sábado, 12 de setembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Aconteceu em Woodstock

Jovens, Loucos e Rebeldes

Aconteceu em Woodstock // Taking Woodstock

Nota: 9,0

Woodstock. Ang Lee. Imelda Staunton. Emile Hirsch. Liev Schreiber. Não tinha como dar errado. Bom, não era o que eu esperava na verdade. Eu adorei o trailer, achei bem diferente do normal. E interessante. Ang Lee é um bom diretor. Adoro Razão e Sensibilidade, Brokeback Mountain e The Ice Storm. A gente pode esquecer O Tigre e o Dragão... Ele mostra muita sensibilidade no seu trabalho. As cenas silenciosas, suaves músicas, olhares, gestos, tudo isso é bem característico do cinema oriental, e do dele, que faz um híbrido entre as duas concepções.

O filme é sobre Elliot Tiber, feito pelo Demitri Martin, que é famoso por fazer standup comedy, um jovem formado em design de interiores frustrado que desiste das suas ambições pra ajudar os pais que têm um motel (que nos EUA é um hotel de beira de estrada, e normalmente não tem as mesmas finalidades dos motéis no Brasil...) caindo aos pedaços. Tem algo bem interessante aí no trio. O Demetri tem 36 anos e faz um cara de vinte e poucos. Já os pais dele são feitos pela Imelda Staunton e pelo Henry Goodman (que eu não conhecia) e aparentam ter bem mais idade do que realmente têm. E funciona bem. Lembrou-me um pouco aqueles seriados de TV com adolescentes de 25 anos, com pais de 35, tipo The OC e Barrados no Baile.

Bom, o Demitri, digo, o Elliot desiste um pouco da sua carreira na cidade grande pra ajudar a mãe muquirana e o pai passivo no interior de Nova York. Eles tentam recuperar o motel, mas não conseguem empréstimos. Então ele decide usar o local deles pra sediar um festival de música, de público hippie, hoje mundialmente famoso, para conseguir o dinheiro que precisam. Apesar de terem contra eles a oposição da população da cidade, eles têm a ajuda do Liev Schreiber, ou melhor, Vilma, o travesti ex-soldado da Guerra da Coréia que serve como segurança, e Billy, o Emile Hirsch, um soldado porra-louca recém chegado do Vietnã e Max, o paizão do American Pie Eugene Levy, que também cede sua fazenda para os shows.

Apesar de o filme ter tido críticas apenas razoáveis, eu gostei muito. Não vou mentir que eu esperava ver mais dos shows, e não só apenas os bastidores. Mas retratar Hendrix, Janis Joplin, The Who, Joan Baez, Joe Cocker poderia ser bem arriscado também. A não ser que usassem gravações reais da época, como em Milk, por exemplo. Eu tava vendo a lista dos shows que aconteceram na época, e deve ter sido do c******! Mesmo não sendo chegado nos higiênicos hippies, nem na erva, e muito menos nos ácidos... Mas o roteiro é baseado num livro autobiográfico do próprio Elliot, que era sobre os bastidores em si, então.

Como o Ang é bom no que faz, ele jamais deixaria o filme ser uma porcaria. As interpretações são todas boas, especialmente da Imelda, que tá brilhante como a sovina e ranzinza mãe do Elliot, correndo com uma vassoura para os depravados cobrirem suas vergonhas. Por mim ela deveria ser ao menos indicada a prêmios como coadjuvante. Depois de perder um Oscar pra Hillary Swank ela merece ser recompensada de alguma forma, até porque ela é uma grande atriz britânica, e bastante reconhecida.

Tem-se criticado muito o grupo “teatral” que ensaia no celeiro da família do Elliot, que é pra lá de ridículo por sinal. Acham as cenas apelativas, pela nudez e tal. Mas anos 60, hippies, falta de noção, de sentido, de higiene, nudez, tem tudo a ver! Vem tudo no mesmo pacote. Não pode ser vendido separadamente. As críticas se estendem ao Liev também, por ele ser másculo demais pra fazer a Vilma. Mas cá entre nós, um travesti veterano de Guerra e segurança de Woodstock não poderia ser um frangote magrelo. E além do mais ele foi baseado numa pessoa real, deve ter uma descrição dela no livro, além de a produção ter feito um estudo dos personagens antes de escalar o elenco. Eu suponho que a Vilma real deveria ter sido bem daquele jeito mesmo.

