terça-feira, 30 de junho de 2009

Seção CINEMA // Crítica As Pontes de Madison

Estrada Para a Perdição

As Pontes de Madison // The Bridges of Madison County
(1995)

Nota: 9,5


Os parceiros Steven Spielberg e Kathleen Kennedy pediram para Richard LaGravenese adaptar um best seller de 1992 do escritor Robert James Waller. O livro no caso chamava-se As Pontes de Madison é hoje é um dos livros mais vendidos do século 20. Um projeto um tanto estranho pra dupla de produtores, já que eles são famosos por filmes como ET, Twister, O Sexto Sentido, Indiana Jones, Tubarão, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Jurassic Park, A Lista de Schindler, Gremlins, De Volta Pro Futuro, etc. De certa forma a gente se esquece que o Spielberg de vez em quando faz filmes mais “humanos” que não sejam sobre holocausto, como A Cor Púrpura, Além da Eternidade e Prenda-me Se For Capaz.

Steven “abandonou” o projeto, mas Kathleen o produziu. O Richard também dirige, além de escrever, e tem no currículo filmes que eu gosto como O Pescador de Ilusões e O Encantador de Cavalos, além de outros como PS Eu te Amo, Bem Amada e O Espelho Tem Duas Faces. Com a saída do Spielberg, quem assumiu a produção e a direção foi o Clint Eastwood, pessoa cujo trabalho eu amo ardentemente... Ele ainda estrelou o filme, junto com a Meryl Streep, o que já é um excelente motivo pra vê-lo.

Bom, a história é sobre dois irmãos que se deparam com um estranho pedido da falecida mãe, Francesa, uma imigrante italiana casada com um americano e vivia uma vida pacata (entediante, monótona) no interior do Iowa. Eles lêem relatos deixados por ela explicando seus motivos. Quando o marido e os filhos viajam para uma feira de pecuária, ela fica sozinha por uns dias em casa. E eis que um homem bate em sua porta, e ela abriu. ♪ ♫ ♪ Senhoras e senhores, ponham a mão... (Perdão!) Enfim, era Robert Kincaid, um fotógrafo da National Geographic fazendo documentação fotográfica das famosas pontes da região, ele estava perdido e precisava de orientação. E durante 4 dias ela acaba se envolvendo com ele, o que a faz repensar sua vida, suas escolhas e o seu destino.

De vez em quando a gente morde a língua, mas faz parte. Como eu sempre arrumo desculpa pra gostar de alguma coisa do Clint, aqui não foi exceção. Ele meio que caiu de pára-quedas na produção, né? Um bom livro adaptado por um bom roteirista, com a co-produção de uma renomada produtora, e no elenco uma das maiores atrizes de Hollywood, e talvez a maior (e melhor) da atualidade. A história é linda, e seria muito fácil de cair no clichê, no moralismo (que americano puritano adora...), mas ele vai pelo lado oposto, o que sempre me atrai. Meryl está perfeita até ralando uma cenoura, o que a deu uma de suas 15 indicações ao Oscar até hoje. Na época ela perdeu pra Susan Sarandon em Os Últimos Passos de Um Homem. Eu adoro a Susan, mas pra mim esse não foi o seu melhor trabalho, mas o Oscar tem muito disso.

Já o Clint como ator é bem limitado. Ele tem uma cara só em todos os seus filmes, em qualquer circunstância. Até que nesse filme não compromete, porque o papel dele não tem muitas nuances. Os filmes dele, na sua grande maioria (o que não inclui esse), são bem moralistas e disseminadores de preconceitos e intolerância, mas ele sabe como fazer suas histórias envolventes (o que acaba conquistando público, vide Gran Torino e Menina de Ouro) e tocantes, apesar dos 5623456328974618 clichês. Ele como diretor conduz muito bem seus filmes, sem que fiquem monótonos ou enfadonhos, e ele tem uma sensibilidade boa em como fazer cenas emotivas ficarem plasticamente bonitas. A cena da chuva bem perto do final é sem dúvidas uma das mais lindas cenas de filme de romance que eu já vi no cinema Hollywoodiano.

domingo, 28 de junho de 2009

Seção ALUCINÓGENOS // Copa das Confederações


Nunca fui fã de futebol. Na verdade sempre detestei devido ao descaso que é dado a outros esportes (inclusive ao futebol feminino). Além de claro que eu sempre fui diferente da maioria. Futebol é tão lugar comum por aqui... Mas sempre abro exceções em tempos de Copa do Mundo ou competições internacionais entre países, tirando Olimpíada porque nunca tem graça. Sempre são times sem suas grandes estrelas.

