terça-feira, 1 de março de 2011

Seção CINEMA // Oscar 2011

A proposta era ser jovem e “cool”. Até contrataram Anne Hathaway e James Franco como apresentadores. Sinceramente? Ficou igual a todo ano... Ainda mais quando colocam Celine Dion cantando Smile pros defuntos e aquele coral infantil com Over The Rainbow no fim. O Discurso do Rei levando melhor filme. Um tal de Tom Hooper ganhando melhor diretor, que eu duvido muito que algum dia vai ser um David Fincher, Christopher Nolan ou Darren Aronofsky, isso só pra citar alguns dos jovens e promissores diretores, e, coincidentemente, todos esnobados esse ano. Enfim, o Oscar todo ano promete, mas nunca consegue sair do mais do mesmo.

Começaram com uma montagem rápida dos indicados a melhor filme, ao som do Lago dos Cisnes de Tchaikovsky (tema de Cisne Negro) e depois reinventaram aquele velho passeio dos apresentadores pelos filmes indicados, que Billy Crystal fazia todos os anos. Dessa vez usaram a idéia central de A Origem para fazer o curta. Aí no final meteram De Volta Pro Futuro, que eu adoro, mas que não tinha nada a ver com a história do Brasil. A idéia lembrou um pouco a excelente abertura do Emmy, mas faltou a mesma animação. Não ficou tão divertido...

Achei o palco bonito, sóbrio, simples, discreto. Anne trocou mais de roupa que Ivete Sangalo troca de piada ensaiada. Logo inventaram uma coisa desnecessária de fazer o palco mudar pra homenagear filmes clássicos. Talvez a idéia funcionasse se o fizessem sem anunciar, fosse algo que mudasse de bloco para bloco automaticamente. Mas não vou mentir que me arrepiou quando a trilha de James Horner em Titanic tocou. Tudo bem que a febre exagerada fez o filme enjoar um mês depois de estrear no cinema, mas o tempo tá provando que ele realmente é um clássico, mesmo com suas inúmeras falhas. E qual filme não as tem?

Aí entra Kirk Douglas, gagá, pagando de véio-tarado (que não sei por que acham a idéia engraçada, quando na verdade só é patética com o pobre velho), falando fofo, e ninguém decifrava o que ele balbuciava. Devia ter uma tela com as legendas passando no palco pra platéia poder entender. Aí, depois de o velhote enrolar uns 3 minutos pra anunciar, veio o primeiro resultado pra desanimar noite, a nojo da Melissa Leo vencendo, com sua falsa humildade, depois de falar mal de todas as indicadas.

Melissa estava tão desesperada para criar um daqueles momentos memoráveis das festas do Oscar, e ser lembrada, que na verdade só exagerou na emoção forçada e ensaiada (como ela fez em todas as outras premiações, e não sei como algum votante ainda tinha estômago de votar nela e ver a patacoada se repetindo de novo). Na verdade ela vai sim ser lembrada. Pelo ridículo. Vergonha alheia total. Alguém aposta quanto como ela vai ser a nova Benigni, desprezada por Hollywood? Deviam ter tomado o Oscar de volta depois do “espetáculo” canastrão. Numa nota a parte, Hailee Steinfeld estava linda demais. Vai ser uma das futuras sex symbols, muito provavelmente.

Interessante como ambos os coadjuvantes do ano passado não se fizeram presentes esse ano. Então colocaram o gagá do Kirk e a Reese-Legalmente-Loira para entregar os prêmios. Depois do oba-oba do Kirk com a Melissa, Reese entra linda e fina (talvez a mais bela da noite) para premiar o Christian Bale. Adoro o Christian, mas o filme (o mesmo da Melissa) é uma novela mexicana disfarçada. Minha torcida era toda do Geoffrey Rush, a única coisa premiável (na minha opinião) de O Discurso do Rei (que cada dia gosto menos).

O Christian disse uma coisa muito bonita: Há tantos e tantos filmes brilhantes por aí, e ninguém os conhece. Eu não acredito em verdades absolutas, mas se elas de fato existem, essa é uma delas. E as causas disso devem ser refletidas, e a Academia deveria se abrir mais e se desvencilhar das manobras de marketing dos estúdios, que fazem o público engolir tanta porcaria comercial rotulada como obra-prima. Mas evidente que a Academia também deve ganhar algo como esse jogo de grandes...

