quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Seção CINEMA // Crítica O Escritor Fantasma


O Homem Que Sabia Demais


O Escritor Fantasma // The Ghost Writer

Nota: 9,5

Antes de ir pro xilindró na Suíça, ainda devido aquelas acusações e estardalhaço todo que ocorreram quando eu não era nem espermatozóide, Roman Polanski (aquele diretor que todos nós conhe-cemos, se você não conhece corre pro Google, que tudo tem limite, até minhas funções enciclopédicas) terminou de rodar esse filme. Mas só pôde terminar a fase de pós-produção depois da prisão domiciliar. E enfim chegou e já passou pelos cinemas (daqui da Califórnia, pelo menos, lá no começo do ano, mas não pude escrever) sua mais nova obra, que é uma adaptação do livro The Ghost do britânico Robert Harris.

Bom, a história é sobre o Ewan McGregor, que ultimamente tem comedido mais sua nudez obrigatória em todo filme que faz (mas esse não é exceção), que é contratado para reescrever a biografia do ex-Primeiro Ministro britânico feito pelo Pierce Brosnan, que também responde por 007. O resultado obtido pelo escritor anterior aparentemente desagradou ao governo americano, e ele morreu durante o trabalho.

Então o Ewan é chamado para dar uma nova cara à publicação. Ou novas palavras, como preferirem. Só que ele começa a se envolver mais do que deveria (se é que isso é possível) e descobrir informações demais que parecem levar a um passado oculto (e suspeito) do ministro. Curioso, ele vai atrás para saciar o seu ímpeto, o que só lhe traz problemas.

O filme ainda trás no elenco a Kim Cattral, a eterna quenga de Sex and The City (e a mais interessante das quatro de longe, como todas as quengas costumam ser), dessa vez bem comportada fazendo a secretária do ministro, a Olivia Adams, como sua esposa, e o Tom Wilkinson como um suposto companheiro de clube de teatro em Cambridge. Ainda tem uma ponta (quase figuração) do Timothy Hutton, que ganhou o Oscar de coadjuvante por Gente Como A Gente, e ainda hoje é o mais jovem ator a ganhar um prêmio de atuação. Isso em 1981. De lá pra cá não lembro de mais nada relevante que ele tenha feito. Talvez Taps?

Como quase sempre acontece com quase todos os livros adaptados, Polanski tomou suas licenças poéticas e alterou certas partes da história, o que não deixa de ser bom, porque trás uns certos elementos surpresas até para quem já leu o livro. E uma dessas partes é o final, que eu adorei, e dada à sua história, Polanski jamais perderia essa oportunidade de meter o dedo na ferida ianque.

Dizem as más línguas (que devem ser similares às minhas, salvando as devidas proporções) que a história é uma “homenagem” a Tony Blair, e seu período como Primeiro Ministro e seu apoio incondicional às sempre regulares guerras promovidas pelo governo americano, que as costuma chamar carinhosamente de “difusão da democracia”. Eu me pergunto como eles devem chamar as ditaduras militares que eles tão ternamente espalharam pela América Latina depois da Revolução Cubana...

Enfim, o filme garantiu ao Polanski o urso de ouro no Festival de Berlim, e provavelmente mais uma indicação ao Oscar. Sua última (que se converteu em estatueta) foi por O Pianista em 2003, e acho que junto ao Scorsese são dos raros diretores vivos com tantos grandes filmes no currículo, o que a gente tem que separar sempre da pessoa detestável e desprezível que na vida pessoal ele aparenta ser.

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