quinta-feira, 17 de junho de 2010

Seção CINEMA // Crítica O Golpista do Ano


Crimes e Pecados


O Golpista do Ano // I Love You Phillip Morris


Nota: 9,0



Enfim eu pude ver esse filme que foi tão alardeado e censurado. É realmente impressionante como conseguem transformar uma história como essa em romance e comédia pastelão. Já haviam feito algo parecido há alguns anos atrás com o ótimo Prenda-Me Se For Capaz, mas aqui é diferente, pois não há muito drama e a comédia é mais escrachada, menos irônica. Pra ter Jim Carrey no elenco o humor tinha que ser nesse estilo, e a vantagem é que não cai nas piadas clichês e escatológicas.

O filme na verdade estreou em Sundance, em janeiro de 2009, e desde então vem tendo dificuldade de encontrar distribuição. Foi reeditado pra ser mais “aceitável” para o “respeitável” público, e ainda assim só vem chegar aos cinemas na metade de 2010. A direção é da dupla John Requa e Glenn Ficarra, dos quais eu nunca havia ouvido falar. Eles também são escreveram o roteiro.

A história é uma adaptação do livro de Steve McVicker sobre Steven Jay Russell, feito pelo Jim, um estelionatário extremamente inteligente que foi condenado à prisão por inúmeros crimes e conseguiu escapar diversas vezes da cadeia. Steven era um pai de família e cristão devoto que assume sua homossexualidade depois de constatar a efemeridade da vida após sofrer um acidente de carro.

Aí ele começa uma vida de luxos, que ele não pode manter, na Flórida, ao lado do seu namorado Jimmy, feito pelo Rodrigo Santoro. Então ele é preso por estelionato e lá se apaixona pelo Ewan McGregor, o Philip Morris do título original, seu parceiro de cela. Só que após um tempo eles são separados na cadeia, e aí começam fugas e mais crimes pra que eles possam ficar juntos.

Jim Carrey tá no seu nicho ideal. Comédias onde ele pode ser careteiro à vontade, mas o que leva o filme a ser bom é a qualidade do roteiro, que não é previsível nem de mau gosto, a história é bem contada, e o elenco todo ajuda muito. Ewan McGregor de donzela indefesa ficou qualquer nota. Uma quase Branca de Neve. Ele meio que tem essa “vibe” sentimentalóide, além da veia cômica, então não deve ter sido difícil escalá-lo pra esse filme.

Rodrigo Santoro não tem lá muitas falas, mas achei meio esquisito ele com aquele sotaque estrangeiro e ser chamado de Jimmy. Mas pode ser apelido, sabe-se lá. Mas o sotaque dos brasileiros que falam bem inglês (como o do Rodrigo, Bruno Campos, Alice Braga, Sônia Braga, as modelos, etc.) é muito menos macarrônico que os dos outros latinos e estrangeiros. Dá só uma olhada nos sotaques da Salma Hayek, Penélope Cruz e do Javier Bardem, e até da Marion Cotillard. E são todos indicados ou vencedores do Oscar com carreiras sólidas em Hollywood.

Sinceramente não entendo porque nenhum deles conseguiu ainda uma carreira interessante em terras gringas. Sônia Braga começou, só fez filme fraco, mas abriu as portas. Alice e Rodrigo têm feito uns filmes melhores, Bruno Campos tem feito participações interessantes em séries de TV importantes, mas nunca estouraram de fato. Mas isso já mostra um progresso. Parece que a bola da vez agora é Juliana Paes (creio em Deus pai...)

Em resumo, o filme é uma visão interessante e bem humorada de uma história real, que não é tão engraçada assim. Mas aí é que entra a magia do cinema, fazer do limão uma limonada. Nem sempre o resultado é uma limonada, visto que por vezes fazem um filme que em nada enaltecem a imagem do retratado, tipo Cazuza. Espero que o filme repercuta um pouco mais e seja lembrado nas próximas premiações. E ainda vou aguardar mais pra ver a versão sem cortes. Normalmente são bem melhores.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Seção CINEMA // Crítica Novidades No Amor


Panela Velha É Que Faz Comida Boa


Novidades no Amor // The Rebound

Nota: 8,5


Depois de séculos, voltei a escrever pra cá. A pós não me permitia ver filmes, quanto mais escrever sobre eles. Agora já estou de férias, e pude tirar o atraso. Começando com filmes leves, claro. Alguns repetidos, que sempre valem a pena rever, e, claro, algumas novidades. Entre elas estava esse filme do Bart Freundlich, marido da Julianne Moore, diretor e roteirista americano conhecido por filmes como Totalmente Apaixonados, O Mito das Digitais e Cidadão do Mundo. Não vi nenhum deles...

Bom, a história é sobre a Catherine Zeta Jones (que acabou de ganhar o Tony por A Little Night Music), uma dona de casa que descobre que seu marido a trai com uma amiga. Ela se divorcia e se muda pra NY. Lá ela aluga um ap que fica sobre uma cafeteria e ocasionalmente contrata o Justin Bartha, um dos empregados da cafeteria, como “baby sitter” dos seus filhos, e pouco a pouco vai se envolvendo com ele. Ele é um rapaz de 24 anos, recém-formado, que não sabe bem o que fazer. Recusa diversas ofertas de trabalho enquanto trabalha numa cafeteria e tenta achar um eixo na vida, enquanto sua mãe judia vive pegando no seu pé.

É legal ver um filme onde as divas de Hollywood realmente assumem sua real idade. A Catherine interpreta uma mulher de 40 anos, que é a idade atual dela. Se bem que ela é linda, não tem uma ruga, e poderia fazer uma de 30 da mesma forma. Mas já pelo outro lado, o Justin faz um rapaz de 24 anos. Eu tenho 24 anos e pareço no mínimo 10 anos mais novo do que ele. Na verdade ele já tem seus 30 e poucos e namora com a Ashley Olsen. Visualize a estranheza desse casal...

Além disso, é uma comédia sem aquelas piadas e situações irreais que a gente já viu em inúmeros outros filmes, e que arrancam risadas preguiçosas da platéia. A história soa verdadeira e honesta, sensação que só as comédias românticas britânicas normalmente conseguem me passar.

Apesar de ser bem feito, ter bom ritmo, bom elenco (quem tem ainda a lenda do rock do anos 60/70 Art Garfunkel como o pai do Justin) aparentemente o filme não fez sucesso, e muita gente nunca ouviu falar dele. Mas quem viu gostou. O problema é atrair o público. As piadas preguiçosas normalmente fazem mais sucesso mesmo. E, como sempre, o título nacional é um horror.