sábado, 31 de julho de 2010

Seção CINEMA // O melhores (que vi) da década

E terminou mais uma década e muitos filmes foram feitos, artistas surgiram, outros foram consagrados, outros nos deixaram, assim como tudo na vida. Então resolvi fazer uma daquelas listas de melhores. Mas como todo mundo coloca em ordem, eu não consigo escolher dessa forma. Nem reduzir tanta coisa a apenas 10, 15 ou 20 produções. Então separei por categorias e destaquei os melhores filmes, apenas os que eu vi (lógico!) e que mais me marcaram. Algumas delas terão menções honrosas, filmes que são bons, mas que não marcaram tanto ou poderiam ser bem melhores.

Alguns dos filmes eu já comentei, e coloquei os links dos textos, é só clicar no nome. E pra ver os cartazes maiores, é só clicar na imagem que ela amplia.

Vamos as listas:


Pipoca


O Cavaleiro das Trevas – disparado o melhor filme de super-herói.
O Grande Truque – mágica nunca foi tão interessante.
O Curioso Caso de Benjamin Button – a mais bela fábula sobre a luta inútil contra o tempo.
Alta Freqüência – bem besta, mas pra acompanhar a pipoca é perfeito.
Peixe Grande – Padrão Tim Burton de Qualidade. O melhor dele na década pra mim.
Os Outros – O melhor filme sobre o sobrenatural, disparado.
Celular – outro que eu não esperava nada, mas é ótimo pra desligar o cérebro e comer porcaria.
Os Infiltrados – Policial de primeira qualidade. Envolvente e eletrizante. Outro remake.
A Intérprete - Nicole, Sean and Sydney Pollack. Meio caminho andado pra dar certo.
Marcas da Violência – Ótimo e muito mal repercutido.
Senhores do Crime – Ótimo e muito mal repercutido. Viggo Mortensen fez dois grandes filmes (esse e o de cima), mas vai ser lembrado por causa daquela porcaria do anel...
Match Point – Até fugindo da comédia Woody Allen se supera.
Intrigas de Estado – apesar do fim covarde, um ótimo filme de investigação.
Kill Bill – Os dois filmes. Ainda acho menores que Jackie Brown, mas são muito divertidos e visualmente irretocáveis.
Avatar – o roteiro é o clichê do clichê, mas é visualmente inovador. Algo parecido com o que Matrix fez há 10 anos atrás, só que Matrix era mais cabeça, porém menos socialmente engajado.
Slumdog Millionaire – Criei abuso, devido ao puxa-saquismo exagerado. Supervalorizado. Quiseram tornar um filme bom em algo muito maior do que ele realmente é. E merece ser. Mesmo se não tivesse sido tão festejado, eu ainda o teria incluso, mas com muito menos dissabor.


Risos


Quase Famosos – envolvente do primeiro ao último segundo. Milimetricamente perfeito. Em um ano onde só tinha filme ruim concorrendo a melhor filme, esse com certeza merecia ter sido lembrado. Pelo menos levou o Globo de Ouro.
Regras da Atração
– Ácido, audaz. Pra poucos.
Prenda-Me Se For Capaz – Não sei até que ponto é verdadeiro, mas não deixa de ser fantástico e engraçado. Nos faz torcer pelo “herói” bandido.
O Diário de Bridget Jones – A comédia romântica da década. Nesse quesito, os britânicos dão um banho nos americanos.
O Diabo Veste Prada – Tudo que Prêt-à-Porter deveria ter sido e não foi.
Escola do Rock – até Jack Black ficou digerível.
Kate & Leopold – Hugh e Meg perfeitos. A melhor coisa que a Meg fez desde os filmes com o Tom Hanks nos anos 90.
Meninas Malvadas – Tina Fey é uma ótima roteirista, tanto que desfruta de total sucesso na TV americana, e fez um ótimo filme teen, mas o enredo se perde feio no terço final.
Queime Depois de Ler – O melhor dos irmãos Coen na década. Inferior a Fargo, mas bem melhor que Onde Os Fracos Não Têm Vez.

Menções Honrosas: Tudo Pode Dar Certo, Scoop, Sem Reservas, Aconteceu em Woodstock, Vestida Pra Casar, Ele Não Está Tão Afim de Você, Encantada, Pagando Bem que Mal Tem.


