segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Seção CINEMA // Crítica Educação


Malcriação

Educação // An Education


Nota: 8,5


Engraçado como a gente pode facilmente perceber a diferença do senso de humor e as diferentes formas de se abordar temas entre o cinema americano e britânico. Tenho certeza que se fosse feito por um dos grandes estúdios de Hollywood, todas as delicadezas e sutilezas seriam trocadas por obviedades e clichês e o melodrama tava armado. Um filme aparentemente leve, despretensioso, mas que traz consigo discussões muito válidas. Entre elas, a do papel da mulher na sociedade no início dos anos 60, logo quando o movimento feminista também começou a se organizar.

A história é sobre Jenny, uma jovem inglesa de 16 anos que mora com os pais no subúrbio de Londres. Ela é induzida pelos pais a ser a melhor aluna da classe e ir estudar em Oxford, e apesar de extremamente entediada, ela segue o plano à risca. Até ela conhecer um homem mais velho e sedutor, feito pelo Peter Sarsgaard, que a conquista e também a seus pais. Ela a leva a um mundo de riquezas e cultura, onde ela passa a questionar porque ela deve estudar tanto se há tantas outras opções na vida.

Desde que o mundo é mundo moçoilas ingênuas e indefesas caem na lábia do lobo mau e... se dão mal. A história mais velha do mundo, e que resolveram contar mais uma vez, sendo esse o principal filme da safra britânica de 2009. Mas a história é bem contada e resolveram mudar o enfoque, destacando qual a real importância da educação. Jenny, apesar de ser extremamente inteligente e uma aluna dedicada, não sabia o que fazer dela, e se perde na primeira oportunidade de viver a vida. Que frase mais Manoel Carlos, credo...

O principal destaque do filme é elenco sem dúvida. Todos perfeitos, com um destaque a mais pra Carey Mulligan, a atriz inglesa de 24 anos, que é linda e talentosa, fez filmes como Orgulho e Preconceito e Entre Irmãos, e aqui tem seu primeiro momento de estrela. Ela lembra uma jovem Audrey Hepburn, Sally Field, e a mim lembrou um pouco a Katie Holmes, que jogou a carreira fora. Ela tem sido indicada a todos os prêmios (e eu de certa forma torci por ela no Globo de Ouro) e tem aparecido nas premiações com um cabelo curto que ficou lindo em Natalie Portman, mas não nela. Ela também namora o Shia LaBeouf... Um pontinho negativo.

Peter Sarsgaard, como o desvio de percurso, e o Alfred Molina, como o pai , estão muito bem também, como sempre. Ainda aparece o Dominic Cooper (Mamma Mia!) e Rosamund Pike (Orgulho e Preconceito) como os novos amigos ricos da Jenny, a Emma Thompson como a diretora da escola, e a Sally Hawkins numa pontinha. Todos foram um dos indicados ao prêmio do Sindicato dos Atores (SAG Awards) como melhor elenco.

Outra coisa legal são os créditos iniciais ao som de Floyd Cramer (um dos pianista pioneiros do rock & roll dos anos 50 e 60) e cheio de pequenos desenhos sobre a tela, que nós designers chamamos de interferências gráficas. Elas podem ter diversas classificações... Enfim, não vem ao caso. Lembrou-me muito uma professora minha que fez seu mestrado sobre o assunto e nos fez classificar todas as interferências gráficas de um filme. O meu, no caso, foi Frida.

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