Enfim, não tenho muito mais o que dizer, além de que gostei e gostaria de revê-lo. Ele foi um dos filmes apresentados em Cannes, em que o Emile Hirsch apareceu de skate e com praticamente a mesma roupa que usou no vôo de LA pra lá. Garoto estiloso... O filme não teve a mesma má impressão que Bastardos Inglórios, mas não tem conseguido a mesma bilheteria do outro, que na verdade é a maior arrecadação em uma estréia da carreira do Tarantino. Vai entender... Também fiquei mais curioso do que já era pra ver os shows de Woodstock. Vou procurar DVDs e documentários assim que a faculdade me der uma trégua.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Bastardos Inglórios

Obs: Esse foi um texto feito logo após ver o filme. Hoje (junho/2011) minha nota seria 9,5.

Oh, My God! They Killed Kenny!

Bastardos Inglórios // Inglourious Basterds

Nota: 7,5


Tarantino é dos meus diretores atuais favoritos. Então apesar do tema guerra/holocausto já ter me saturado faz tempo, não foi nenhum sacrifício assistir o novo filme dele. Eu sabia que dali iria sair uma maneira interessante de abordar o tema. E não estava enganado. Ele o definiu como um faroeste de catchup da Segunda Guerra Mundial. O filme é muito interessante. As histórias são envolventes e prendem a nossa atenção. As 2 horas e meia de filme mal se sente passar. Então vocês podem perguntar o porquê da nota relativamente baixa. Calma, tem explicação. Vou relatar tudo. Sigam-me os bons!

Bom, o filme tem duas histórias distintas que se cruzam sempre e se encontram em certo ponto. Vamos a elas:
#1 – Na França ocupada pelos nazistas, uma família judia se esconde em uma casa no interior, mas são encontrados pelo detetive alemão Hans Landa, que o Tarantino queria que fosse interpretado por Leonardo DiCaprio. Eu o acho um ótimo ator, mas me pergunto como o Leo se sairia falando alemão, francês e italiano... O papel acabou com o ator austríaco Christolph Waltz, que ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes. Enfim, apenas uma moça consegue escapar. Algum tempo depois ela vive em Paris disfarçada de francesa, com o nome falso de Emmanuelle Mimieux, é dona de um cinema, e passa a ser desejada por um soldado alemão, aquele rapazinho de Adeus Lênin, Daniel Brühl, que de certa maneira a força a ceder seu cinema para ser o local da estréia de um filme nazista, com a presença da nata do exército alemão, inclusive Hitler.

#2 – Um exército alternativo chamado Inglorious Basterds, liderado pelo Brad Pitt, caça nazistas e coleciona escalpos dos cadáveres dos alemães recém assassinados. Essas cenas são ótimas... Eles têm vários aliados, como franceses, americanos, ingleses e uma famosa atriz alemã, feita pela Diane Kruger, que era a Helena em Tróia e num primeiro momento me lembrou a Demi Moore, até eu poder ver o seu cabelo louro. Mas eu sabia que não era a Demi... O Tarantino queria a Nastassja Kinski interpretando-a inicialmente. Com a ajuda da Diane, eles descobrem sobre a estréia do filme nazista e armam um plano pra assassinar Hitler e acabar com a guerra.

Apesar das histórias serem totalmente fantasiosas, e de forma alguma servirem para retratar a história, as histórias são ótimas e muito interessantes. Ainda se perguntam sobre a nota... Eu explico. Acho que esse seja o filme com mais altos e baixos que eu já vi. Os créditos iniciais no início são um tédio interminável. Apenas letras amarelas num fundo preto e não acabam nunca. Depois vemos os capítulos do filme, e as histórias começam a interessar. O filme tem muito senso de humor e isso conta muito. Em contrapartida a violência é exagerada. Essa obsessão do Tarantino já passou do nível patológico. Ainda não vi um filme dele em que pelo menos metade do elenco morresse.

Há longas cenas em que se combinam humor negro e suspense. Elas são excelentes. Uma das melhores cenas é a do bar, com a Diane, que é excelente até o final. O elenco também é soberbo. O ator austríaco que faz o caçador de judeus ganhou o prêmio em Cannes, tem o melhor papel do filme de longe, mas a cena que eu vou lembrar pra sempre é o Brad Pitt falando "arrivederci". Apesar de ter sido rotulado como galã desde o início e ser subestimado, sempre o achei um bom ator, desde o tempo de Thelma e Louise e Os 12 Macacos. E ele é um dos poucos atores de Hollywood que conseguiu fazer três grandes performances seguidas. Queime Depois de Ler, Benjamin Button e esse. E são três papéis bem distintos, mas assim como em Queime Depois De Ler, aqui ele usa muito da sua veia cômica.