Indigestos


Closer
– Ousado, cínico e totalmente despudorado. O melhor filme sobre relacionamentos da década. Já vi e revi 300 vezes. Clive e Natalie mereciam o Oscar.
As Horas – dramas e melodramas. Adoro.
Réquiem Por Um Sonho – Denso, caótico, perturbador. Como que alguém diz que Julia Roberts é melhor que Ellen Burstyn?
21 Gramas – No limite, mas na dose certa. Atuações fantásticas.
Dúvida – Diálogos de tirar o fôlego.
Foi Apenas Um Sonho – O destino do casal de Titanic se não houvesse o naufrágio. Felizmente havia um iceberg no meio do caminho pra deixar tudo cor-de-rosa.
Pecados Íntimos – Natureza humana vista com microscópio. Moralista, porém muito bom.
Dogville – Lento, arrastado, interminável e irresistível. Amo o final.
Desejo e Reparação – Tudo o que poderia ter sido e não foi. O melhor de 2007.
Mulholland Drive – Aborrece por não ser um filme claro, mas acho que esse é o intuito. Tire suas próprias conclusões.
Estrada Para Perdição – Gosto muito do diretor Sam Mendes e o elenco é soberbo também. Preciso rever.
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças – Charlie Kauffman e sua loucura no seu estado áureo.

Menções honrosas: O Casamento de Rachel, A Single Man, A Troca, Extermínio, Por Um Sentido Na Vida, O Leitor, Babel, Amores Brutos.


Meigos


Uma Lição de Amor
– Piegas, manipulador e adorável.
Cold Mountain – Adoro tudo que Anthony Minghella fez, e esse não é exceção.
Pieces of April – A melhor coisa que Katie Holmes fez antes de jogar a carreira fora.
Querido Frankie – Lindo, singelo e encantador. Com um final que Hollywood jamais aprovaria, mas na Europa eles ousam fazer.
Johnny e June – Clichê, mas ótimo. James Mangold sempre me agrada.
Orgulho e Preconceito Jane Austen muito bem mostrada nas telas. Brenda Blethyn merecia ser indicada a prêmios (só foi lembrada no Bafta).
Em Seu Lugar – Vendido como comédia, mas é muito mais (e melhor) do que aparenta.
Uma Canção de Amor Para Bobby Long – Scarlet Johansson às vezes acerta. John Travolta também.
Um Grande Garoto – Sempre tive um fraco pelos outsiders. Talvez por excesso de identificação...
4 Amigas e Um Jeans Viajante – O melhor drama-teen-filme-de-menina da década.
I Dreamed of Africa – Os críticos não gostaram, mas eu sim.
Longe Dela – Tocante. Julie Christie soberba.
Elizabethtown – Ninguém faz filmes leves, porém com substância, como o Cameron Crowe. A gente até abstrai o Orlando Bloom.
Em Busca da Terra do Nunca – Aparentemente endeusa um homem que de santo não tinha nada, mas o que se vê na tela é bem legal.
Marley e Eu - Filme de criança e animais são sempre covardia...
Julie & Julia – Meryl Streep mostrando mais uma vez porque é a melhor atriz de Hollywood.


Off-Hollywood


O Fabuloso Destino de Amelie Poulain – Mágico. Sublime.
Fale Com Ela – Almodóvar no seu auge.
Frida – é Hollywood, mas não é. Tem altos e baixos, mas é bem acima da média.
Nowhere In Africa – belo filme alemão que vi na TV a cabo de madrugada. Preciso rever.
Maria Cheia de Graça – Meio supervalorizado, mas tem suas qualidades. Eu gostei muito, mas aparentemente menos do que os críticos.
Lês Choristes (A Voz do Coração) – Histórias de crianças já são meio caminho andado pra emocionar. Um coral de meninos órfãos então...
Piaf – Marion Cotillard se tornando estrela de Hollywood. E mostrando Edith Piaf ao mundo.
Once – Simples e encantador. Mesmo com todas suas falhas e defeitos, que só dão mais charme.
Cidade de Deus – Dizem ser O Poderoso Chefão das favelas. Não sei. Só sei que é um dos melhores filmes brasileiros que eu já vi. Só perde pra Central do Brasil.
Abril Despedaçado – Rodrigo Santoro fazendo tudo que Hollywood ainda não lhe deu oportunidade.
Terra de Ninguém – Surpreendente. Surpreendeu e levou o Oscar também. Mas melhor que Amelie não é jamais. Deve ser porque americano é chegado numa guerra...
Partidas – Não sou fã de cinema oriental, principalmente por discordar dos valores deles, mas a história desse é linda. A trilha sonora merecia Oscar.