Deixando de lado minhas desavenças, é sempre bom ver uma vitória contra os EUA, que se investissem tanto em futebol quanto investem em outros esportes, certamente seriam dos maiores. Por outro lado, países como Brasil, onde nada realmente é incentivado, conseguirem se manter no topo demonstra o tamanho do talento e potencial do nosso povo. Imagine os atletas brasileiros, com os mesmos recursos dos americanos ou europeus, numa olimpíada...

De qualquer forma, parabéns à seleção brasileira pelo excelente desempenho na Copa das Confederações e pela virada memorável contra os americanos.

RT #CHUPA @aplusk

terça-feira, 23 de junho de 2009

Seção CINEMA // Crítica Gata em Teto de Zinco Quente

A Caixa de Pandora

Gata em Teto de Zinco Quente // Cat on a Hot Tin Roof
(1958)

Nota: 9,5

Adoro filmes antigos, que a maioria das pessoas da minha idade detesta. Até o meu TCC foi sobre filmes antigos. Essa semana eu vi um clássico dos anos 50, Gata em Teto de Zinco Quente, que tem no elenco dois dos maiores ícones do cinema hollywoodiano, Paul Newman e Elizabeth Taylor. O filme é uma adaptação da obra homônima do dramaturgo Tennessee Williams, e há uma certa diferença entre as duas produções. Pra poder explicar melhor eu vou ter que dar spoilers (contar detalhes da história), então quem quiser ver o filme e não gosta de saber o desenrolar da história antes, é melhor não ler.

Bom, essa é uma das obras mais famosas do Tennessee Williams, junto com Um Bonde Chamado Desejo. Esse segundo talvez seja até melhor e mais famoso. A versão para o cinema (adaptada por Elia Kazan, aquele conhecido por denunciar colegas comunistas) virou Uma Rua Chamada Pecado aqui no Brasil e deu a Vivien Leigh (... E o Vento Levou) seu segundo Oscar, e a Marlon Brando (O Poderoso Chefão) sua primeira indicação, além de fama internacional. Ambas as obras apresentam personagens perturbados, cheios de segredos e problemas não resolvidos. O ápice delas são justamente as revelações desses mistérios.

A história é sobre uma família que se reúne para o aniversário do patriarca, que está a beira da morte. Ele é rude e grosseiro com todos ao redor, e mantém laços com a família apenas por ser um rico fazendeiro e homem de negócios. Os dois filhos são muito diferentes entre si. Cooper, o mais velho, fez tudo que o pai sempre quis, formou-se advogado, mudou de cidade, casou-se, teve diversos filhos, tudo na expectativa de assumir o comando dos negócios da família no futuro. Já o mais novo, Brick, é o preferido do pai, feito pelo Paul, um ex-jogador de futebol frustrado, alcoólatra, casado com Maggie, a Liz Taylor, uma mulher por quem não nutre mais nenhum amor ou desejo, apesar das tentativas incansáveis dela de reconquistá-lo.

Vamos lembrar que essa época foi marcada pelo macarthismo. Pra quem não se lembra mais das aulas de história, esse foi o termo dado para as práticas de perseguição aos comunistas, e propagação dos valores cristãos e de família do senador Joseph MacCarthy. Ou seja, a própria semeação da hipocrisia e culto à intolerância. Esse período é muito bem retratado pelo ótimo “Boa Noite e Boa Sorte”, do George Clooney. Ele e “Brokeback Mountain” perderam o Oscar pra Crash... O mundo é injusto...

Voltando ao ponto, as censuras impostas pelo macarthismo fizeram com que muitas obras fossem banidas, ou sofressem modificações diversas pra poderem ser comercializadas. Tanto “Bonde”, quanto “Gata” sofreram alterações nos conflituosos casos criados por Tennessee Williams pra poderem ser lançados. Aí é que algumas coisas foram modificadas. Algumas mensagens (que Tennessee nunca dizia com todas as letras) conseguiram ser mantidas, já que, convenhamos, esse povo intolerante não é lá muito inteligente, então certas coisas permaneceram sem que eles percebessem.

Na obra de Tennessee, o casal principal não tem filhos, assim como no filme, mas originalmente isso era explicado, além do alcoolismo, por uma impotência sexual dele. Impotência sexual era um dos assuntos proibidos da época. Feria a virilidade. Eles não podiam se imaginar nessa situação ou ao menos pensar sobre isso. O casal também não se dá bem. As justificativas disso também divergem um pouco, mas ambas estão centradas em uma terceira pessoa, Skipper, o falecido amigo e parceiro esportivo dele.

