quinta-feira, 30 de julho de 2009

Seção CINEMA // Crítica Clube da Luta

Um Tapinha Não Dói...

Clube da Luta // Fight Club

Nota: 5,0

Eu vi esse filme quando ele foi lançado e não gostei. Mas o filme é do David Fincher, ele fez O Curioso Caso de Benjamin Button, que foi um dos últimos “grandes filmes” que eu vi. Tem o Edward Norton, a Helena Bonham Carter, o Jared Leto (num papel abjeto), etc. Então resolvi dar uma chance ao amor e revi. Minha opinião: Bom nos primeiros 20 minutos. O filme perde a graça quando o Brad Pitt aparece. Nada contra o Brad, muito pelo contrário, eu gosto dele, acho bom ator, mas o personagem dele dá outro rumo à história, muda o foco totalmente de direção. Em outras palavras, ela fica enfadonha. A história do Edward, entrelaçada com a da Helena, era bem melhor e poderia se desenvolver para coisas bem interessantes. Mas não, tudo muda de rumo para um clube da luta. Eu acho tudo isso tão primitivo, tão acéfalo. Pra não dizer imbecil mesmo... No mesmo balaio de tourada, briga de galo ou pitbull. Detesto essas formas de violência, até as ditas “civilizadas”, como boxe, vale tudo, full contact, street fighter, mortal kombat, dragon ball e afins.

Bom, na história o Edward tem problemas com o sono. A alternativa dele para conseguir dormir é visitar grupos de pessoas com problemas e doenças. Fingindo ser um deles, ele compartilhava a dor, chorava e conseguia dormir ao ir pra casa. Mas aí surge a Helena (a bruxa-mór de Hollywood na atualidade), que também visita vários desses grupos e acaba com o barato dele, porque ele não consegue mais mentir para si mesmo. Interessante a história, não? Pois é... Mas muda tudo.

Enfim, o Edward conhece o Tyler (Brad Pitt) numa viagem e acaba ficando com um cartão dele. Ao chegar em casa, ele percebe que o seu ap explodiu. Sem ter pra onde ir, ele liga para duas pessoas: A Helena e o Tyler. Ficar com a Helena seria dar continuidade a história anterior e descobrir o que eles tinham em comum e o que a levava a visitar aqueles grupos. Interessante, não? Mas ele apela para o Tyler e juntos fundam esse clube, que é um verdadeiro hino ao discernimento, à dialética, à divagação e ao raciocínio.

Bom, a premissa do tal clube é ir contra o consumismo e o padrão de vida que nos é imposto, em que vivemos para consumir e gastar com coisas que não precisamos e sempre sonhando em ser pessoas que nunca seremos. Tudo muito lindo, mas onde é que sair por aí se estapeando se encaixa no meio disso é que eu não faço a mínima idéia. Além do discurso soar hipócrita vindo de quem vem, tipo a cena no ônibus em que o Brad critica uma propaganda da Gucci e o padrão de beleza pregado por ela. Como se ele não vivesse disso. Ele não é loiro de olhos azuis, nem alto, nem magro, nem atlético, completamente fora dos padrões e jamais poderia estar naquela propaganda... Além de outras como as críticas a milionários e estrelas de cinema. Nada em que ele se encaixe no perfil...

Ele (o Tyler) tem sempre milhares de informações muito úteis. Quase sempre de como se fazer explosivos. Ou sabonetes. Eu, como exímio aluno de química que fui, jamais teria esse conhecimento. Ainda bem que as idéias são bem acessíveis, por exemplo, ter que roubar gordura humana de uma clínica de lipoaspiração para se fazer sabonetes. Uma das várias cenas super agradáveis do filme... Pelo menos ele ensina algo realmente útil, como se neutralizar uma queimadura química (com vinagre, não com água) na pior cena do filme pra mim.

E falando em idéias, esse filme de fato dá idéias, e fora a da gordura, outras estão no alcance de nossas mãos. O discurso do Edward sobre um cara entrar com uma arma num escritório e atirar em todo mundo foi exatamente o que o estudante de medicina fez em São Paulo numa sala de cinema há, mais ou menos, 10 anos atrás. E na sessão de qual filme? Dou um ingresso pra ver uma rinha de galo pra quem acertar.

