sexta-feira, 30 de julho de 2010

Seção ALUCINÓGENOS // Como nascem os grandes

Maurio, amigo meu que tem este blog de esportes, me pediu um post sobre a nona conquista brasileira da Liga Mundial de Vôlei. Eis o resultado. Vocês também podem lê-lo lá e ficar sabendo mais sobre outros esportes!



Após a ter dominado totalmente a década anterior, onde a única grande final que perdeu foi a das Olimpíadas de Pequim em 2008, a seleção brasileira masculina de vôlei já começa a nova década ainda como a maior potência, vencendo a Liga Mundial 2010 na Argentina e se tornando novamente a maior favorita ao Mundial da Itália em setembro.

O vôlei brasileiro veio numa crescente desde os anos 60, quando era pouco popular e de pouca expressividade no cenário internacional. Nos anos 70 a equipe, que tinha como levantador o atual técnico da seleção feminina José Roberto Guimarães e o atual presidente do COB Carlos Arthur Nuzman, começou a incomodar mais e o esporte foi se popularizando também devido à exposição na mídia, principalmente pela TV Bandeirantes.

O resultado foi uma nova geração inovadora nos anos 80, liderada por William, Bernard, Renan, Xandó e Montanaro, sob o comando de Bebeto de Freitas, que inventaram jogadas diversas e os saques Jornada nas Estrelas e Viagem ao Fundo do Mar, o famoso saque viagem, hoje obrigatório no cenário internacional no masculino, e abocanhou dois vice-campeonatos, no Mundial de 82 e nas Olimpíadas de 84, ficando trás da União Soviética e EUA respectivamente. Bernardinho participou dessas conquistas, mas como eterno “esquenta-banco” do levantador William.



Com Zé Roberto já como técnico, a geração seguinte com Marcelo Negrão, Maurício, Carlão, Tande e Giovane, surpreendeu e conquistou a medalha de ouro em Barcelona 92, ensaiando o que só veríamos ocorrer nove anos depois, a partir da Liga Mundial de 2001, o total domínio brasileiro no cenário internacional. Essa geração de 92 durou pouco na seleção, ao contrário de jogadores de hoje como o Giba, que está no time desde 95. Vários se dispersaram, alguns continuaram, mas tirando a conquista da Liga Mundial de 93, não conseguiram manter o mesmo patamar de resultados.

A equipe que foi a Atlanta 96 já era bem diferente, e de cara sofreu derrotas pra times como Argentina e Bulgária, mas ainda assim conseguiu o quinto lugar, ficando de fora das semifinais ao perder pra Iugoslávia nas quartas de final, que começava a crescer internacionalmente, culminando com o ouro em Sydney, formando hoje o grande time que é a Sérvia.



Radamés Lattari assumiu o comando da seleção em 97 e promoveu total renovação na equipe. Manteve os jogadores jovens, como Nalbert e Giba, e trouxe novidades ao time, como Gustavo e os levantadores Marcelinho e Ricardinho (que de “inhos” só têm o nome), equipe essa que cresceu, quase venceu a poderosa Itália, do técnico brasileiro Bebeto de Freitas, na semifinal do mundial de 98, que foi marcada pela contusão de Giba no quarto set, o melhor jogador em quadra até então. Além disso, ficou em terceiro lugar nas Ligas Mundiais de 99 e 2000.

Na Olimpíada de 2000, com a pressão da mídia por bons resultados, Radamés foi forçado a mudar a equipe e trazer de volta jogadores como Maurício, Tande e Giovane, e se desfazer de outros como Joel, principal jogador na classificação brasileira aos jogos no pré-olímpico. A equipe passou bem pela primeira fase, até chegar as quartas de finais, e sob pressão, a falta de entrosamento ficar aparente deixando a equipe na dependência do novato Dante (feito que se repetiu quatro anos mais tarde na seleção feminina com Mari) perdendo as quartas de final para a Argentina, e piorando o resultado da olimpíada anterior, ficando em sexto lugar.

No ano seguinte Bernardinho deixa a seleção feminina e assume o comando da equipe masculina. Mantendo a base das renovações de Radamés, que havia crescido e mostrado bons resultados até a olimpíada, e trazendo mais novas revelações da Superliga como André Nascimento, Henrique e o líbero Sérgio Escadinha, e investindo numa equipe coesa unificando o nível dos atletas, sem aparentes jogadores titulares, a equipe chegou ao topo da Liga Mundial em 2001 e lá permanece até hoje.



Toda essa panorâmica é só pra ilustrar como essa equipe chegou a tantas vitórias na década de 2000, que definitivamente não foi do dia pra noite, como muitos imaginam e já que a história do esporte não é tão difundida pelos meios de comunicação, que normalmente privilegia o futebol, e os demais esportes são lembrados apenas em anos de olimpíadas.

De 2001 a 2010 muita coisa mudou. Daquele time apenas Giba e Dante permanecem. André Nascimento e Escadinha continuam como opções, mas ficaram de fora da Liga. A continuação desse nível se deve ao bom trabalho da confederação brasileira com as categorias de base, sempre descobrindo novos talentos, e por ter conseguido criar um centro de excelência em Saquarema (RJ), onde os atletas de todas as categorias podem ficar concentrados e treinar, estreitando laços e promovendo o melhor entrosamento entre eles.

Essa equipe que ainda não está no nível de maturidade que apresentou a que foi campeã olímpica em 2004 e mundial em 2002 e 2006, mas já mostra que tem o mesmo talento e poder de reação que a anterior, ao começar mal a fase final com uma vitória sofrida em cima da Argentina, última colocada da competição, e progredir vencendo em seguida a Sérvia, Cuba e Rússia num nível crescente de qualidade.

Desses jogadores novos, poucos eu conhecia previamente, já que não acompanho mais os jogos da Superliga por morar no exterior, e mesmo quando morava no Brasil os mesmos não eram exibidos em TV aberta como até o fim dos anos 90 quando a Band tinha os direitos de transmissão. Theo, Mario Jr., Lucas, entre outros, são completas novidades pra mim, e conseguiram manter o patamar do vôlei brasileiro no exterior, superando contusões e a ausência de Giba. Jogadores jovens que ainda têm muito a evoluir e certamente continuarão a nos trazer títulos futuramente.

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