segunda-feira, 5 de abril de 2010

Seção CINEMA // Crítica Caçador de Recompensas


Sr. e Sra. Smith


Caçador de Recompensas // The Bounty Hunter


Nota: 8,5


Expectativa realmente estraga tudo. E filmes como esse, massacrados pela crítica, acabam se tornando agradáveis surpresas e divertimento certo. É previsível da primeira até a penúltima cena. A cena final eu já achei um avanço e tanto. A direção é do Andy Tennant, e nada do que ele fez e eu vi, eu gostei. No elenco? Jennifer Aniston e Gerard Butler. Adoro a Jennifer desde Friends, que (quase) todo mundo conhece, a deu um Emmy, Globo de Ouro, muito dinheiro, fama e sucesso, um casamento com Brad Pitt, até uma Angelina Jolie surgir na parada.

E apesar de tudo, acho Jennifer boa atriz. Além de ser linda e carismática. Gerard me chamou muita atenção em Querido Frankie, e sua personalidade é sempre muito agradável, mas ainda não vi um filme tão bom dele desde então. Preciso ver Rock’n’Rolla ainda. Esse título é muito esdrúxulo...

Bom, a história é aquela velha briga de casal, que teve um de seus primeiros e melhores exemplares com Katherine Hepburn e Spencer Tracy em A Costela de Adão (Credo, os títulos nacionais de antigamente eram ainda mais toscos). Aqui eles são divorciados e não se dão bem. Ela é uma jornalista work-a-holic. Ele é um policial que acabou de ser desmembrado da polícia por má conduta, acho.

Ela foi presa por problemas no trânsito (por aqui na “terra das oportunidades” até cuspir no chão dá cadeia...) e precisa ir pra corte, mas no mesmo momento ela consegue um furo jornalístico e a tapada doente mental prefere ir em busca da notícia do que resolver suas pendências com a lei. Ele então é contratado pra ir atrás da foragida e trazê-la de volta.

Depois a coisa começou a se enrolar demais, muita historinha paralela aparecendo e confundindo tudo, e eu fiquei me perguntando, será que vão saber desatar esses nós todos? E eles conseguiram. Tudo se encaixou direitinho. Claro que os velhos e habituais clichês de sempre foram usados como elo de ligação desses eventos todos. Dá até pra listar e você vai lembrar 300 outros filmes com o mesmo enredo. Quer ver só?

É tudo spoiler, mas como já disse não é novidade nenhuma. Se não quiser saber, pule pro próximo parágrafo. Lá vai a lista: Ele tem um conversível “vintage”, que ele adora, mas o destino dele é o ferro velho. Ele é adora jogar. Eles vão parar num cassino. Só que dessa vez eles perdem tudo. A máfia surge na parada. Tem perseguição também com carrinho de golfe. Que eventualmente cai na água. Eles se odeiam, mas no fim... Eles se amam.

Viram? Mas apesar dos pesares, eu me diverti. Talvez porque o casal é ótimo. São talentosos e carismáticos. Ele devia parar de ficar dando dedada nela em público e se casar logo. Eeterem filhos mais lindos que a Shiloh e os gêmeos. Se o filme fosse com o Ben Affleck, Ashton Kutcher, Jennifer Lopez ou Julia Roberts, tenho certeza que eu não iria gostar. Eu até gosto Julia do começo da carreira, mas hoje em dia ela se acha. Só quer ser as “prega de Odete”... Lopez tem seus momentos, mas os outros dois são indigestos sempre.

sábado, 3 de abril de 2010

Seção CINEMA // Crítica Alice no País das Maravilhas

Alice Não Mora Mais Aqui

Alice No País das Maravilhas // Alice in Wonderland

Nota: 8,0


Demorei quase um mês pra escrever esse texto! É a falta de tempo. A pós me enlouquecendo cada dia mais. Será que eu ainda lembro alguma coisa do filme? Vamos ver... Comecemos com o óbvio, é um filme do Tim Burton, em 3D, com Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway e a, até então desco-nhecida, Mia Wasikowska (ou alguma coisa do tipo...). E a história todo mundo conhece. Quer dizer, creio eu. Pra quem não sabe, Alice é um conto de Lewis Carroll de uma menina (a Alice) que persegue um coelho cai numa toca e vai parar no País das Maravilhas. Mas esse daqui é um pouquinho diferente.

Na verdade aqui é uma seqüência da primeira história. Alice não é mais uma criança, já é uma jovem mulher (com cara de drogada...) que está prestes a noivar com um homem de quem ela não gosta. Aí ela vê o coelho apressado e novamente cai no país das maravilhas.

O filme foi superestimado. Verdade absoluta. A culpa disso é boa parte da divulgação excessiva, que lançou diversas imagens (lindas, deslumbrantes) do filme e atraiu público, evidentemente. Tanto que no fim de semana de estréia, o filme faturou mais que Avatar em sua primeira semana. Mas o roteiro não ajuda. Visualmente, é esplendoroso, lindo, cenários perfeitos, figurinos muito bonitos, mas a história é só mediana.

Johnny Depp está bem, mas não inovou nesse novo papel. Ficou aquela coisa “Pirata do Caribe na Fábrica de Chocolate” de sempre. Helena está bem, caricata como o papel exige e deve ser, e Anne Hathaway é pra mim a figura mais interessante do filme, talvez por ser o papel que menos se fala a respeito quando se aborda a obra. Foi a única sensação de novidade ali. Mas o personagem mais carismático é uma animação, o gato. A ratinha valente também cativa dentro das suas limitações.

Em sua defesa, Tim Burton disse que foi contratado pela Disney, que o entregou o roteiro e disse: faça em 3D. E foi o que ele fez. Até que tirou uns 200ml de leite desse pedregulho de roteiro. Aquelas cenas de dança, que devem ser homenagens ao Michael Jackson, não tem razão nem motivo para existirem...

Quando eu soube que o Tim Burton iria fazer o filme, pensei: lá vem coisa bizarra daí. E não foi o que aconteceu. Eu sempre tive idéias bem interessantes do que se poderia fazer com essa história, mas prefiro não externá-las agora. Vai que daqui a 20 anos eu vire cineasta e possa colocar a idéia em prática? Melhor não entregar o ouro. Vendo pelo lado positivo, pelo menos o filme foge do status quo da Disney da donzela indefesa. É um dos raros momentos feministas do estúdio, onde a heroína é de fato uma heroína. Ana Maria Bahiana disse que transformaram Alice em Mulan. E foi mais ou menos isso mesmo.