domingo, 17 de outubro de 2010

Seção CINEMA // Crítica A Rede Social


Mentiras e Trapaças


A Rede Social // The Social Network

Nota: 8,0


Então esse é o aclamado melhor filme do ano? O novo American Graffiti, um Touro Indomável, pitadas de Cidadão Kane, etc. As críticas entusiasmadas, o trailer primoroso (a música, então, é soberba e muito melhor que a original - fãs do Radiohead, podem me apedrejar), a direção de David Fincher (que fez O Curioso Caso de Benjamin Button, Seven, e, como ninguém ou nada é perfeito, Clube da Luta), tudo me entusiasmou. Mas, como já diria a lei da física, tudo que sobe, desce. E essa regra também vale para expectativas. Quando se espera muito de algo, a frustração é quase inevitável. Ultimamente Alice, Inception e The Kids Are All Right me causaram isso. Já deveria ter aprendido a lição.

Enfim, a história é sobre a invenção do Facebook, a maior rede social da atualidade, um Orkut infinitamente superior, para os brasileiros que não conhecem. O que motivou a sua criação, as pessoas envolvidas, as disputas e tudo mais. Tudo na base do flashback, a história vai tomando forma durante os conflitos. A estrutura do roteiro é brilhante, já o desenvolvimento de personagem achei fraco. Acho que contar qualquer detalhe da história vira meio que spoiler, já que tudo é uma surpresa. Não das mais incríveis e empolgantes, mas não deixam de ser surpresas.

O elenco tão aclamado, sinceramente, não vi nada demais. Jesse Eisenberg faz o Mark Zuckenberg, o atual acionista majoritário da corporação, personagem principal do filme, que eu achei totalmente unidimensional. Um rapaz emburrado, sem carisma, egoísta, com cara de bunda perene, e constante ar de superioridade. Mas ok, todo personagem precisa de falhas num filme, já que pessoas perfeitas não rendem história nenhuma, mas essas falhas precisam ser vencidas, explicadas ou punidas. E de certa forma nada disso ocorre. Uma Branca de Por Amor (ou uma Susana Vieira na vida real mesmo), menos perversa e com mais mimimi.

E assim como ele, os outros são o mesmo. Um bando de riquinhos e seus egos gigantescos. E acho que foi isso que me incomodou mais no filme. Até mais do que os ternos engomadinhos. Ninguém ali é de fato interessante. Assim como nas elites, cheio de gente bonita, mas quase todas desinteressantes e vazias. Não é de estranhar que todos os retratados no filme detestaram a fita. Mas também não duvido que eles sejam assim de fato, até porque ninguém gosta de ver um retrato real de si. E quando eu achava que não faltava mais nada para elevar o nível de antipatia à estrastosfera, eu esqueci que o Justin Timberlake nem tinha aparecido ainda...

Os outros destaques do elenco são o Andrew Garfield, que faz o brasileiro Eduardo Saverin, Armie Hammer que faz os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss (essa parte é perfeita, eu realmente pensei que eram gêmeos, e não um só ator), o Max Minghella como Divya Narendra (o mais chato de todos), o Justin, que faz o Sean Parker, criador do Napster, e a Rooney Mara, única mulher a trilhar pelo clube do Bolinha, e que é responsável pela melhor cena do filme, justamente a primeira.

E para mim a principal mensagem do filme é que mesmo as idéias mais brilhantes e rentáveis acontecem acidentalmente e pelos motivos mais humanos e primitivos possíveis. Mesquinhos, rancorosos, misóginos, cheios de preconceitos, como boa parte do povo é, inclusive a elite financeira e intelectual, que deveria se empenhar em racionalizar melhor suas emoções e seus atos. Mensagem interessante, mas melhor filme do ano? Discordo. Continuo com Ilha do Medo, mesmo com seu final previsível.

4 comentários:

  1. To louco pra ver, apesar de certas falas mostradas no trailler fingirem ser cults.
    O melhor trabalho de Fincher ainda continua sendo o clip Vogue da Madonna.

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  2. achei o trailer liiiiiiiiindo...
    mas sua resenha me faz hesitar...
    meio nojentinhos os criadores do facebook, né?

    beijos

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  3. Vi o trailer dele no cinema. Achei muito bom e não vejo a hora de assistir... Se é que vai mesmo passar por aqui! Bem, qualquer coisa assisto quando for para Recife. Vou passar Natal por lá mesmo. Penso que é mais ou menos a data de lançamento desse filme aqui no Brasil.
    Apesar de ainda não ter assistido, também não acho que 'Facebook' seja o melhor filme do ano. Para mim, os melhores do ano até o momento são 'A Origem' e 'Tropa de Elite 2', na categoria nacional. Mas você não vai concordar, é óbvio!!! Kkkkkk.

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  4. Marie, eu achei Ilha do Medo o melhor filme do ano ate agora. Eu nao concordo com a ideologia fascista de tropa de elite, mas nao vi o segundo. Dizem que continua o mesmo, entao... A Origem eu gostei, mas esperava mais. Fiquei com a sensacao de que se a gente for prestar atencao direito no roteiro, vai achar uns furos por ali.

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