quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Tudo Por Amor

Ainda Encontro A Fórmula do Amor

Tudo Por Amor // Dying Young

Nota: 8,0


Quando eu era criança passava direto propaganda no SBT de que esse filme estava disponível nas locadoras. A minha mãe era louca pra ver e pedia pra gente alugar pra ela quando fôssemos à locadora com o meu pai. Nessa época a gente só via coisas infantis como Snoopy, Smurfs, Snorkels, Alice, Garfield, Pernalonga, Ligeirinho Gonzáles e os que me traumatizaram, chorei rios e não quero ver nunca mais: A Pequena Vendedora de Fósforos e A Turma da Mônica e a Estrelinha Mágica. Enfim, no começo a gente nunca achava o filme. Era o primeiro romance pós Uma Linda Mulher da Julia Roberts, que tava na moda na época, e tava sempre locado. Depois de um tempo a gente achou e levou pra ela ver. Eu lembro de ter visto com ela, mas não entendi patavinas. Também não tinha cabeça pra entender mesmo naquele tempo...

A história é aquela água glicosada de sempre. Eles se apaixonam, mas um deles tem uma doença séria. Ele na verdade. Leucemia. A Julia tava na fase seria Ariel/Jessica Rabbit com aquele cabelo enorme e vermelho super-ultra-hiper-mega-über falsiei. Ela faz Hillary, uma moça de 23 anos com aquela carinha de 35, que pega o namorado com outra e larga o traste. Aí ela volta pra casa da mãe, a Ellen Burstyn, que também foi mãe da menina endiabrada de O Exorcista.

Só que a mãe a enlouquece e ela tem que arrumar um jeito de dar o fora dali, então responde a um anúncio no jornal pra ser enfermeira do Campbell Scott, que eu nunca entendi por que ele nunca virou um dos grandes galãs de Hollywood. Ele é muito melhor ator que a maioria dos atores da idade dele, e mais bonito também. No começo ela é escurraçada pelo pai do doente, mas o rapaz a chama de volta e a contrata. O resto todo mundo já sabe como termina só de ver a capa.

Foi interessante ver o filme pra mim porque ele se passa entre Oakland, São Francisco e outra cidade lá. Algumas cenas foram filmadas aqui bem perto de casa, já que a mansão do Campbell fica aqui pertinho. É legal ver como as coisas mudaram, tipo os postes nas ruas. Não tem mais nenhum, pelo menos por aqui pelas redondezas. A hidratação de maionese da Julia também foi uma novidade. Já ouvi falar em ovo, babosa, chocolate, e diversas outras coisas, mas maionese foi a primeira vez.

Esse é um dos famosos clássicos não-classicos. Tem todos os ingredientes do sucesso, mas não emplacou. A trilha romântica do James Newton Howard, que é linda e por mim merecia um Oscar, toca o filme inteiro, como em todo romance. No mesmo estilo de Endless Love, My Heart Will Go On, I Have Nothing, The Way We Were, etc. A versão orquestrada do James é linda demais, mas virou hit sensação na versão em saxofone do Kenny G, que naquele tempo nem era tão nojento até virar trilha sonora obrigatória de todo casamento, festa de 15 anos, flashback de rádio, bailinho, sarau e quermesse. A trilha até hoje é famosa, o filme nem tanto...

A Julia continuou mega estrela, fazendo sempre os mesmos papéis. Aqui é uma reprise dramática dela mesma em Uma Linda Mulher, a “bela” pobretona que enlaça o ricaço, não sabe comer comida fina, tipo carpaccio, no restaurante de luxo e adora um pancadão na periferia... O diretor Joel Schumacher, que já tinha até feito sucesso antes com Os Garotos Perdidos e O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas, fez vários filmes de sucesso depois. Mas fez também o Batman com o George Clooney, o do famoso terno com mamilos, e O Fantasma da Ópera de 2004, aquela bomba.