Coloridos


Billy Elliot – uma lição de humanidade. Perfeito desde a trilha sonora, roteiro até as interpretações.
Transamérica – deveriam passar nas escolas. Uma aula de respeito ao próximo.
Milk – Todo mundo precisa de exemplos pra se espelhar.
Kinsey – Nem é um filme GLBT na verdade, mas trata sobre o comportamento sexual do homem como um todo.
Correndo com Tesouras – outro que também não é exatamente GLBT, mas o seu protagonista é, o que é tratado de uma forma absolutamente natural, considerando a adorável bizarrice que a trama está envolta.
Tempestade de Verão – um toque alemão pra um tema mais do que universal.
The Mudge Boy – Se existir fase pior na vida que a adolescência, eu desconheço. Nada é pior que a auto-descoberta e a necessidade de se encaixar, quando não se é “igual aos demais”.
Shelter – Romance independente, que chamou atenção em festivais de cinema e ganhou um título brasileiro péssimo, como sempre.
Brokeback Mountain – Talvez o principal filme da década, por toda sua ousadia, todos os tabus que quebrou, todas as suas conquistas, mas que a hipocrisia do Oscar não reconheceu.


Sing! Sing! Sing!


Chicago – O melhor musical desde Hair e Cabaré. Junto com Moulin Rouge (que é um saco), trouxeram o gênero de volta.
Hairspray – Apesar da enxurrada de musicais na década, poucos foram realmente bons. Só pra listar os principais: Moulin Rouge, Dreamgirls, Sweeney Todd, Rent, Across the Universe, The Producers, Mamma Mia. E essa adaptação de uma adaptação do filme Hairspray de John Waters acertou em cheio. E merecia mais reconhecimento nas premiações.
Nine – Rob Marshall mostra que é o homem dos musicais na década. Elenco estelar, todos ótimos, exceto a Sophia Loren. O roteiro podia ser melhor. Foi totalmente ofuscado por Avatar na sua estréia.


Animados


Procurando Nemo
– Primoroso. Adoro as tartarugas.
Os Incríveis – Dá um banho na maioria dos filmes de super-heróis com pessoas reais. Roteiro sempre foi um forte da Pixar.
Wall-E – quase mudo, mas não precisa dizer nada pra emocionar. O final poderia ser melhor.
Ratatouille – A mensagem velha e batida de sempre, mas é cativante e de muito bom gosto.
Up! Altas Aventuras – Pixar sempre prima em belas imagens e roteiros engenhosos e criativos.
Shrek – A melhor forma de contar contos de fadas. O 1 e o 2 são ótimos. O terceiro não.
Noiva Cadáver – O famoso jeito macabro Tim Burton de ser encanta até em animações.


Pobres


11:14 – ninguém viu, mas é comédia de humor negro de primeira! Infelizmente, não é pra todos os gostos.
O Dia Perfeito – Segue a mesma linha de 11:14.
Loggerheads – outro que ninguém viu, e eu só conferi depois de muito tempo, mas não poderia deixar de fora.
Pequena Miss Sunshine – Adorável. Roubou a cena em 2006.
Heróis Imaginários – Adoro filmes de família. Esse merecia muito mais atenção do que recebeu.
The Door in the Floor – Não lembro do título em português, mas lembro de ter gostado muito.
Precious – repetindo o feito de Pequena Miss Sunshine, porém com um tema muito mais pesado. Nada de feel-good movie.
Heights – Prende totalmente a atenção e o final é surpreendente.



Com certeza devo ter esquecido alguns (vários) bons filmes, e não incluído ótimos filmes que eu não vi, mas assim que for lembrando e vendo, os incluirei como updates.




UPDATE (30/07/10): Retardatalhos!!!