O Tyler (papel do Brad) ainda foi eleito pela Empire como a personagem mais importante da história do cinema. Hã? Nem precisa perguntar qual o público que vota nisso, porque é bem óbvio. Devem ter um pôster do Rambo no quarto. E sejamos sinceros, só pra dar um exemplo, Harry Potter, que eu também não tenho grandes afinidades, é uma personagem muito mais conhecido e influente. Prefiro nem citar outros deveras importantes.


UPDATE: Eu não fui bom aluno de química, mas uma coisa eu posso esclarecer. Não é toda queimadura química em que se deve usar vinagre. O vinagre é um ácido, então ele neutraliza quimaduras causadas por bases. O caso reverso, quando a gente tem azia, que é a acidez excessiva do estômago, a gente toma uma base como o sal de frutas (que na verdade é um sal ácido de caráter básico) pra neutralizar a acidez e passar a queimação. Deu pra entender ou só eu me perdi na explicação?

terça-feira, 28 de julho de 2009

Seção CINEMA // Crítica A Proposta

Proposta Indecente

A Proposta // The Proposal

Nota: 5,5


Às vezes eu me espanto como Hollywood consegue transformar tudo em comédia romântica. Devem vender livros com a fórmula secreta. Nem tão secreta assim, porque no fim, tudo acaba como aquela velha e boa colagem de diversas coisas que deram certo em diversos filmes e nesse ficou bem mais do mesmo, mas é só colocar duas estrelas protagonizando que a bilheteria já justifica o investimento. Pode deixar que sempre que necessário eu irei citando pra ficar claro.

A protagonista é a Sandra Bullock, grande estrela de Hollywood, e apesar de nunca ter feito um grande filme. Pode baixar sua mão. Crash é uma droga. Ela faz a chefe infernal, bem ao estilo “O Diabo Veste Prada”. Só que ela é canadense, e seu visto expirou. Ou seja, cerveja! Enfim, ela está prestes a ser deportada, e demitida, e resolve se casar com o seu assistente (o Ryan Reynolds, marido da Scarlet Johansson, que tem até variado a filmografia ultimamente) para poder ficar no país. [Alarme soando] Tema delicado mal aproveitado [Cessar alarme]. O que poderia render cenas interessantes com um drama, que inclusive poderia levar os dois atores a serem mais reconhecidos na indústria, acaba virando apenas uma comédia banal.

A Sandy é diabólica, mas o Ryan é o braço direito dela, o que o faz ter alguma intimidade ali. Então ele se aproveita disso e exige em troca outros favores dela, como uma promoção. Mas eles têm que provar que realmente mantêm um relacionamento para a imigração, então ela acaba indo passar um fim de semana com a família dele. No Alaska... Aí ele vai domando a megera (Shakespeare?). [Alarme soando] Tema mal aproveitado 2! [Cessar alarme]. O Alaska deve ser um dos lugares habitados mais gélidos do mundo. Já que virou comédia, o frio do inverno de lá renderia muito mais piada do que ir para o Alaska no verão, creio eu.

Enfim, depois disso a história se desenrola mais, e se eu contar perde a graça, pra quem gosta do gênero ou de se surpreender intensamente. Outras coisas mais que posso comentar é o elenco. Sandra e Ryan estão bem, mas não são nem de longe um casal tão bom como o James Marsden e a Katherine Heigl em “Vestida pra Casar”. Falando em “Vestida”, o filme tem a Malin Akermann, que faz a irmã da Katherine no outro. No outro ela era a irmã sexy e fatal. Aqui ela é a ex-namorada matuta e insossa. É, talvez até se possa dizer que há ali algum potencial para atriz camaleônica. Mas nesse filme, achei o papel dela totalmente desnecessário. Não contribui em nada.

Além da Malin, tem a Betty White, ícone da comédia americana na TV, e a Mary Steenburgen. A Mary hoje trabalha bem esporadicamente, mas ela já ganhou um Oscar de coadjuvante nos anos 80 por Melvin e Howard, do Jonathan Demme (O Casamento de Rachel e O Silêncio dos Inocentes). Não me lembro de ter visto nenhuma cara conhecida fora os que citei. No parágrafo anterior falei tanto sobre “Vestida pra Casar” que até esqueci que ambos são dirigidos pela Anne Fletcher. Esse é o terceiro filme dela. Outra coisa interessante é que o Ryan é canadense, e a Scarlet é americana. Será que a arte imitou a vida?

Quanto às partes mais “curiosas”, eu poderia citar os tamanhos dos saltos da Sandra. São gigantescos. Eu não sei como alguém se equilibra naquilo. O do cartaz é pequeno comparado aos que ela usa durante o filme. A casa dele no Alaska é um deslumbre, e deve ser um local totalmente inacessível no inverno, imagino. Apesar de lindo no verão. A cena em que eles ficam no quarto fica evidente que a paisagem da varanda é um quadro. Ou um cromaqui. Lembrou teatrinho do colégio. Vergonha alheia batendo forte! A cena mais famosa do filme, a que os dois se esbarram nus, ficou muito forçada. Ela estava tomando banho e esqueceu a toalha. Até faz sentido. Mas ele, do nada, tirou a roupa toda na varanda. Só pra dar ibope...

O bom das comédias românticas é que as trilhas sonoras costumam ser ótimas. Adorei conhecer músicas novas. Além disso, o elenco costuma ser muito agradável "de se ver", salvo algumas exceções, como o latino faz-tudo (mega caricato), que vai de stripper a ministro de igreja. No final das contas, eu critico tanto as comédias românticas, mas às vezes dá vontade de desligar o cérebro e ver algo sem ter que pensar muito. E nesse caso eu prefiro mil vezes uma comédia romântica a uma aventura interminável cheia de elfos, hobbits, anões, bruxos e/ou smurfs. Conclusão: boas ou ruins, comédias românticas têm sua função de existir. Mas eu poderia ter ficado sem essa...

domingo, 26 de julho de 2009

Seção CINEMA // Crítica O Despertar de Uma Paixão

Amor nos Tempos do Cólera

O Despertar de Uma Paixão // The Painted Veil


Nota: 8,5


Edward Norton e Naomi Watts são para mim dois dos melhores atores de Hollywood atualmente. São ousados, topam projetos arriscados que poucos artistas arriscam. Eles são os produtores desse filme independente que na verdade é uma refilmagem de “O Véu Pintado”, de 1934 com Greta Garbo. O título em inglês permaneceu o mesmo, mas em português traduziram para “O Despertar de Uma Paixão”. Acho o título original mais poético, elegante, e o título nacional pode até combinar mais com a trama, mas tudo que tem no título atração, paixão, normalmente me passa uma impressão de vulgaridade, frivolidade, enfim...

Bom, a história é sobre uma jovem inglesa, a Naomi, que aceita se casar com um médico, o Edward, mesmo sem amá-lo, para poder ser livrar da família, especialmente da mãe. Eles se mudam para a China, e ela acaba tendo um caso extraconjugal com o Liev Schreiber, que é o companheiro da Naomi fora das telas. Ao descobrir do caso, o marido aceita um emprego como bacteriologista no meio do surto de cólera no interior da China, e a obriga a ir junto.

Bom, nem precisa dizer como o filme termina, porque o título já diz tudo. O título original é lindo e poético (como eu já disse), lembra a China, mas não vi véu nenhum no filme... E se foi metáfora, não entendi. Quanto ao filme, apesar de longo, é um filme muito interessante. A paisagem é linda, a fotografia excelente, as atuações estão muito boas, como Naomi e Edward sempre costumam fazer. Esse não é um filme arriscado de se fazer, e não entendi por que ele não conseguiu financiamento das produtoras, apesar de também não ser nenhum blockbuster. Mas acho que com o apoio e divulgação de um estúdio, teria o mesmo sucesso de um “A Troca” ou “Orgulho e Preconceito”.

