quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica As Filhas de Marvin

Assim Como Eu e Você

As Filhas de Marvin // Marvin’s Room (1996)

Nota: 9,5


O que será que me fez levar tanto tempo pra ver um filme com Meryl Streep, Diane Keaton, Leonardo DiCaprio e Robert DeNiro? Não consigo pensar numa justificativa plausível. Marvin’s Room era uma peça de teatro que foi adaptada para o cinema,como quase todo o material feito em Hollywood. Quase tudo vem de algum livro, ou alguma peça. Roteiros originais são escassos. E também é dirigido por um diretor de teatro, Jerry Zaks, que vários Tonys. O elenco eu já citei na primeira frase, e o roteiro foi adaptado por John Guare e pelo próprio escritor da peça, Scott MacPherson, que morreu em 1992, anos antes do filme ser filmado e lançado.

A história é sobre duas irmãs, Diane e Meryl. Quando o pai delas sofre um derrame e tica incapacitado, a irmã mais velha, a Diane, se dedica aos cuidados dele e da tia (feita pela Gwen Verdon, a maior bailarina da Broadway nos anos 50 e 60 e esposa de Bob Fosse, diretor de Cabaré), que é doente da coluna desde criança e é viciada em novela, enquanto a mais nova, a Meryl, ignora a família e se muda para outro estado onde se casa, e perde contato. Só que depois de 20 anos a Diane é diagnosticada com leucemia e precisa de um transplante de medula, e entra em contato com a irmã, que vai à sua ajuda com os dois filhos, o Leo, o mais velho, revoltado por nunca ter tido uma presença paterna e é internado numa clínica psiquiátrica após tocar fogo na casa, e o mais novo, um mosca morta.

Vendo esses filmes é fácil para a gente que tá de fora julgar o que é certo ou errado fazer, mas só vivendo a situação mesmo pra saber o que a gente de fato faria ou não. Até que ponto a gente estaria disposto a abdicar da nossa liberdade e individualidade pra ajudar nossos parentes que não têm mais como cuidar de si próprios e precisam de ajuda. E é uma situação muito mais comum do que se imagina. São várias as pessoas que fazem isso, e eu acredito que elas devam viver dilemas internos, sempre se perguntando como seriam suas vidas se elas pudessem ter se dedicado a si mesmas.

Na minha família mesmo teve casos bem parecidos. Eu poderia falar sobre eles, tirando a parte dos dilemas, porque eu não sei o que se passa na cabeça de cada um. Tipo o meu avô que ficou esclerosado, e precisava dos filhos pra cuidar. Uns ajudavam mais, outros menos, como cada um podia, e isso sempre gerava discussões entre eles. Pouco tempo depois que ele morreu a irmã solteirona dele que morava sozinha no interior trilhou pelo mesmo caminho e acabou sendo trazida pra morar na capital com a minha avó, onde ela veio a falecer também.

Ela não era das pessoas mais fáceis de lidar. Minha avó, que conviveu com ela desde jovem, que o diga. Eu me lembro de quando eu era criança e ela vinha visitar e começava com as brincadeiras chatas dela. Puxava a chupeta e beliscava. Eu tinha ódio. Quando eu cresci passei a levar as chatices dela na brincadeira. Ela às vezes se irritava, achava que eu tava debochando dela. Talvez eu estivesse mesmo... E no fim ela já nem se lembrava mais de mim, então cada vez que me via eu era um intruso diferente no mundo dela, e o tratamento dependia do humor dela no dia. Mas a gente gostava dela. Talvez por ser família. Tenho certeza que as opiniões das outras pessoas sobre ela eram diferentes.

Voltando ao filme, acho que a única crítica que poderia fazer a ele é sobre o cartaz. Por ele, parece ser uma história de uma família de classe média alta, e é bem longe da realidade. No filme a Diane assume as rugas e a idade e no cartaz não aparenta nada disso. Nem dá pra notar como a Meryl é cafona. Dá pra ver pelas outras fotos do post. Outra crítica seria em relação da utilização da canção feita pela Carly Simon para o filme. Apesar da letra meia-boca, a melodia é linda, e deveria ter sido usada durante o filme, e não nos créditos finais.