Talvez o lugar ao sol e nas estantes não seja cativo porque o final não é tão lacrimejante quanto os demais romances, tirando as comédias românticas, que todas têm finais felizes. Talvez o problema seja também os títulos. O título original já é péssimo, “Morrendo Jovem”. A versão brasileira é menos macabra, mas é brega de doer. Supra-sumo do clichê. Mesmo metendo o pau, eu não consigo pensar em algum outro título que seja adequado, elegante e atrativo. Mas tudo bem. Título cafona, Julia Roberts de sereia Ariel e Kenny G topado na vitrola, tá tudo em sintonia.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Loggerheads

Coisas Que Perdemos Pelo Caminho

Loggerheads

Nota: 9,5

Ultimamente não tenho tido tempo pra quase nada e quase não tenho visto filmes. Por isso que mal tenho atualizado o blog. O curso tem enlouquecido e consumido todo o meu tempo... Espero poder ir ao cinema esse final de semana e ter mais assunto sobre o que escrever, pra que o blog não fique abandonado por muito tempo. Hoje tive um tempinho e vi esse filme que eu já tinha ouvido falar várias vezes, mas nunca tive como ver. Esses filmes independentes sempre me lembram como o cinema descom-promissado com bilheteria é superior. Passam longe da obviedade e dos clichês caça-níqueis.

O elenco tem algumas pessoas que eu já conhecia também, como o Kip Pardue, que fez Regras da Atração, Aos Treze, e faz uma pontinha num outro filme independente que eu amo, Heróis Imaginários. Tem a Bonnie Hunt, que fez vários seriados de TV, fez toda a série Beethoven, Jumanji, Jerry Maguire e À Espera de Um Milagre. O Chris Sarandon, primeiro marido da Susan Sarandon, que fez Um Dia de Cão e a Tess Harper, que teve dois castigos na vida: fazer parte do elenco de Ishtar, aquele filme do Warren Beatty e do Dustin Hoffman que é considerado um dos piores filmes de todos os tempos, e foi mulher do Tommy Lee Jones em Onde Os Fracos Não Têm Vez.

Bom, o filme tem três histórias paralelas que ocorrem em tempos diferentes, tipo As Horas, mas elas não são tão distantes umas das outras temporalmente. A Bonnie faz uma atendente de uma locadora de carros em um aeroporto que vive com a mãe, larga o emprego e tenta encontrar o filho que ela foi obrigada a entregar para a adoção quando tinha 17 anos. O Kip faz um andarilho sem-teto obcecado em salvar tartarugas marinhas (as loggerheads do título), e acaba conhecendo George, que é dono de um motel na cidade e o oferece um quarto pra ficar. A Tess faz uma esposa de ministro evangélico dividida entre seguir os ensinamentos do marido, ou de Deus, sei lá, ou seguir seu coração.

Esse é um filme de 2005 do diretor/roteirista Tim Kirkman, que eu nunca ouvi falar e o IMDB me disse que esse é o último filme que ele fez, e é baseado numa história real. O filme estreou no festival de Sundance e ganhou diversos prêmios em outros festivais mundo afora. Foi filmado em 2004 na cidade de Wilmington, mesma cidade em que Dawson’s Creek era filmado também. Quase todo mundo que me conhece sabe que eu amo Dawson’s Creek. Amava há 10 anos atrás pelo menos.

É uma pena que filmes assim não sejam tão reconhecidos nas premiações, salvo raras exceções, ou consigam espaço nas salas de projeção. Enquanto isso a gente agüenta transformers, x-mens, bruxos e duendes, comandos em ação, passeios intergalácticos, tiros, sangue e comédias acerebradas diversas o ano inteiro. Quem gosta de tudo que eu listei na frase anterior provavelmente vai detestar esse filme, já que são ritmos totalmente diferentes. E não tem explosão nenhuma também. Só diálogos, expressões, olhares e sentimentos.