domingo, 24 de janeiro de 2010

Seção CINEMA // Crítica Invictus

O Rei Leão

Invictus


Nota: 6,0

Quem me conhece sabe que eu e Clint Eastwood não nos damos bem. Quer dizer, eu não me dou bem com ele, porque ele nem sabe da minha existência. Eu até vi umas entrevistas dele recentemente e minha opinião sobre a pessoa tem melhorado, mas sobre o cineasta, o profissional, continua a mesma. Ele é ruim. Consegue fazer xaropadas clichês dignas de novelas mexicanas, mas disfarçadas de obras-primas hollywoodianas como ninguém. E esse não é nem um pouco diferente. Pelo menos não é tão asqueroso quanto Gran Torino, seu filme anterior e despedida das telas como ator. Que Deus o tenha.

Bom, dessa vez ele resolveu contar a história do Nelson Mandela, feito pelo Morgan Freeman, e o seu envolvimento com a equipe sul-africana de rúgbi. Como ele transformou um esporte de brancos, e uma equipe ruim da elite da África do Sul em símbolo nacional, motivo de orgulho de todos, e razão de integração entre todos os povos sul-africanos.

O roteiro me incomodou muito. Transformaram Nelson Mandela num livro de auto-ajuda ambulante, distribuindo conselhos e lições de vida aos quatro ventos. Mais parecia Chico Xavier. E tudo bem que o filme é sobre esporte, mas também parecia que rúgbi era sua prioridade total durante seu mandato, porque é tudo com o que ele se preocupa durante toda a história. Até mesmo quando ele é indagado sobre outras coisas, ele muda de assunto pra falar sobre rúgbi. Mandela merecia mais.

A maioria das cenas é quase amadora de tão ridiculamente óbvias. Diálogos de peça de colégio. Bem piegas mesmo. Tipo a cena do ingresso a mais, a da cerveja no vestiário (a pior de todas), a cena do pódio, e muitas outras. E a gente que é do Brasil sabe muito bem que quando a classe alta torce por favelado é quando tem jogo da seleção. Depois tudo volta ao normal. Então nos fazer acreditar que uma copa do mundo de rúgbi acabou com as seqüelas da apartheid é ridículo. No fim do jogo, o branco voltou pra sua mansão e os negros pros seus bairros marginalizados, e tudo voltou ao normal. Só faltou a varinha de condão na mão do Mandela de Eastwood que o faz catalisar transformações sociais.

E nem vem dizer que é spoiler, porque todo mundo que entende de esportes ou viu o noticiário nos anos 90 sabe que a África do Sul ganhou a copa do mundo. Até no cartaz do filme dá pra deduzir. E todos os clichês de filmes de esportes estão ali. A câmera lenta nos momentos decisivos, aquela trilha sonora que poderiam trocar por “We Are The World” e daria o mesmo efeito, focalizar a reação e emoção de todos os (vários) personagens que têm o mínimo de importância pra história. Acho que só essa cena final do filme durou uns 15 minutos pra todos os clichês caberem direitinho dentro.

Morgan Freeman tem sido indicado a todos os prêmios, mas pra mim a explicação é desconhecida. Ele tá péssimo, caricato. Tudo bem que o roteiro não o ajudou nem um pouco, mas ele nem lembra o Nelson Mandela, mesmo imitando seus trejeitos. Eu olhava e só conseguia ver o próprio Morgan Freeman mesmo, ou alguém fazendo uma má imitação num programa de comédia decadente. Nem o Matt Damon está tão bem assim também. Se dependesse de mim o filme não seria indicado a nada.

2 comentários:

  1. Quero passar longe desse filme. Dúvido que seja indicado a algum Oscar. Tem gente que merece muito mais!!!
    Vc vai fazer crítica de Nine?

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  2. Ah proposito, assiti "O homem serio" dos Coen e gostei muitooooo!
    Bem melhor do que "Queime depois de ler"!

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