Apesar da carga dramática do filme, ele também prima pelo senso de humor. Sabe quando a gente ria das excentricidades da Shirley MacLaine em Laços de Ternura? Aqui a gente pode rir da tia avó que tem problemas da coluna e anda com uma maquininha que dá choques anestésicos, da falta de decoro e compostura da Meryl e das tentativas do Leonardo de chamar atenção.

Filmes como esse também me provam como a Meryl é de fato a maior atriz de Hollywood. Ela pode fazer uma sobrevivente de campos de concentração, uma lésbica, uma freira intransigente, uma editora de moda, uma líder sindical, uma artista em reabilitação ou uma amalucada como a Lee todas com a mesma intensidade. Ano que vem ela pode ganhar mais um Oscar por Julie & Julia, mas já na primeira premiação da temporada, a vencedora foi a Hillary Swank... Será que a Academia vai preferir dar um terceiro Oscar pra Hillary antes da Meryl?

sábado, 21 de novembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Lua Nova

Lua Cheia de Amor: Quem Tem Medo do Lobo Mau?

A Saga Crepúsculo: Lua Nova // The Twilight Saga: New Moon


Nota: 5,5


Como o dinheiro move montanhas, e há mais livros continuando com a história, mesmo que má e porcamente pelo andar da carruagem, os estúdios não perderiam a oportunidade de arrancar dinheiro do bolso de adolescentes fanáticas que ainda não sabem diferenciar arte de comércio, e gente como eu que pagam só pra ter argumento pra meter o pau. Porque, sinceramente, a história do primeiro, que dizem ser menos fiel ao livro, que eu não li e jamais lerei, é muito superior. Só peca quando cai naquela babaquice de mordida, sangue, veneno, a luta do bem e do mal, espada de Greyskull, etc. e tal. E aqui é praticamente só isso que tem. O pouco que difere disso e lembra o primeiro filme não convence. Ainda mais porque todas as personagens mudam seus comportamentos.

Bom, depois do final feliz do primeiro filme, a história continua no aniversário da Bela. Ela acidentalmente se corta com um papel de presente e provoca tumulto na casa do vampiro-purpurina, que brilha ao sol feito a Priscilla no deserto. É aí que Pattinson realiza que o relacionamento é inapropriado e dá um pé na bunda na coitada, no meio da floresta. Ela já devia ter feito uma sangueroska e dado pra esse povo faz tempo, francamente... Com sangue de galinha mesmo, eles nem iam notar a diferença. Aí ela dá adeus à menina segura, decidida e independente e vira uma espécie de Penélope Cruz em Vicky Cristina Barcelona, sem o furor latino. Uma mulherzinha histérica e descontrolada, fazendo merda a torto e direito, gritando feito uma louca noite adentro por causa de um pesadelo à toa. A feminista virou donzela de conto de fada. Eu a tinha jogado no hospício de Garota Interrompida do lado da Angelina Jolie. Ela ficava boa do fricote logo, logo.

A Kristen cada vez mais me lembra a Jodie Foster. Em todos os sentidos, se é que vocês me entendem... E ainda fazendo par com o Pattinson, que é canastrão até nos músculos desenhados com maquiagem (foto acima), é que fica mais difícil de digerir o motivo de tanto deslumbramento. Imagina o bafo de sangue de cavalo que ele deve ter... No primeiro colou, mas dessa vez tem concorrência. E desleal. Então não dá pra engolir o romancezinho adolescente. Ainda mais porque são adolescentes (ela, no caso, ele é mais velho até do que o Nino do Castelo Rá-Tim-Bum, só não envelhece). Mudam de opinião como quem muda de roupa.

Após o abandono ela "busca esquecer" o purpurina reformando uma moto velha com ajuda do Jacob, feito pelo Taylor Lautner, o cabeludo cafona do primeiro filme, e ali floresce uma nova paixão. O filme extrapola o nível do fantasioso. Quando um jovem musculoso e bronzeado (mesmo morando no frio e chuvoso estado de Washington) aparece seminu no quarto de uma adolescente de 17 anos, e claramente há atração física entre eles, o que acontece? Pois é, só aqui que não acontece nada... É muita pureza pra minha hipocrisia. Nem a filha da Sarah Palin lá no Alasca (provavelmente por muito menos) deixou passar, quanto mais esses dois.

Só que o que ela descobre depois é que o novo peguete dela é lobisomem. Na boa, essa menina é um imã de esquisitice. No próximo filme deve ter o encontro do Papai Noel com Coelhinho da Páscoa, só pode. Pé Grande, Múmia, Frankenstein, Penadinho, todo mundo na fila pra aparecer também. Saci Pererê e Mula Sem Cabeça não chegam lá porque é longe e frio. Qualquer dia também vai encontrar os smurfs, porque ela não é Chapéuzinho Vermelho, mas adora se enfiar num mato. E só encontrou vampiro e lobisomem até agora. Já dá pra soltá-la na Amazônia, porque pra quem encara vampiro e lobisomem, sucuri e onça pintada ela tira de letra.

O outro filme era menor, de baixo orçamento, e com o sucesso ganhou mais verba pras seqüências, tiraram a diretora e trouxeram o diretor de A Bússola de Ouro, expandiram o elenco, contrataram a Dakota Fanning, que era adorável em Uma Lição de Amor, e agora tá crescendo e me lembrando um pouco as gêmeas Olsen, e o Michael Sheen (foto acima), de Frost/Nixon e A Rainha, mas os efeitos especiais continuam ruins. Nenhum dos lobisomens parece real. Parecem personagens de vídeo game. E logo no começo, quando a Bela tira uma foto dos amigos, o efeito que fizeram no visor da máquina é péssimo. A maquiagem melhorou pouca coisa só.

O roteiro tampouco ajuda. Tem uns diálogos tenebrosos e umas cenas sem pé nem cabeça. A cena da Bela deprimida no quarto fazendo nada enquanto o tempo passa e ela pensa na morte da bezerra, foi muito melhor feita há 10 anos atrás em Um Lugar Chamado Notting Hill, com o Hugh Grant andando por uma feira enquanto as estações mudam. E ainda tinha o Ronan Keating cantando "When You Say Nothing At All" de trilha incidental, pra dar mais charme. Ou é "Ain't No Sunhine", não lembro mais... Faz dez anos já. Outra coisa que eu não entendo é por que em todo filme que alguém foge vai parar no Rio. Já virou esconderijo oficial de Hollywood. Pelo menos esse gênero é prato cheio pra tirar sarro. Continuarei a ver as seqüências pra ainda ter muito deboche pra escrever!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Garota Interrompida

Eu Sou Rebelde Porque o Mundo Quis Assim…

Garota Interrompida // Girl, Interrupted

Nota: 9,5

Esse filme completa agora 10 anos, e eu continuo gostando tanto quanto quando eu vi pela primeira vez. No fim dos anos 80 e começo dos anos 90 Winona Ryder vinha se tornando uma das mais promissoras atrizes de Hollywood, fazendo filmes de sucesso como Minha Mãe É Uma Sereia, Edward Mãos de Tesoura, A Época da Inocência, Drácula e Adoráveis Mulheres. A própria Winona produziu esse filme praticamente (aparentemente...) com uma forma de estabelecê-la de vez na indústria como grande estrela, grande atriz, e ela poder levar o Oscar, que ela teve nas mãos alguns anos antes, mas deram pra Anna Paquin.

Só que havia no meio do caminho uma Angelina Jolie, que roubou a cena. E o Oscar... Depois disso teve o escândalo dos roubos e a carreira dela foi pelo ralo de vez. Acho que se de fato a intenção dela era ganhar prêmios, ela deveria ter agarrado o papel da Lisa, feita pela Joile, porque é de longe o personagem mais interessante do filme, apesar de ser coadjuvante. Mas pelo menos ela acrescentou mais um filme bom no currículo.

Eu fico às vezes tentando imaginar qual a cena memorável dela no filme, mas não consigo escolher uma. São todas ótimas. A do fantoche (foto acima), a da solitária, a que elas cantam Downtown, as duas da sorveteria, e várias outras. A cena que mostraram no Oscar durante o anúncio das indicadas é muito boa, mas pegaram o trecho mais sem graça. Provavelmente não escolheram outra porque ela fala palavrão em todas. E palavrão na TV é o fim do mundo. Acho que só Dercy Gonçalves pra falar palavrão na TV e ninguém dar valor. Ela já tava velha caduca mesmo, então se passava por espontaneidade. Isso no Brasil, por outras bandas acho que nem deve haver exceções.

Garota Interrompida é baseado em um livro autobiográfico escrito por Susanna Kaysen, sobre o tempo em que passou internada numa clínica psiquiátrica. Após tentar suicídio, Susanna, interpretada pela Winona (esquálida!), é internada numa clínica psiquiátrica e diagnosticada com distúrbio Borderline (não tem nada a ver com a música da Madonna). Pesquisei e descobri que em português o nome é transtorno de personalidade limítrofe. Ela reage bem ao tratamento, até começar a se influenciar por Lisa, feita pela Angelina, a sociopata internada na clínica há 8 anos.

Ainda no elenco tem a Brittany Murphy, num dos raros momentos em que ela não está em uma comédia, fazendo uma menina abusada sexualmente, Jared Leto, como o namorado da Winona, prestes a ir à Guerra do Vietnã, Vanessa Redgrave como a psiquiatra do hospital, e a Whoopi Goldberg como a enfermeira-chefe. A direção é do James Mangold, que fez depois Kate & Leopold e Johnny & June, dois filmes que eu também gosto muito.

Esse filme também marcou o fim de uma fase da Angelina. Tava no auge da revolta, tinha feito trabalhos de sucesso seguidos, como George Wallace e Gia, que a renderam diversos prêmios, casou-se com Billy Bob Thornton, caprichou nas esquisitices e virou alvo freqüente dos tablóides e das colunas de fofoca. Depois ela só colecionou filmes fracos, como Tomb Raider, Alexandre e Sr. e Sra, Smith, que eu até acho divertido, mas é mais famoso por outros motivos.

Só agora que ela tá voltando aos trilhos, fez A Troca e O Preço da Coragem (que eu não gosto, mas já é uma evolução), e virou humanitária, adotando crianças carentes, seguindo os passos da Mia Farrow. Tomara que a Zahara (ou o Maddox, pelo andar da carruagem...) não roube o Brad dela. Comentário infame, eu sei... Ela agora substituiu o Tom Cruise no elenco do policial Salt. Refizeram o roteiro só para ela estrelá-lo. Deve estrear no verão de 2010 nos EUA.

Enfim, o filme tem um ritmo ótimo, prende a atenção do começo ao fim, o elenco totalmente em sintonia, apesar de a Angelina ter todos os bons momentos e a trilha sonora dos anos 60 é um veludo para os ouvidos, com Simon & Garfunkel, The Mamas & The Papas, Jefferson Airplane, The Band e principalmente End of The World da Skeeter Davis e Downtown da Petula Clark. O tema é um dos meus favoritos. Acho pano pra manga pra boas discussões. Apesar do meu entusiasmo, o filme não teve das melhores repercussões. A própria autora do livro achou o filme tendencioso e melodromático por criar situações que não existiram, e, portanto, não estão livro. Mas ela viveu a situação real, nós não, então não saberíamos exatamente o que é real ou não na história. Mas o que aparece na tela me agradou.

sábado, 14 de novembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Tudo Pode Dar Certo

Uma Virada do Destino

Tudo Pode Dar Certo // Whatever Works


Nota: 9,0


Filme do Woody Allen a gente reconhece só pelos créditos inicias. Aquelas músicas antigas, que eu acredito que devem ser todas dentre a década 20 e 50, e fundo preto com letras brancas, fonte Benguiat, a mesma do cartaz aí do lado (é só clicar na imagem pra aumentar). Além, é claro, do chato neurótico verborrágico, que quando ele atua nos seus filmes, ele mesmo faz o papel. Eu já passei a acreditar que ele é assim, e esses personagens são sempre uma forma que ele encontrou de se ver dentro de outras realidades, vivendo novas situações, ou fazendo coisas que ele não poderia fazer e satisfaz essa vontade através dos filmes.

Bom, o chato neurótico da vez é o Larry David, que já foi chato neurótico do seriado "Curb Your Enthusiasm" por um bom tempo, então ele sabia bem o que fazia. No filme ele conta sua história, como o primeiro casamento não deu certo e como o inesperado aconteceu na sua vida. O inesperado responde pelo nome de Evan Rachel Wood, linda como sempre, fazendo uma menina do Mississipi (sul dos EUA), com aquele sotaque bem característico. Eu gosto da Evan. Desde Aos Treze e Correndo Com Tesouras que já dava pra ver que ela era boa atriz, tanto que pelos filmes a gente nem nota que é louca o suficiente pra namorar o Marilyn Manson. Só nunca a tinha visto fazendo comédia.

Então a Evan aparece na sua porta como uma menina fugida de casa, sem ter pra onde ir, procurando por comida e abrigo, e encontra seu alento no Larry. Ela é ingênua e tratada como a personificação da burrice universal por ele, que é um chato de galocha, mais salgado que carne de sol, pessimista, resmungão e hipocondríaco, mas ela se encanta pelo gênio que ele se auto-proclama ser, e pela sua suposta inteligência e ele gosta de transmitir todo o seu conhecimento à ela. Aí eles vão aprendendo a conviver um com o outro e o relacionamento deles se desenvolve.

Bom, o elenco ainda tem mais gente, que só aparece depois e eu não vou dizer exatamente o que eles fazem pra não entregar detalhes da trama. Tem a Patricia Clarkson, que também fez Vicky Cristina Barcelona e foi indicada ao Oscar por Do jeito Que Ela É (que eu adoro), como a mãe da Evan, o Ed Begley Jr. faz o pai, e geralmente tem o bonitão da trama, que tem como intuito fazer o chato neurótico (já que o universo gira ao seu redor) se sentir inferior (o que é uma neura a mais pra quem já tem tantas?), função atribuída ao Henry Cavill, do seriado The Tudors, e há alguns anos atrás foi considerado o ator mais azarado de Hollywood por perder 2 papéis pro Robert Pattinson (em Crepúsculo e Harry Potter), e os papéis em Superman Returns e na série 007 pro Daniel Craig. Eu sinceramente não consideraria tanto azar assim, tirando Crepúsculo. Mas perder trabalho pra toda aquela competência dramática do Robert deve ser muito frustrante...

Olha, Woody Allen no começo do ano ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia por Vicky Cristina Barcelona, mas pra mim ele não chega aos pés desse. Aqui tem piada até em letreiro, como o nome da banda do show de rock que a Evan vai. E o filme só cresce com o passar do tempo. O começo pode ser meio indigesto porque agüentar o chato é dose pra leão, mas a partir do momento que aparece a Evan, que é responsável por quase todas as deixas cômicas (e por mim devia ser pelo menos indicada ao Globo de Ouro de atriz em comédia, porque quem vai ganhar mesmo é a Meryl por Julie & Julia), tudo muda, e a entrada da Patrícia também é triunfal. O Henry aparece pra arrancar os suspiros, e o Ed é só a cereja no topo.

Ainda bem que o Woody deu uma desencanada da Scarlet Johansson. Duvido que ela se sairia tão bem quanto a Evan. Legal ver Woody voltando pra sua amada Nova York também, depois de filmar alguns filmes na Europa já que não conseguia financiamento nos EUA. Mas mesmo assim o filme teve lançamento limitado a poucos cinemas só. Nem sei se estreou ou vai estrear no Brasil. Uma curiosidade é que o roteiro já estava escrito desde os anos 70, mas foi arquivado. Ele decidiu produzir durante a greve dos roteiristas em 2008 e só teve que mudar algumas das referências dos diálogos, pra ficar atual. Incrível ver como as críticas à hipocrisia do moralismo religioso (cristianismo, no caso) ainda continuam válidas hoje em dia. E provavelmente sempre serão...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Amor Por Acaso

Quem Vê Cara Não Vê Coração

Amor Por Acaso // Love Happens

Nota: 6,0

Quando eu vi o trailer eu me encantei. Talvez por causa da música de fundo. "Better Days" do Goo Goo Dolls. Adoro a música, adoro a banda, etc. Mas ela nem toca no filme... Senti falta. Enfim, besteiras a parte, o filme é dirigido pelo Brandon Camp e o roteiro é do Mike Thompson. Muito prazer... Outro atrativo pra mim foi o elenco. Amo Jennifer Aniston desde o primeiro episódio de Friends, e ainda tô esperando ela se estabelecer no cinema. Acho que ela só fez uns dois ou três bons papéis. O Aaron Eckhart também tem a minha admiração desde Obrigado por Fumar, Batman, Sem Reservas, etc. Ainda tem a Judy Greer que normalmente faz filmes que eu gosto, sempre como coadjuvante, como Elizabethtown e Vestida Pra Casar. De Repente 30 a gente ignora...

Bom, a história é sobre o Aaron, um viúvo que transformou a perda da sua esposa em diário, e depois foi convencido pelo seu empresário maniqueísta a transformar tudo isso em livro. A partir daí ele virou uma espécie de guru da auto-ajuda de araque, à La Walter Mercado, só que menos alegórico, vendendo falsas soluções às pessoas, tipo esse monte de “religião do sétimo dígito” que se proliferam pelas esquinas. Escrevendo isso eu pude ver como esse tema podia ser um ótimo filme. Charlatanismo, religião, mentir pra si mesmo, etc. Esse filme podia ser muito bom...

Enfim, aí entra a Jennifer na história como uma florista trabalhando no hotel em que ele tá dando palestra, e ele se interessa por ela. Aí transformam tudo em romance, como o próprio título denuncia. Só que a imagem de superação que ele vendia é uma completa farsa porque ele nunca superou a perda e não está preparado pra se envolver com ninguém antes de resolver seus problemas primeiro. Enfim, a história não é tão interessante quanto soa. Não se engane.

O problema dos romances é que a fórmula é mega gasta. Tem que ser muito criativo pra trazer coisas novas. Cair no lugar comum, no óbvio, nas cenas clichês, que todos os outros do gênero têm é o que acontece com 95% deles. O filme é facílimo de ser decifrado. Nada surpreende. As cenas são todas comuns, apesar dos atores serem bons, o roteiro não dá espaço pra eles brilharem. A gente vê uma diferença gigantesca entre o desempenho da Judy aqui e em Vestida pra Casar. O papel é o mesmo, a melhor amiga da protagonista loira. Só que no outro ela tinha vida, aqui ela não faz nada. Ainda tem o Martin Sheen (Apocalipse Now, Os Infiltrados e o seriado The West Wing), pai do Emilio Estevez, Charlie Sheen e Cia ltda., que faz o sogro do Aaron.

É um exemplo clássico de como edição é tudo no mundo do cinema. Você sai cortando tudo, montando como quer, coloca uma música legal e faz um mega trailer de algo bem meia-boca. Ou então pode mudar tudo de contexto e transformar em algo completamente diferente, como algumas pessoas fazem e postam no YouTube. Lembro de um vídeo que transformaram Curtindo A Vida Adoidado (que eu detesto, tenho ódio, acho o Ferris um vigarista, um picareta em desenvolvimento, o tipo de gente que cresce e vira político ladrão, e tinha total simpatia pela irmã dele) num romance gay, só remontando as cenas. Tem vários outros exemplo aqui. Se você souber inglês, vale à pena conferir.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Fama (2009)


When Will I Be Famous?
(I Can’t Answer That…)


Fama // Fame (2009)

Nota: 5,5

Quando eu li que estavam refilmando Fama, que eu já havia comentado aqui, eu sinceramente não sabia o que esperar. Mas sabia que esse novo ser tão bom quanto o primeiro ia ser praticamente impossível. E eu acertei. Mas filme tem suas qualidades. Eu só não as encontrei... Brinks! Dá pra citar algumas coisas boas do filme, mas dá pra citar mais os pontos negativos, porque são muito mais evidentes, e não dá pra assistir esse filme e não comparar com o original. Então mãos à obra!

