segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Seção ALUCINÓGENOS // Emmys 2010

Emmys 2010


Eu normalmente falo de cinema, mas a TV Americana ultimamente tem evoluído e se superado, de uma maneira que o cinema não tem. Inclusive a própria cerimônia do Emmy. Hoje há muitas ótimas séries de TV e eu me recuso assistir mais dos que as que já vejo, porque tenho uma pós-graduação a fazer, e elas tomam muito do nosso tempo. Filmes acabam em algumas horas. E seriados têm episódios. Duram anos. Mas entre ver Crepúsculo e True Blood, é até covardia ter que optar, não é

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A cerimônia do Emmy esse ano foi a melhor que vi. Tudo bem, não curto Glee, mas o número de abertura no estilo da série ao som de “Born To Run” do Springsteen foi uma das melhores que vi nessas cerimônias de premiação desde que comecei a assistir o Oscar em 1993 (eu tinha 7 aninhos...). No mesmo nível, só as aberturas do Tony e a do Oscar 2009 com o Hugh Jackman. O problema do Tony é que se você não mora em NY e vai ver as peças e musicais, fica boiando. Elas só são adaptadas depois em outros lugares. Mas ainda assim adoro assistir pra ter uma prévia delas. Mas nem todo mundo é como eu. Já o Emmy a gente pode conferir tudo, assim como Oscar. Eu tava até escrevendo uma história para um curta que tinha Born To Run como trilha, mas minha idéia acabou de ir pelos ares. Vai ficar parecendo cópia. Que droga...

Dividiu-se a ordem das premiações em categorias, o que deixou tudo organizado pra quem assiste. Só reality TV que ficou meio sobrando lá no meio. Os vídeos de introdução mostrando cada categoria e seus principais destaques mostrou além das séries que já vejo, muitas outras séries, minisséries e telefilmes que eu fiquei morrendo de vontade de ver. E muito bem feitas as montagens. Até o final estúpido de Lost se encaixou bonitinho na edição, se opondo, logo no ínicio, ao brilhante final de temporada de Grey’s Anatomy, série que foi esquecida das premiações.

E quando premiam séries que não vejo, como Nurse Jackie, Breaking Bad e Modern Family, dá ainda mais vontade de conferi-las. A gente sempre torce para o que a gente vê e gosta. E contra o que a gente tentou ver e não gosta, hehe. Tem coisa melhor que ver Glee perder? Só a Sue Sylvester da Jane Lynch merecia mesmo, porque convenhamos que aquelas versões estridentes, artificiais e pasteurizadas de hinos da cultura pop, e aquele monte de personagem caricato e estereotipado são o fim. Apesar das boas intenções. Faz sentir saudade de Hair, Cabaré, Dançando na Chuva, Chicago, Evita e até dos menos celebrados, como Footloose e Fama.

Mas o lado bom é que Glee está ainda mais renascendo o gênero musical que havia sido sepultado e sobrevivia apenas nos palcos da Broadway, e normalmente com produções bem antiquadas como Miss Saigon e Les Miserables (que é clássica, eu sei, mas é um pé no saco...). Hoje já existem coisas mais modernas como Billy Elliot, Rock of Ages e Spring Awakening. E apesar de eu não gostar do estilo de Glee, assim como não gosto do estilo do Baz Luhrman, ambos funcionam bem no palco pra rápidos momentos musicais de eventos, como essa abertura e a homenagem a musicais com Hugh Jackman e Beyoncé no Oscar 2009.

Eu vi o piloto de Modern Family e não gostei muito. Nem vi o restante da série. E agora me arrependo... Acho que ninguém esperava que ele vencesse, devido à febre que Glee virou no país. Minha série favorita da atualidade, Mad Men, venceu pelo terceiro ano seguido a categoria de melhor série dramática, o que antes era a principal categoria da noite, mas esse ano ficou evidente que Glee e Modern Family fizeram essa inversão de valores, basta só ver a tônica do próprio evento em si. Tanto que o prêmio de melhor comédia foi o último a ser entregue.

Da mesma forma, TV e cinema parecem estar invertendo valores também. A gente viu no Emmy que mesmo no meio do lixo que TV normalmente é, muita coisa boa também passa, ótimos seriados e telefilmes, tanto que os elencos indicados são sublimes (Judi Dench, Susan Sarandon, Al Pacino, Maggie Smith, John Lithgow, Glen Close, Kathy Bates, Ian McKellen, etc.) e no cinema a condição humana perdeu espaço. Se você não for vampiro, lobisomen, robô, troglodita atirador, alien, ciborgue, hobbit, bruxo, fada, duende, gnomo ou afins, não se consegue nem financiamento, nem público. Comédias? Só se forem recheadas de racismos, machismos e afins, além de peidos e arrotos. Tanto que tem se premiado produções independentes, de baixo orçamento, porque os blockbusters são acéfalos. Enquanto isso a TV evolui e vem virando tudo que o cinema um dia foi. E deveria voltar a ser.

Um comentário:

  1. amei o texto e me diverti horrores com o Emmy, sem dúvida um showzão. Só vou dormir indignada com vc chamando Les Miserables de pé no saco. Tou me sentindo um fã de Clint Eastwood. Hahahaha. beijos

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