terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Seção CINEMA // Crítica Sex And The City 2

Ricos, Bonitos e Infiéis

Sex And The City 2

Nota: 5,0


Esse ano eu decidi assistir vários seriados de TV completos, e Sex and The City estava entre eles. E devo confessar que gostei muito dele. Tirando a parte da Sonia Braga... E também começa melhor do que termina, temos que concordar. Mas os filmes são muito, muito fracos. O primeiro já foi um fiasco, e eu não entendi bem o porquê de fazê-lo. Muito menos de se fazer uma seqüência. Eu só decidi ver agora que acabaram de sair as indicações ao Framboesa de Ouro, e ele está lá entre os principais concorrentes, e aí a curiosidade bateu forte. O seriado tinha conflitos, mas o filme é pura ostentação. Admiração da riqueza. Aposto que foi caríssimo, porque em cada cena há um novo cenário que parece ter custado horrores. Cada close é uma grife, um sapato, uns óculos, uma blusa, um lenço Hermès voando. Além dos salários milionários das dondocas, que praticamente vivem do que rende o seriado ainda, porque nunca mais fizeram algo de relevante, com exceção da breve passagem da Cynthia Nixon pela Broadway, em Rabbit Hole, que Nicole Kidman acabou de adaptar no cinema.

Dessa vez tem uma viagem para o exótico oriente. E quando se chega lá, qual a primeira coisa que se faz? Ir para uma feira gastar. Com uma blusa fazendo propaganda do perfume J’Adore da Dior. Aquele que a Charlize Theron era garota propaganda. Lá a Carrie compra sapatos e dá de cara com o Aidan, aquele ex que ela nunca deveria ter largado, e como castigo terminou com o chauvinista do Big, que agora tem até nome, é John James Preston.

Charlotte continua insuportável como sempre, passando o filme inteiro resmungando de ciúme do marido feioso com a babá. Miranda não tem conflito nenhum, só passeia pela trama. Samantha tá na menopausa, e seus hormônios são confiscados na alfândega, mas ainda assim nenhuma piada engraçada saiu da situação. E Carrie lida com a dificuldade de manter o casamento “jovem”. Acho que ela já devia ter dado uma olhada ao redor e ver que essa é uma batalha meio perdida.

Os momentos realmente engraçados do filme ficam mesmo com a Samantha. Sempre ela. Lógico que uma pessoa sexualmente expansiva como ela jamais poderia se manter longe de problemas no oriente médio. Carrie continua sendo pintada como uma mulher diferente, como o Aidan não cansa de dizer. Diferente do quê? É só mais uma na multidão totalmente manipulada pelo capitalismo, que faz de um tudo por um sapato novo.

Ainda tentaram disfarçar o vazio da ostentação com uma cena ou outra com uma discussão que poderia vir a ser interessante, como quando Charlotte e Miranda relatam que ser mãe não completa a vida de ninguém, ou as indiretas sobre as mulheres terem que aderir ao sobrenome do marido ao casarem, mas esses não são os momentos que farão ninguém se lembrar do filme.

Até o casamento gay é visto puramente do ponto visto materialista, com uma festa caríssima, com todo o catálogo de modelos masculinos de NY enfeitando o ambiente, cantores da Broadway fazendo coral, riacho, cisnes, e até Liza Minelli de juiz de paz. A pobre da Liza ainda paga mico depois fazendo cover da Beyoncé. Aí eu já tava esperando Cher entrar ecoando If I Could Turn Back Time ou Barbra com Don’t Rain On My Parade, mas só veio a Penélope Cruz mesmo fazendo uma pontinha. Depois a Hannah Montana.

Tem alguns daqueles momentos Samantha, em que homens são objetificados, como na cena do time de rúgbi australiano na piscina, o que não deixa de ser um avanço da igualdade entre os gêneros, porque normalmente seriam cheerleaders bem serelepes seduzindo, já que essa é a norma aceita pela sociedade, mas ainda assim o resultado fica muito mais homoerótico do que um momento de fantasia feminina.

Em resumo, Abu Dhabi ficou mais como um destino para aquela coisa America’s Next Top Model, de como vender grife em ambientes remotos, introduzir o fashion no diferente (na verdade, como adaptar o diferente no modelo pré-existente de fashion), e colocar muita música de dança do ventre de fundo. Ir passear no meio do deserto e armar uma tenda, cheia de almofadas caríssimas, e tomar champanhe e comer macaroons. Faltou Tyra Banks coordenando aqueles ensaios fotográficos pra uma modelo ficar linda vendendo maquiagem em cima de um elefante na selva, ou fazendo pose em um camelo na areia movediça. Só no finzinho que eles colocam um pouco do choque cultural, para, obviamente, mostrar como é melhor viver na América.

3 comentários:

  1. Apesar de amarrrrrr de paixão o seriado sex and the city, tenho que concordar com vitor. O filme deixa muito a desejar, na verdade faz os fãs de sex and the city se sentirem futeis. Tipo: Gastei 6 anos da minha vida acompanhando elas pra acabar assim? nao ne? sera q eu era futil e nao me tocava? kkkkkkkk. Calma fãs, somos normais! Apaixonados pelo sentimentalismo e conflitos amorosos do seriado, e só um pouquinho pelos sapatos.

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  2. concordo com a Bia. só fizeram o filme por dinheiro. não havia mais nada a acrescentar ali. (a não ser que ela fizesse justiça e largasse o Big pelo Aidan, né?). Muah!

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  3. É uma serie muito boa com muitos temas, drama, comédia, moda e muito mais. Desta vez vamos ver a Sarah Jessica Parker em uma personagem muito diferente, aqui ele vai jogar uma mulher chamada Frances Frances casou vida com dois filhos, no entanto, acompanhar processo difícil e longo de divórcio., eu acho que vai ser uma proposta interessante e divertido.

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