas a Inglaterra entra em guerra (a Primeira Guerra, no caso) e, precisando da bufunfa, o velhote vende o cavalo para o exército, muito a contragosto do filho. Então começamos a acompanhar a saga do cavalo nos anos de guerra.

Deu pra se tirar (reforçar, na verdade) diversas conclusões pessoais com esse filme: 1) A guerra é uma merda; 2) A humanidade é muito burra ou muito cínica. Aposto mais na segunda hipótese. Milênios de civilização e nada se tira de lição depois de tantas guerras. Na verdade, as guerras trazem outros desdobramentos pouco claros, como no caso dos endêmicos conflitos armados americanos atuais, onde há um impulso na economia. Mas essas conseqüências “vantajosas” vêm a troco de quê? Dor, sofrimento, destruição, perdas? Em qual mente doentia isso vale a pena mesmo? De quase todos governantes, pelo jeito; 3) Depois de 1 e 2, eu só posso concluir que cada dia que passa gosto mais dos bichos. 4) Spielberg é piegas. Pelo menos não tinha ET na história e nem holocausto dessa vez.

Enfim, pra começar, só de colocar um cavalo como protagonista no filme já é bem apelativo e manipulativo por si só. O filme também abusa de cenas excessivamente melodramáticas, com câmera lenta, música incidental exagerada, etc. Ou seja, a escola Spielberg de fazer blocksbuster. Tudo mastigadinho, não dá nem o trabalho ao publico de interpretar e se identificar sozinho. Ele próprio já lhe diz como se sentir automaticamente. Às vezes, algumas cenas chegam a ser longas demais para imergir o público na situação. Uma cena de combate no meio da terra de ninguém chega a ser desnecessária de tão longa.

E como de praxe, os filmes do Spielberg jogam toda a responsabilidade dramática para a direção, edição, fotografia, música, efeitos especiais, e até pro assistente de produção que trazia o Starbucks do intervalo, menos para o elenco. Os atores não têm grandes momentos, e qualquer outro ali não faria diferença. Poderiam ter contratado um grupo de amadores que daria na mesma. Talvez por isso o único nome mais reconhecível no elenco é o da Emily Watson, que colecionou algumas indicações ao Oscar nos anos 90. Tem também o alemão David Kross, que fez o Ralph Fiennes jovem em O Leitor. O novato Jeremy Irvine, o rapaz que faz o dono que criou o cavalo é meio canastrão e recebeu diversas críticas, mas eu culpo mais a direção, pra ser sincero.

Outro ponto baixo do filme é todo estrangeiro falar inglês. Franceses, alemães, et al. Colocam até um sotaque pra disfarçar, mas não rola... Spielberg, Tarantino mandou lembrança! Saudade de Bastardos Inglórios... O final, apesar de muito previsível (tanto que a gente fica na expectativa, em vão, de que outra coisa possa acontecer), tem uma fotografia belíssima, poética, no crepúsculo... oh, wait! Mas será que não ficou praticamente um revival de E o Vento Levou? Dá chamar de homenagem, produção? Só faltou a trilha do Max Steiner. Mas tem a genérica do John Williams. Será que serve?

4 comentários:

  1. estou até cogitando ver o filme - o abominava sem ver, mas amoleci lendo o que escreveu. Bj

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  2. vitor foi legal vai!!! Pra eu ter gostado de um filme que as pessoas nao tomam banho e o protagonista e um cavalo, é pq ele era cativante!!!

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  3. Mas temos de convir que toda essa cativação é puramente manipulada pela pieguice da direção, né?

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  4. Não concordo com tudo o que diz, mas acho justa a nota. É um filme muito bom!

    Tenho que escrever a crítica um dia destes.

    Abraço,
    Roberto Simões
    CINEROAD

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