A partir daqui, retardatalhos será a nova categoria, já que anexar com as de cima vai confundir tudo. Então eis os que eu pude ver ou esqueci de citar anteriormente:


Donnie Darko - Sombrio e enigmático.
Bastardos Inglórios - Logo um dos maiores filmes do ano passado e eu fui esquecer. Não gostei muito de primeira, mas cada dia gosto mais.
Evolução - Besta de morrer, mas rachei de rir.
Um Olhar do Paraíso - Poético e delicado, com um tema espinhoso.
Obrigado Por Fumar - Cínico e Sarcástico.
O Peso da Água - Esse eu não lembro muito, mas o pouco que lembro é ótimo.
C.R.A.Z.Y. - Anos 70, Canadá, rock and roll, francês...
O Silêncio de Melinda - Kristen Stewart no seu melhor até hoje.
O Preço de Uma Verdade - Quando a canastrice do Hayden Christensen nunca podia ser tão ideal.
Identidade - Instigante e divertido.
Vidas Que Se Cruzam - Charlize e Kim e seus dramas existenciais.
Terra Fria - Charlize no seu momento Norma Rae/Erin Brockovich.



A Princesa e o Sapo
- Apesar dos pesares, Disney faz parte da minha infância, e não tinha como não gostar desse também.
O Fantástico Sr. Raposo - Temas sérios com a leveza e o senso de humor das animações. Um híbrido que deu certo.
Minority Report - Do tempo que o Tom Cruise não era tão nojento, onde os efeitos especiais tinham algum conteúdo pra passar.
Simplesmente Amor - Quando Hollywood mostra sua incapacidade em fazer comédias românticas, os britânicos esnobam.
Angels in America - Brilhante adaptação de duas peças teatrais, que pode ser 1 filme de 6 horas, 2 filmes de 3 horas, ou uma minissérie de seis episódios de 1 hora. Uma das primeiras críticas que escrevi, ficou xexelenta. Deveria refazê-la...
O Terminal - Tom Hanks em um de seus raros bons momentos nessa década.
A Vida Íntima de Pippa Lee - Robin Wright nunca foi muito lembrada em Hollywood, mas aqui mostra porque é respeitada por muitos. Blake Lively mostrando que pode ser muito mais do que protagonista de seriado meia boca.
O Nevoeiro - Tudo que M. Night Shyamalan quis repetir depois de O Sexto Sentido e não conseguiu, Frank Darabond mostrou como se faz.
Mary e Max - A mesma explicação de O Sr. Raposo. Sentimentos sinceros são belos seja com pessoas ou belas animações.
Conta Comigo - Quando Laura Linney e Mark Ruffalo se colocaram no mapa.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Seção ALUCINÓGENOS // Como nascem os grandes

Maurio, amigo meu que tem este blog de esportes, me pediu um post sobre a nona conquista brasileira da Liga Mundial de Vôlei. Eis o resultado. Vocês também podem lê-lo lá e ficar sabendo mais sobre outros esportes!



Após a ter dominado totalmente a década anterior, onde a única grande final que perdeu foi a das Olimpíadas de Pequim em 2008, a seleção brasileira masculina de vôlei já começa a nova década ainda como a maior potência, vencendo a Liga Mundial 2010 na Argentina e se tornando novamente a maior favorita ao Mundial da Itália em setembro.

O vôlei brasileiro veio numa crescente desde os anos 60, quando era pouco popular e de pouca expressividade no cenário internacional. Nos anos 70 a equipe, que tinha como levantador o atual técnico da seleção feminina José Roberto Guimarães e o atual presidente do COB Carlos Arthur Nuzman, começou a incomodar mais e o esporte foi se popularizando também devido à exposição na mídia, principalmente pela TV Bandeirantes.

O resultado foi uma nova geração inovadora nos anos 80, liderada por William, Bernard, Renan, Xandó e Montanaro, sob o comando de Bebeto de Freitas, que inventaram jogadas diversas e os saques Jornada nas Estrelas e Viagem ao Fundo do Mar, o famoso saque viagem, hoje obrigatório no cenário internacional no masculino, e abocanhou dois vice-campeonatos, no Mundial de 82 e nas Olimpíadas de 84, ficando trás da União Soviética e EUA respectivamente. Bernardinho participou dessas conquistas, mas como eterno “esquenta-banco” do levantador William.