Tem um tempinho que já vi esse filme, e nem tô lembrando de muita coisa pra falar. Mas posso lembrar algumas. Tipo, eu sei que o “amor” tem seus “mysterious ways”, mas o que leva alguém casada com o Edward a traí-lo com o Liev (ele é um crápula no filme)? Outra seria, por que o Edward a obriga a ir com ele para o interior? Deu pra entender que era uma punição, mas o que ele ganha com isso? Só ter de conviver com uma pessoa que ele despreza e que o detesta. Além de ser no meio de uma epidemia, um cenário pra lá de agradável. Tudo bem que a gente já sabe o que acontece, mas eu sinceramente acho que isso na prática os levaria, no mínimo, a se matar aos poucos, e não o contrário...

sábado, 18 de julho de 2009

Seção CINEMA // Crítica Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Abracadabra!

Harry Potter e o Enigma do Príncipe // Harry Potter and The Half-Blood Prince


Nota: 6,0


Esse definitivamente não é meu gênero de filme, nem quando eu era criança eu tinha paciência pra ver A História Sem Fim, mas desde que comecei a escrever aqui tenho procurado conferir um pouco de tudo, pra ter uma opinião pra dar. Lógico que ver um filme que nos seus primeiros 15 minutos a gente tem que ler a legenda “Varinhas a postos!” não pode ser levado a sério. Piada pronta, né? Debatemos por um tempo como reformular essa frase sem criar ambigüidade, mas não conseguimos. “Peguem suas varinhas”, “varinhas ao alto!”, “mão na varinha”... Não tem uma que se salve.

Eu tenho que falar do filme... Mas eu não entendi bulhufas. Esse já é o enésimo filme da saga do bruxo mirim com sua coruja de estimação (e nem por isso o Daniel Radcliffe ficou melhor ator), e eu só o vi o primeiro, quando saiu no cinema, e isso deve fazer no mínimo uns 6 ou 7 anos. Nem do filme anterior eu lembro nada. Só lembro que os pivetes colocavam um chapéu que gritava o nome da escola que eles iam ficar. Eu sempre quis colocar na minha pra ele gritar: Sonserinaaaaaa!!!! AHAHAHAHAHA. Mas tem o teste na web pra fazer, e na verdade deu Lufa-Lufa (não, não é bufa-bufa...). Quem quiser fazer o teste (em inglês) é só clicar aqui.

Essa parte aí eu sei explicar. São 4 casas comunais (escolas de bruxos), e cada pessoa é selecionada para alguma delas dependendo da sua personalidade. O chapéu de bruxo falante que capta isso. Grifinória (Griffindor) é pros bravos, Corvinal (Ravenclaw) para os inteligentes, Lufa-Lufa (Hufflepuff) para os bonzinhos (os pamonhas, burros, eu sei...) e Sonserina (Slytherin) é para os ambiciosos (leia-se malvados). Quem diabos fez a tradução dos nomes dessas escolas? Cada coisa nada a ver...

Dos filmes do gênero, esse é o meu preferido, porque ele é leve, e tem senso de humor. Tem umas piadas engraçadinhas. Pelo menos o primeiro tinha, pelo que eu me lembre. Mas dessa vez o filme ficou bem parecido com O Senhor dos Anéis. Longo, interminável, arrastado e dramático demais. Eu adoro dramas, isso é fato, mas um drama onde o grande conflito envolve uma poção mágica e uma loja de varinhas de condão incendiada, além de um velório de uma aranha gigante, não consegue me envolver. Não tem como levar a sério. Tanto quanto entender o por quê de um anel tão sem atrativos (não tem uma pedra, um diamante, nada!) render 3 filmes que somam 10 horas de melodrama.

O legal do filme é que o elenco é cheio de grandes estrelas britânicas, que evidentemente, o público alvo do filme não tem idéia de quem sejam, mas eu explico. Primeiro tem o Ian McKellen (será que é ele?), que faz o Dumbledore, um dos grandes atores vivos do teatro inglês. Em 1999 ele perdeu o Oscar de melhor ator pro Roberto Benigni, e não existe castigo maior do que esse. Isso também me lembra que eu ainda tenho que escrever sobre os absurdos do Oscar. Tem também a Maggie Smith, que eu amo como a madre superiora de Mudança de Hábito. Essa já tem dois Oscar na lareira. Ela faz uma das bruxas professoras. Não sei o nome dela no filme, mas tem uma foto dela mais acima.

Tem também o Jim Broadbent que surge disfarçado de poltrona (lembram da parte de que não dá pra levar a sério?). O Jim ganhou o Oscar de coadjuvante em 2002 por Íris, inclusive concorrendo com o Ian. E tem a Helena Bonham Carter, que se assumiu de vez como a bruxa-mór de Hollywood depois que casou com o Tim Burton e fez todos os filmes sombrios dele. E cá entre nós, ela é a melhor coisa do filme. Ela e duas bruxinhas mirins, uma psicótica obcecada pelo ruivinho, e uma outra que coloca um vestido medonho pra ir num bailinho com o Harry. As risadas todas vêm delas. A Helena também já foi indicada a um Oscar por Asas do Amor, mas já faz mais de 10 anos, quando ela era “normal” e namorava o entojo do Kenneth Branagh. Perdeu pra Helen Hunt.

Não prometo, mas vou tentar ver os outros filmes da saga pra ver se alguma coisa nisso tudo faz sentido. Se eu vê-los, prometo tentar não dormir. Eu consegui não dormir nesse, mesmo a sessão tendo iniciado quase meia noite e ter que aturar todos aqueles diálogos surreais e o conversado de besteira. Em o Senhor dos Anéis eu não consegui controlar a narcolepsia. Mas lá também não existe uma piadinha pra descontrair. E eu até consegui rever Cavaleiros do Zodíaco com aqueles diálogos primorosos recheados com pérolas do tipo “Nunca senti um cosmo tão poderoso!”, “tenho que defender a honra de Atena” ou “me dê sua força Pegásus”. Perto disso, “varinhas a postos” fica até poético...



UPDATE: Um corajoso comentarista anônimo notou que eu troquei os bruxos! Michael Gambom por Ian McKellen. Quem nunca se enganou que me jogue o primeiro feitiço. Na verdade o Ian fez o Senhor dos Anéis e o Michael é quem interpreta o Dumbledore. Vou manter o texto com as curiosidades sobre o Ian porque ficou muito mais interessante, e de quebra ainda deu pra falar mal do Benigni.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Seção CINEMA // Crítica 17 Outra vez

De Novo Não...

17 Outra Vez // 17 Again

Nota: 4,0

Ás vezes eu me esqueço como filme de adolescente é chatinho... Cheio de momentos vergonha-alheia, que eu normalmente detesto. E esse daí foi feito pra mostrar como Zac Efron é multi-talentoso. ♪♫ Ele canta, ele dança, ele toca, ele vibra. ♪♫ Ele sobe, ele desce, ele dá uma rodada... ♪♫ Além de lindo e irresistível... Pra falar a verdade, eu só conseguia ver o cabelo fake de chapinha e os cambitos finos naquelas calças coladas (ridículas, by the way). Bonito ele é, inegável, mas é tudo tão clichê, cenas tão óbvias, que não passa nada disso naturalmente. É como se colocassem uma loira peituda de vestido branco segurando a saia esvoaçante (acredito que não preciso explicar a analogia). Coisa fabricada para que a gente acredite que seja o que eles vendem. Ou seja, falta o principal: espontaneidade. Que inclusive leva a outras características mais...

A fórmula é manjadíssima. Variações diversas dela já foram usadas, por exemplo, em Sexta Feira Muito Louca (com a Jodie Foster nos anos 70 e a refilmagem com a Lindsay Lohan no começo dessa década), De Repente 30, Big - Quero Ser Grande, e, mais recentemente, Minhas Adoráveis ex-Namoradas. Se você ainda não reconheceu, alguém subitamente acorda em outro corpo, o seu ou de outrem, mais novo ou mais velho. Dessa vez é o Matthew Perry (inesquecível como Chandler Bing em Friends) que rejuvenesce e volta a ser o Zac Efron (purpurina cintilante brilhando incandescentemente pelo ar).

O ambiente é o mesmo de 100% dos filmes adolescentes: High School. Ou colegial, como preferirem. Apesar de todo filme mostrar que ele é terrível e traumatizante (menos Crepúsculo, onde todo mundo é acolhedor e agradável), todo aborrecente gostaria de fazer um intercâmbio pra lá. Eu trabalho em uma agência de intercâmbios, eu sei o que digo. Apesar de mostrar o ambiente hostil, que deve ser de fato, tem uns momentos bem surreais. Tipo que o Zac vive discursando no meio do colégio. Passando liçãozinha de moral. E todo mundo dá atenção.

O pior desses momentos é com certeza a apologia ao sexo apenas apenas após o matrimônio e para fins reprodutivos. Sarah Palin deve estar tão orgulhosa. Ela, a filha adolescente e a netinha. É hipocrisia demais pros meus cabelos brancos... E nem é necessário dizer que eles podem falar essas besteiras a vontade que isso nunca vai surtir efeito. Era muito melhor dar exemplos de como se viver uma vida sexual saudável e com responsabilidade. Mas é filme da Disney. Eles divulgam esses retrocessos. Além do que, a história do filme é sobre um adolescente que joga todos seus sonhos pro alto porque engravida a namorada da adolescência e arruína sua vida, vivendo infeliz para sempre. Ou seja, sexo só depois de casar! Amém (podem sentar).

Além de outras mensagens parecidas. Tipo que gay é motivo de riso (mesmo o principal do filme tendo todos os ingredientes, o que é até citado em um diálogo). Que mulher que não espera que o cara chegue junto não se dá o respeito. E casamento é uma benção de Deus e é para sempre, e deve-se lutar por ele a todo custo. Não que eu queira dizer que casamento não seja algo sério, mas se valendo desse pressuposto, Madonna deveria estar com Sean Penn hoje em dia (quem tem um pouco mais de idade lembra bem de como foi) e Lisa Marie Presley hoje seria a viúva herdeira das dívidas do Michael Jackson. Dá pra sentir a utopia (ou hipocrisia) de tudo isso?

E tipo, o Zac Efron daqui a 17 anos vai virar o Matthew Perry? Há 17 anos o Matthew começava a fazer Friends, e ele já tinha cara de ser 17 anos mais velho que o Zac... Mas isso é filme teen né? E eles não prestam atenção em um terço disso que eu listei. Mas eles vão sendo impregnados por esse tipo de mentalidade. Uma lavagem cerebral à base de mensagem subliminar. Por enquanto eles apenas vão ficar com a idéia de que esse é o melhor filme de todos os tempos da última semana...

Mas nada é de todo ruim né? Eu gostei de boa parte da trilha sonora (principalmente a música do Spoon e as menções dos anos 80, que eu venero) e dos créditos finais, com aquelas fotos de yearbook da equipe...



UPDATE: Como não era de se estranhar, esse é um remake de um filme da própria Disney, assim como ela fez com Operação Cupido (Parent Trap em inglês, com a Hayley Mills, que o original dos anos 60 virou "O Grande Amor de Nossas Vidas" e eu amava quando criança), e Sexta Feira Muito Louca (Freaky Friday), ambos refeitos com a Lindsay Lohan. Dessa vez, o filme se chamava "Young Again", traduzido para Jovem Outra Vez, e era com o Keanu Reeves, que na época assinava como KC Reeves, e o Robert Urich. Até o formato do elenco eles reciclaram: o jovem astro de vida pessoal misteriosa e quarentão famoso por série de TV extinta. Para ver o cartaz, clique aqui.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Seção CANARINHOS // Funeral do Michael Jackson

Toda a nata de Hollywood estava lá chegando, tirando alguns que deram a desculpa de que o Michael queria que eles chorassem em casa. E morto lá tem vontade? Enfim, estavam lá todos chegando, e eu também muito fino, vendo na TV de rabo de olho no trabalho... AHAHAHA

Desde a Princesa Diana que eu não acompanhava o velório de alguma celebridade. Também não lembro de nenhum outro ter sido televisionado... O próximo acho que só o da Madonna, que deve demorar no mínimo uns 30 anos.

E entre os dois, eu digo com todas as letras que o da Princesa foi muito mais tocante. E o do Michael não teve nem de longe nenhum momento tipo o Elton John cantando Candle in The Wind.