Pra mim os melhores momentos desses eventos sempre vêm acompanhados de música, como quando lembram trilhas famosas de filmes clássicos, ou em medleys interessantes como fizeram em 2000, com Garth Brooks, Faith Hill, Queen Latifah, Dionne Warwick, Ray Charles, et al. Música sempre anima. Pensando nisso, deveriam escolher melhor os indicados a canção. Faz tempo que na lista só entra desastre. Esse ano dividiram em dois blocos: primeiro as dos desenhos, Enrolados (do Alan Menken, que faz quase tudo da Disney) e Toy Story 3 (do Randy Newman), ambas ótimas e apresentados por Kevin Spacey, que não tem closet no mundo que o caiba...

Depois as de Country Strong, cantada pela Gwyneth (credo...) e 127 Horas, ambas péssimas e sonolentas, apresentadas pela, agora magérrima, Jennifer Hudson, que colocaram na cabeça que merece todo prêmio que existe no mundo, quando na verdade ela é tão fraca que nem o teleprompter ela sabe ler direito. Ganhou a de Toy Story, a única animadinha, com um discurso bonitinho do Randy Newman, assim como suas canções.

Ano passado a primeira mulher ganhou por direção, e esse ano colocaram-na para dividir o palco com a Hillary Swank. Vamos lá, todos juntos numa só voz:

Oi?!


Por que não deixaram a Kathryn Bigelow entrar sozinha no palco? Tinha necessidade da Hillary ali? Foi só pra nos lembrar que ela tem dois Oscars, mas Annette Benning, Michelle Pfeiffer, Helena Bonham Carter, Mia Farrow, Lauren Bacall, entre tantas outras divas não têm nenhum? E pra coroar o momento recordações, Tom Hooper vence... E lembramos que Hitchcock, Kubrick, Welles, e até George Lucas, nunca ganharam também.

O Oscar prova novamente o quão conservador eles são, principalmente com os prêmios de roteiro, que são sempre como se começa um grande projeto, já que os deram para os filmes mais “velha-guarda” indicados: adaptado para A Rede Social e original para O Discurso do Rei, esnobando toda a inventividade e criatividade de A Origem e do Christopher Nolan. Isso sem contar que praticamente todos os resultados foram totalmente previsíveis e sem emoção alguma. Já pensou Toy Story, Cisne Negro ou A Origem ganhando? Ia ser surpresa total e agradaria ao público, com certeza.

Muito se falou do James Franco como mau apresentador, e como a Anne Hathaway estava esforçada para apresentar bem o evento, mas cá entre nós, não tinha Chaplin que salvasse com um roteiro tão apático e sem criatividade como aquele. Acho que só Silvio Santos dançando Hot Hot Hot animava aquilo lá. Anne pelo jeito vestiu a camisa e se jogou, fez o que pode, mas algo de errado de fato acontecia com o James, que pelo jeito nós nunca saberemos. Eu no lugar dele ficaria desanimado de apresentar um Oscar com aquele script tão ruim, o que claramente transpareceria na performance.

O que falta à festa é música, animação, momentos nostálgicos realmente bem feitos, como foi feito muito rapidamente com os vídeos sobre as canções vencedoras do Oscar (podia ter durado uns 10 minutos, eu ia adorar), e quando transformaram alguns filmes, como Harry Potter e Crepúsculo, em musicais. Mas na maior parte do tempo investiram em riso fácil, como James Franco vestido de Marilyn (ver foto mais acima). Ou seja, melhor roteiro para o evento urgente! Importem do Emmy ou do Tony. Eles fazem bem melhor.

4 comentários:

  1. A melhor coisa do Oscar, IMHO, é poder comentar contigo todo ano, ahahah. Vi, o post ficou hilário (mas tadinho do Kirk Douglas, poxa, pegasse pesado). Eu acho que o Emmy ficou melhor pq as produções televisavas estão milhões de vezes melhores que a festa do Oscar. Realemente foi triste e um mico, tanto pra apresentadora esforçada quanto pro entojadinho (pero lindo).
    beijos,
    D

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  2. correções eternas de uma mente obnubilada.

    1 - as produções para tv estão melhores que o cinemão americano.
    2 - Realmente, né. Realemente ficou engraçado.
    beijos

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  3. Adorei a crítica. Só gostaria q vc comentasse tbm a premiação da Natalie e do Colin Firth...

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  4. Ahahaha! Olha, Natalie Portman foi muito merecido, mas minha favorita era Nicole Kidman. Adoro as duas. Pra mim Natalie ja devia ter ganho por Closer alguns anos atras. Ja o Colin deveria ter vencido ano passado, quando ele tava perfeito em Direito de Amor (titulo podre), esse ano foi mais por consolacao. Mas mesmo assim ele nao tinha concorrencia. Era ele ou ele. Talvez o Javier Barden fosse no mesmo nivel, mas num filme em espanhol. Ninguem em Hollywood viu...

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