domingo, 5 de dezembro de 2010

Seção CINEMA // Crítica Amor e Outras Drogas

Alguém Tem Que Ceder

Amor e Outras Drogas // Love & Other Drugs


Nota: 9,0


Eu costumo gostar dos trabalhos do Edward Zwick, e desde Sobre Ontem à Noite, com Rob Lowe e Demi Moore, que ele não faz um filme do gênero. E o filme é de 1986. Nesse meio tempo, entre outros, ele fez Tempo de Glória e Nova York Sitiada com o Denzel Washington, Lendas da Paixão com o Brad Pitt, Diamante de Sangue com o Leonardo DiCaprio, O Último Samurai com o Tom Cruise. Todos eles filmes famosos e bem recebidos por público e crítica, então mesmo esse tendo sido vendido como comédia romântica, que normalmente são tão senso comum, eu acreditava que seria um bom filme. Assim como Sobre Ontem à Noite, além de outras similaridades, o filme também tem um jovem e badalado casal protagonista: a princesa daquele diário, Anne Hathaway, e o cowboy que ama cowboys, Jake Gyllenhal, meu sósia. E é a segunda vez que eles fazem um casal, a primeira vez sendo exatamente em Brokeback Mountain, mas se bem que nesse a Anne ficou pra escanteio.

Bom, o filme é uma adaptação do próprio Zwick com Charles Randolph e Marshall Herskovitz do livro HARD SELL: The Evolution of a Viagra Salesman, mas eles mudaram o foco da história aqui. Tanto que eu só soube que era uma adaptação quando pesquisei sobre o filme depois de assistí-lo. Aqui o foco é mais no relacionamento entre o casal principal, e o Viagra e as outras drogas são puramente pano de fundo mesmo.

Gyllenhaal faz um vendedor de eletrônicos que após ser demitido, vira representante de vendas de uma companhia farmacêutica que produziu uma droga concorrente do Prozac. Ele é bom de lábia, o que o faz um vendedor de sucesso e um conquistador nato. Mas lógico que a obsessão dele vai ser a Anne, aquela que não cai na lábia dele, e o usa tanto quanto ele costuma usar todas. Ela foge de compromissos sérios por sofrer de mal de Parkinson, então se isola no seu ap (que eu adorei) onde sexo pra ela é apenas diversão, e ele vai ter que rebolar pra conquistá-la. Enquanto isso o Viagra entra no mercado e ele passa a fazer sucesso distribuindo a droga.

Os críticos não gostaram tanto desse quanto dos filmes anteriores do Zwick, mas eu sou um fraco para o gênero. Se há gente que gosta de comédias grosseiras e filmes de ETs e gnomos, eu gosto de histórias de relacionamentos. Sejam eles românticos ou familiares. Acho muito mais fácil de se identificar. E mais interessantes assistir seres da nossa espécie. Além disso, o filme me ganhou só por já começar tocando Two Princes dos Spin Doctors.

Por falar nisso, a trilha sonora do filme é ótima, assim como a de Sobre Ontem à Noite. É bem 90’s e 80’s, com Heaven Is a Place on Earth (piadinha no momento Viagra), Praise You e até Macarena, me lembrando das músicas que eu ouvia no rádio quando criança e dos clipes que eu via nos anos 90, na época em que a MTV ainda prestava.

O elenco ainda tem diversas figuras conhecidas, como o Oliver Platt como o chefe do Jake, o Hank Azaria como o médico a quem o Jake fornece amostras, o Gabriel Macht como o representante de vendas da concorrência, a Judy Greer, que é sempre ótima, mas é eterna coadjuvante, e a Jill Clayburgh, que faleceu recentemente, numa de suas últimas aparições em Hollywood.

Pra mim o ponto baixo do filme é justamente transformar a indústria farmacêutica em plano de fundo. Ela de certa forma é esquecida depois que a Anne entre em cena, e o que vemos no início é o quanto a indústria é mercantilista e capitalista, pouco se importando com o que ela mais deveria se preocupar, que é a saúde do seu mercado consumidor. Rende até uma piadinha com o mendigo, mas é muito pouco mesmo assim. O ponto alto com certeza é a dupla central, muito bem, alternando bem nas nuances das personagens, que certamente devem rendê-los indicações ao Globo de Ouro por comédia. Mais do que isso, acho improvável.

3 comentários: