domingo, 14 de novembro de 2010

Seção CINEMA // Crítica Minhas Mães e Meu Pai

E Sua Mãe Também

The Kids Are All Right // Minhas Mães e Meu Pai

Nota: 6,0


Quando vi o elenco, o trailer, o tema central abordado e a repercussão que esse filme vinha tendo na crítica e nos diversos festivais por onde passou, me animei bastante e as expectativas foram lá pro alto. Como já dizia a lei da física, tudo que sobe uma hora desce. Até parecia que esse destino era inevitável. E na verdade não é. Ou pelo menos não deveria ser. A verdade é que o marketing transforma as coisas no que elas não são na verdade. Se há interesse financeiro por trás dessas críticas todas eu desconheço, mas eu mesmo não recebi nada. Deve ser por isso que não gostei. A essência do filme me lembrou muito Juno e Amor Sem Escalas, totalmente conservador e status quo, mas disfarçado de moderninho e transgressor, igualzinho a juventude atual, sem tirar nem por. Quando a única transgressão de fato é só pura pose.

Bom, a história é sobre a Julianne Moore e a Annette Benning, um casal de lésbicas num relacionamento estável de muitos anos, que recorreram a banco de esperma para terem seus filhos, e quando a filha mais velha, a Mia Wasikowska de Alice No País das Maravilhas, faz 18 anos o irmão mais novo a convence a procurar pelo pai biológico. Eis que surge Mark Ruffalo, um tipo motoqueiro "Born To Be Wild" contemporâneo, dono de restaurante de comida orgânica e namorado de uma negra estatuesca (linda, por sinal).

Se a história fosse só essa e desenvolvessem o roteiro em cima dessa situação, acho que teríamos pano pra manga pra fazer um ótimo filme. Tipo o seriado Modern Family. Mas na verdade o real conflito do filme é quando o Mark contrata a Julianne, que é paisagista, para decorar sua casa, e os dois iniciam um caso, totalmente desncessário e sem sentido para a história e que transforma o filme. Num momento em que a sociedade moderna começa a discutir mais abertamente os direitos civis para todas as minorias, a gente precisa mesmo de um filme que insinue que relacionamentos homossexuais estão fadados ao fracasso?

Lógico que esses relacionamentos são normalmente idênticos aos heteros- sexuais, mas esses em nenhum momento têm sua legitimidade questionada, seja pela sociedade, pelos Estados ou pelas religiões, então acho que a discussão sobre a família moderna, nesse momento, deveria se pautar em como os gays e lésbicas são tão capazes de constituir família, e não em trazer à tona motivos para que os reacionários condenem ainda mais, já que qualquer motivo é motivo de sobra para se depreciar ainda mais aquilo que não é tolerado.

Muito falaram sobre as interpretações do trio principal do filme, especulações sobre prêmios e tudo mais, mas eu sinceramente desacredito que haja grandes momentos no filme que justifiquem tais reações. Uma infinidade de cenas de mesa de jantar, que se não forem surpreendentes não passam de puro clichê. Talvez uma indicação ou outra pro Mark ou pra Annette, mas eu sinceramente espero que coisas melhores estejam por vir, senão esse vai ser um ano fraquíssimo.

A cena final então eu achei de um nojo puro. Não pelos fatos em si ocorridos, mas pelos argumentos que justificam a situação. Pura caretice. Uma mensagem saída dos manuais de sobrevivência dos subúrbios, aqueles mesmo criticados em Beleza Americana e Foi Apenas Um Sonho. E meio que estereotipou ambas as orientações sexuais, mas de uma forma reversa. Prefiro não comentar porque seria spoiler, mas se alguém quiser saber e/ou debater, o espaço dos comentários tá aberto para discussões.

Um comentário:

  1. Vitinho,
    vc não sabe o quanto eu detesto quando a Globo coloca um personagem homossexual assumido pra namorar uma pessoa do sexo oposto!!! Dá a impressão que a pessoa escolhe ser um dia hetero outro dia gay!!!
    Cada uma viu!!!
    E o Rubens Ewald Filho disse que esse ano ia ser fraquissimo de filmes bons!!!

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