terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Seção CINEMA // Crítica A Mentira

De Ilusão Também Se Vive

A Mentira // Easy A


Nota: 9,0


Filmes adolescentes nunca são minhas escolhas freqüentes, muito menos um dos meus gêneros preferidos. Por motivos óbvios. Mas dependendo da recepção e da repercussão dá até pra arriscar e conferir algum destaque, como é o caso desse filme aqui. Nem a estrela Emma Stone, o roteirista Bert V. Royal ou o diretor Will Gluck despertavam lembrança qualquer, e talvez credibilidade ou voto de confiança, mas o elenco de apoio é todo muito bom. Thomas Haden Church, Lisa Kudrow, Amanda Bynes, Penn Badgley, Patrícia Clarkson e Stanley Tucci. Todos conhecidos, dispensam apresentações pra quem conhece o meio, e até os jovens Badgley e Bynes já são conhecidos por fazerem papéis importantes na TV, mesmo sendo em seriados teen. Cam Gigandet, de Burlesque e Crepúsculo, também faz uma participaçãozinha.

Como em quase tudo de adolescente a história é ambientada numa High School, que desde John Hughes e metade do que foi feito nos anos 80 tornou-se um ambiente mais do que comum no cinema. Inclusive várias citações são feitas no filme, como a cena final. Aqui a jovem Olive, depois de muita insistência, acaba "confessando" uma mentira à sua melhor amiga, para poder mudar de assunto. Para seu azar (ou sorte) ela é ouvida por uma dessas religiosas (pra quê esse povo existe?) hipócritas, feita pela Amanda Bynes, que julgam, discriminam e oprimem. Tudo em nome da vontade de Deus. Mas ainda assim eles rezam por nós...

Então essa alma caridosa e benfeitora, com nada mais que muita bondade no coração, espalha o boato pelo colégio, o que acaba transformando a Olive na estudante mais popular da escola. Não exatamente da maneira mais elogiosa, já que sexo é algo tão sujo e deplorável na mente dessa gente. Como ela é das minhas, ela veste a carapuça e encarna a piranha-mór das redondezas e confronta o moralismo dos servos de Jesus.

Mas como ela já tá mal-falada na vizinhança, um amigo gay a pede ajuda para parar de ser bullied até poder ir pra faculdade e não ter mais que pisar na escola. No caso ela teria que fingir que eles também tiveram uma aventura. E daí em diante tudo acaba virando uma grande bola de neve, já que os vários oprimidos da escola acabam vindo até ela para tentar “salvar” suas reputações, e ela acaba ajudando a todos, mesmo que ganhando algum em troca.

É de longe um dos melhores filmes adolescentes desde Meninas Malvadas (que foi escrito pela Tina Fey, mas que se perde no terceiro ato). Inclusive até melhor. A única coisa que não entendo é o romance da Emma com o Penn. Eles se dão bola o filme inteiro, arrastam asa um pro outro, mas fica tudo só nas provocações. Só no fim que eles se enlaçam, já que é uma comédia adolescente e alguns clichês do gênero devem ser usados. Como são adolescentes dá até pra deixar passar tanta hesitação, mas mesmo assim é meio esquisito.

E tanto Olive quanto Penn são os personagens com quem eu mais me identificaria nesse meio colegial, porque são os que têm os comportamentos mais parecidos com o que eu tinha no ensino médio. São os que perambulam por todos os grupos, mas não pertencem a nenhum deles. São amigos de todos, mas não são amigos de ninguém. Até eles crescerem e encontrarem sua turma de fato.

Emma acabou de ser indicada ao Globo de Ouro comédia, uma indicação bem merecida, e ela já desponta como a nova estrela teen que Lindsey Lohan deveria ter sido e não é. Ela já fez três filmes que vi, os fraquíssimos Minhas Adoráveis Ex-Namoradas (onde ela de longe é a melhor coisa dele) e A Casa das Coelhinhas, e o engraçadinho Superbad, mas ela ainda não exatamente me saltava aos olhos em nenhum deles. A Mentira deveria ter sido indicado a filme comédia também, já que a lista do gênero esse ano no Globo é uma verdadeira tragédia. Provavelmente ficou de fora pra não ameaçar aquela coisa moralista e sem-graça que é Minhas Mães e Meu Pai.

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