Vamos aos detalhes!


- O show, desculpem, o funeral, começa com o Smokey Robinson lendo duas mensagens, uma dele e outra Diana Ross. Aparentemente ela ficou emocionada demais para ler.



- Mariah Carey desafinou da primeira à última nota de "I'll Be There". Há 17 anos atrás Mariah gravou o seu acústico MTV (que eu amo) e fez uma versão de I'll Be There (junto com o Trey Lorenz, seu backing vocal que também cantou no velório), que foi direto pro número 1 das paradas. Bons tempos aqueles... Cliquem aqui para ver a versão de outrora.

- Depois vem a Queen Latifah falar lá um bocadinho sobre a importância do Michael.

- Lionel Ritchie canta uma música chatíssima dele da época dos Commodores. Se era pra cantar uma das velhas dele, ele deveria ter cantado Easy (Like a Sunday Morning).

- Stevie Wonder cantou outra música lá chata de um disco dele de 1971. Tanta música boa que ele tem... E eu gosto mais da versão do George Michael.

- Jennifer Hudson faz uma versão gospel exagerada e chata de Will You Be There?, aquela música de Free Willy. Uma gritaria só.

- Depois veio uma pessoa que responde pela alcunha de Al Sharpton, que é um pastor batista, fazer um sermão lá. Coisa desagradável. Tive que colocar a TV no mudo porque ficou intolerável. Eu sinceramente iria sair com cefaléia e dor nos típanos daquelas igrejas americanas. As gritarias vão desde os sermões aos cânticos...

- John Mayer aparece, no que foi pra mim - mesmo fazendo caretas - o melhor momento (musical) do "evento". Ele apenas tocou Human Nature na guitarra. A palavra é prata, o silêncio é ouro. Tão simples, e tão bonito...

- Brooke Shields, emocionadíssima, aparece naquele momento "a gente tomava vaca preta na sorveteria do Seu Joaquim", contando suas 5732961840 aventuras com ele. Só esqueceu de dizer que ela foi paga para posar de namorada dele nos anos 80...

- Jermaine Jackson (o irmão que ainda tentou voltar pra indústria nos anos 80 cantando com a Pia Zadora, que hoje é igualmente famosa...) canta "Smile" do Charlie Chaplin, que a Brooke disse ser sua música favorita.

- Depois veio outra senhora fazer gritaria. Coloquei no mudo e nem vi o nome da cidadã.

- Uma deputada texana fez um discurso sobre a importância do Michael para a auto-estima e auto-afirmação dos negros americanos, esquecendo que, sabe-se lá como, ele virou branco... E morreu quase azul... Esse também foi o melhor momento da cerimônia, devido a tradução simultânea da reporter da Globo:

"Michael never stopped giving..."

tradução: "Michael nunca parou de dar..."

AHAHAHAHAHAHAHA

Ela poderia ter só colocado um "o" e transformado em doar, mas ficou ótimo assim. Nem os clientes na agência contiveram o riso.

- Usher, querendo entrar pra história como o momento emocionante do dia, faz cena (dá um pitizinho básico...) cantando "Gone Too Soon" do próprio Michael. Recomponha-se por favor...



- Videozinho do Michael cantando "Who's Loving You" na TV em 1969, momento em que o Jackson 5 estoura. Depois entra um pivete fazendo uma voz evelhecida e gritando a mesma música. O menino é o galês Shaheen Jafargholi, que participou do "Britains Got Talent", que ganhou fama mundial devido a Susan Boyle. Podiam ter chamado o Billy Gilman pra cantar Ben. Seria muito melhor.

- Smokey Robinson volta pra dizer que ele que escreveu essa música.



- Final apoteótico e nem um pouco previsível: Todo mundo no palco de mãozinha pra cima cantando "We Are The World" e "Heal The World". Solange, faltou você!




- Paris, filha do Michael, diz que ele foi o melhor pai do mundo. Respeito muito a dor da criança, e ele realmente deveria ser o centro do universo deles, o mundo que eles conheciam, mas ela definitivamente não tem base de comparação... E depois de anos, a gente finalmente vê o rosto dessas crianças.

E assim se encerra o velório do ano.