Com Zé Roberto já como técnico, a geração seguinte com Marcelo Negrão, Maurício, Carlão, Tande e Giovane, surpreendeu e conquistou a medalha de ouro em Barcelona 92, ensaiando o que só veríamos ocorrer nove anos depois, a partir da Liga Mundial de 2001, o total domínio brasileiro no cenário internacional. Essa geração de 92 durou pouco na seleção, ao contrário de jogadores de hoje como o Giba, que está no time desde 95. Vários se dispersaram, alguns continuaram, mas tirando a conquista da Liga Mundial de 93, não conseguiram manter o mesmo patamar de resultados.

A equipe que foi a Atlanta 96 já era bem diferente, e de cara sofreu derrotas pra times como Argentina e Bulgária, mas ainda assim conseguiu o quinto lugar, ficando de fora das semifinais ao perder pra Iugoslávia nas quartas de final, que começava a crescer internacionalmente, culminando com o ouro em Sydney, formando hoje o grande time que é a Sérvia.



Radamés Lattari assumiu o comando da seleção em 97 e promoveu total renovação na equipe. Manteve os jogadores jovens, como Nalbert e Giba, e trouxe novidades ao time, como Gustavo e os levantadores Marcelinho e Ricardinho (que de “inhos” só têm o nome), equipe essa que cresceu, quase venceu a poderosa Itália, do técnico brasileiro Bebeto de Freitas, na semifinal do mundial de 98, que foi marcada pela contusão de Giba no quarto set, o melhor jogador em quadra até então. Além disso, ficou em terceiro lugar nas Ligas Mundiais de 99 e 2000.

Na Olimpíada de 2000, com a pressão da mídia por bons resultados, Radamés foi forçado a mudar a equipe e trazer de volta jogadores como Maurício, Tande e Giovane, e se desfazer de outros como Joel, principal jogador na classificação brasileira aos jogos no pré-olímpico. A equipe passou bem pela primeira fase, até chegar as quartas de finais, e sob pressão, a falta de entrosamento ficar aparente deixando a equipe na dependência do novato Dante (feito que se repetiu quatro anos mais tarde na seleção feminina com Mari) perdendo as quartas de final para a Argentina, e piorando o resultado da olimpíada anterior, ficando em sexto lugar.

No ano seguinte Bernardinho deixa a seleção feminina e assume o comando da equipe masculina. Mantendo a base das renovações de Radamés, que havia crescido e mostrado bons resultados até a olimpíada, e trazendo mais novas revelações da Superliga como André Nascimento, Henrique e o líbero Sérgio Escadinha, e investindo numa equipe coesa unificando o nível dos atletas, sem aparentes jogadores titulares, a equipe chegou ao topo da Liga Mundial em 2001 e lá permanece até hoje.



Toda essa panorâmica é só pra ilustrar como essa equipe chegou a tantas vitórias na década de 2000, que definitivamente não foi do dia pra noite, como muitos imaginam e já que a história do esporte não é tão difundida pelos meios de comunicação, que normalmente privilegia o futebol, e os demais esportes são lembrados apenas em anos de olimpíadas.

De 2001 a 2010 muita coisa mudou. Daquele time apenas Giba e Dante permanecem. André Nascimento e Escadinha continuam como opções, mas ficaram de fora da Liga. A continuação desse nível se deve ao bom trabalho da confederação brasileira com as categorias de base, sempre descobrindo novos talentos, e por ter conseguido criar um centro de excelência em Saquarema (RJ), onde os atletas de todas as categorias podem ficar concentrados e treinar, estreitando laços e promovendo o melhor entrosamento entre eles.

Essa equipe que ainda não está no nível de maturidade que apresentou a que foi campeã olímpica em 2004 e mundial em 2002 e 2006, mas já mostra que tem o mesmo talento e poder de reação que a anterior, ao começar mal a fase final com uma vitória sofrida em cima da Argentina, última colocada da competição, e progredir vencendo em seguida a Sérvia, Cuba e Rússia num nível crescente de qualidade.

Desses jogadores novos, poucos eu conhecia previamente, já que não acompanho mais os jogos da Superliga por morar no exterior, e mesmo quando morava no Brasil os mesmos não eram exibidos em TV aberta como até o fim dos anos 90 quando a Band tinha os direitos de transmissão. Theo, Mario Jr., Lucas, entre outros, são completas novidades pra mim, e conseguiram manter o patamar do vôlei brasileiro no exterior, superando contusões e a ausência de Giba. Jogadores jovens que ainda têm muito a evoluir e certamente continuarão a nos trazer títulos futuramente.