A Diane também me surpreendeu. Não sabia que ela era tão boa. Eu a vi em Tróia e acho que não vi mais nada dela desde então. Também queria ver mais do namorado dela, o Joshua Jackson, que era o Pacey de Dawson’s Creek, e era o melhor ator deles, junto com a Michelle Williams. Mas o filme dá uma derrapada legal no terço final. Perde totalmente o senso de humor, e foi o que mais me incomodou. O fim bota tudo a perder, porque o Taranta errou a mão dessa vez. Exagerou no seu sadismo já tradicional e dessa vez não deu pra rir. Tanto que o filme não foi bem recebido em Cannes, e ele reeditou para lançá-lo no cinema. E mesmo assim não gostei muito do resultado final dessa versão. Gostaria de ver a versão inicial pra ter noção de quais foram as melhorias. Se é que houve alguma...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Brüno

Tudo Pela Fama

Brüno // Brüno: Delicious Journeys Through America for the Purpose of Making Heterosexual Males Visibly Uncomfortable in the Presence of a Gay Foreigner in a Mesh T-Shirt

Nota: 5,0

E lá vem mais uma odisséia do Sacha Baron Cohen. Borat, eu odiei. Achei tudo de ruim, apesar de ter seus momentos interessantes, tipo a cena do rodeio. Dessa vez o filme é sobre o seu personagem gay, o fashionista austríaco Brüno. A fórmula é a mesma do outro filme. Ambos os personagens vão à América, como se a América fosse um país só... Mas eles têm diferentes finalidades. Enquanto Borat, que é cazaque, quer adquirir cultura nos EUA para poder transmiti-la a seus compatriotas, mas acaba se perdendo pelo caminho quando descobre a quenga-mór da “América”, Pamela Anderson, Brüno só está em busca da fama. Não sei como não adicionaram esse subtítulo clichê ao filme, (Bruno – Em Busca da Fama) já que no Brasil adoram fazer essas associações. Vou fazer um post qualquer dia só com os inúmeros exemplos.

Bom, eu já disse a história do filme no parágrafo anterior. Não há mais história do que aquilo. Dá pra falar agora sobre o formato e alguns acontecimentos do filme. Dá pra ver claramente que o Sacha é um cara muito inteligente e critica aspectos muito interessantes da sociedade. Tipo, o próprio personagem dele é a própria caricatura de subcelebridades que fazem de um tudo pra estar na capa das revistas. Mas a maneira como ele o faz é, no mínimo, de muito mau gosto.

Os personagens, tanto Borat, quanto Bruno, criam visões erradas dos seus países natais. O Sacha é inglês, judeu, etc., mas os personagens são de outros países, e ele cria uma realidade completamente asquerosa do ambiente em que eles vivem. A situação é a mesma de quando os brasileiros se revoltaram com o retrato do Brasil em Turistas. Imagine o que um cazaque pensa quando vê Borat... Ou um austríaco ao ver Brüno. E quanto ao Cazaquistão, eu não faço idéia, mas a Áustria deve ser um deslumbre. Apesar da crítica maior ser aos EUA, mas a menos óbvia, que o público em geral normalmente não capta.

Além disso, há cenas que são feitas apenas pra chamar atenção. Quebram o ritmo, e forçam a barra. Como a cena da sessão espírita em que ele “interage” com o Milli, do Milli e Vanilli, a briga do Borat com o seu agente, a intimidade de Brüno e seu namorado, entre outras. Cenas grosseiras, desnecessárias e totalmente gratuitas. Ok, estou longe de ser puritano, nem nada daquilo me ofende, mas também não há uma razão específica de elas estarem lá além de puramente chamar atenção. Risadas fáceis, para cabeças fáceis.

E por fim, a fórmula do filme em si, que é uma espécie de documentário, que eles chamam de “mockumentary”, algo tipo um documentário de gozação. A idéia é de tudo aquilo ser espontâneo e inesperado, mas não convence. Uma cena ou outra, pode até ser, mas é evidente que no mínimo 90% do filme é ensaiado. Se ainda fosse uma câmera escondida, a gente poderia tentar acreditar em alguma espontaneidade naquilo ali, mas com aquela qualidade de imagem, tantos ângulos e takes, quem seria o idiota que acharia que estava sendo filmado por tantas câmeras sem nenhum objetivo? E no fim das contas, Borat foi uma inovação no cinema, uma novidade. Bessa vez, caiu no mais do mesmo. Não acredito que tenha o mesmo impacto pra indústria. Enfim, resumindo, ainda tá difícil do Sacha me agradar...