Bom, o filme original acompanha a vida de jovens estudantes da escola de artes performáticas de NY. Esse aqui segue a mesma linha, mas com histórias diferentes, e que não deixa de ser uma faca de dois gumes. Se refazer cena a cena seria arriscado, mudar as histórias parece uma saída mais inteligente, porém elas podem ou não serem melhores que as originais. Não há como não cair na comparação. É uma batalha perdida. Se eu tivesse o poder de tomar decisões em uma produtora, refilmagens seriam proibidas, salvando raríssimas exceções. Porque pra sair um “Os Infiltrados”, saem antes mil “Psicoses” ou “Famas”.

No filme original a gente vê jovens lutando pra se superarem. São pessoas comuns, com seus problemas pessoais, e cada um com seu charme. Aqui já segue aquela linha seriado de TV adolescente. São todos lindos. Aquele universo paralelo que só existe em catálogo de agência de modelos. E são inexpressivos. Aparentemente menos talentosos que os jovens do filme antigo. Naquela época os recursos tecnológicos não eram tantos. Ou se tinha talento ou não. Hoje em dia podem transformar qualquer um em um grande cantor. Os efeitos especiais podem dançar por eles. Tudo parece muito pasteurizado, mecânico.

O filme original é de quase 30 anos atrás, mas o atual é muito mais careta. Esse povo não faz sexo, não tem um gay, não se toca em tabu nenhum, ninguém usa drogas. Não que eu faça apologia a drogas, longe disso, mas a gente sabe que o meio artístico sem tudo isso que eu listei não existe. O filme não expressa a realidade. As personagens são rasas, mal desenvolvidas, todas com os mesmos problemas. Lembrou Mudança de Hábito 2. Os jovens que vão contra a vontade dos pais e tentam ser artistas. E todos só se dão mal durante o filme, naquela seqüência de clichês. Dois são enganados, a outra quer uma coisa, a família quer outra, só perto da formatura a professora diz a um rapaz que ele nunca será bom o suficiente (o que eu achei de última, em todos os níveis imagináveis), entre outras situações afins. Enfim, aparentemente são todos medíocres. Fica aquela coisa, por que eu tô vendo isso então? Nem nos supostamente talentosos a gente bota fé no fim das contas.

Recriaram algumas das cenas clássicas como a dos alunos cantando na cafeteria, a da graduação e da Irene Cara cantando "Out Here On My Own" (vídeo clipe com várias do filme original aqui e apenas a cena aqui), mas achei bem inferiores às originais, inclusive as canções. A menina que canta é a melhor coisa do filme. É bonita, canta bem, mas mas não há a mesma profundidade, o mesmo sentimento. Pelo menos não tentaram refazer a cena da música tema em que os alunos dançam nas ruas. Usaram a versão nova pros créditos finais.

Os premiados Kelsey Grammer (Frasier) e Megan Mullally (Will & Grace) estão perdidos num roteiro que não os deixam crescer. Pelo menos o Kelsey tem a melhor fala do filme, quando um aluno reclama de ter que tocar música clássica no piano. Colocaram uma cena para a Megan cantar, mas eu achei a voz dela irritante. Funciona fazendo comédia, como ela fazia com a Karen, que a deu dois Emmys e três prêmios do sindicato. Adoro quando ela canta "Unforgettable" no último episódio da série. Mas fora dessa perspectiva eu não achei interessante. O lado bom é que esses jovens têm a chance de aparecer e tentar coisas melhores depois. Mas da próxima vez, fujam de refilmagens. Footloose, nem pensar! Previsão de outra bomba vindo por aí. A não ser que mudem totalmente o enfoque, como fizeram com Hairspray. Fica a dica.