Claramente existia um relacionamento afetivo entre os dois, e a presença da Maggie entre eles culminou no suicídio do Skipper, e Brick a culpa em silencio até então, criando cada vez mais repulsa e desprezo por ela. Na peça teatral a orientação sexual de Brick é algo muito mais evidenciado, enquanto no filme é só insinuado, mas a suspeita é descartada pelo final “feliz”, que também contrasta da obra original. No final original, o tom de ironia é claro, expresso nas atitudes de conivência do Brick em continuar convivendo com a mentira em que se envolveu. No filme, transformaram numa “resolução” dos problemas entre Brick e o velho pai, e numa reconciliação do casal.

O filme tem várias curiosidades, como por exemplo, que George Cukor (que fez A Costela de Adão, Nasce Uma Estrela e My Fair Lady, e começou a fazer E o Vento Levou, mas foi demitido) recusou dirigi-lo devido às censuras que a história sofreu. Richard Brooks assumiu a direção. Elvis Presley fez Brick na versão teatral, mas foi rejeitado para o cinema. Na época ele já tinha sucessos como Hound Dog, Don't Be Cruel, Blue Suede Shoes, Love Me Tender e Jailhouse Rock no currículo. Pro papel da Maggie, Lana Turner e Grace Kelly foram consideradas. Tennessee Williams detestou a obra, e a considerou um retrocesso. Mas hoje em dia, o filme ilustra claramente um período de tempo, o que a torna uma obra importante para o cinema, principalmente quando se comparam as duas para a análise do contexto político-social da época.

domingo, 21 de junho de 2009

Seção CINEMA // Crítica Tentação Fatal

A Megera Domada

Tentação Fatal // Teaching Mrs. Tingle (1999)


Nota: 9,0


Tá! A nota pode ser exagerada, eu sei. Mas eu vi esse filme com 14 anos, e eu era fã de Dawson’s Creek, da Katie Holmes, e do Kevin Williamson. O Kevin era o roteirista de Dawson’s, aquele seriado cheio de adolescentes que dialogavam como pessoas de 30 anos de idade, além de filmes como Pânico e Eu Sei o Que Vocês Fizeram No Verão Passado. Todos ícones adolescentes da época, o que o tornou uma espécie de John Hughes “dark” dos anos 90. Aqui ele escreveu esse roteiro, além de dirigir o filme, justamente para a Katie Holmes estrelar. O papel é idêntico ao da Joey de Dawson’s, mas com outro nome. Nessa época ela era jovem, linda e meiga. Hoje é esquálida, depressiva e melancólica. Uma pena.

Bom, o filme é sobre três jovens que são pegos pela carrasca professora de história com uma cópia da prova final. Na tentativa de fazê-la repensar em entregá-los à diretoria, eles vão a casa dela, mas acabam perdendo o controle da situação. Os três amigos são feitos pela Katie (que é o pior papel dos três), pelo Barry Watson (o rebelde charmoso, à la James Dean), muito conhecido nos EUA por fazer novelas e seriados, como 7th Heaven, e a Marisa Coughlan (a melhor amiga desmiolada), no seu primeiro e talvez maior papel até hoje. A temível professora é feita pela Helen Mirren, dama do teatro inglês, como a Fernanda Montenegro é para nós, que anos mais tarde ganhou o Oscar por A Rainha.

O filme com certeza não é nenhuma obra prima, não é extraordinário, mas tem suas qualidades. É uma comédia de humor negro, as piadas não são de baixo nível e algumas são até inteligentes. Se fosse péssimo, acredito que a Helen jamais toparia fazê-lo. Pra aumentar as semelhanças do Kevin com o John Hughes, a musa do John nos anos 80, a Molly Ringwald, também faz parte do elenco, bem longe de ser a menina charmosa dos velhos tempos, como uma secretária do colégio que lê aqueles livrinhos de romance brega que se vendem em banca de revista. A trilha sonora também é ótima. Todas as bandas e músicas são praticamente desconhecidas, mas eu adoro e as ouço até hoje.

Já vi o filme algumas vezes (no cinema, em DVD, na Tela Quente, na Sessão da Tarde, baixado da internet...) e toda vez que revejo continuo gostando tanto quanto. Acho que as lembranças da época me fazem apreciá-lo mais do que se ele fosse filmado hoje em dia. O mesmo, por exemplo, não acontece com Cavaleiros do Zodíaco. Um dia desses eu revi alguns episódios e pensei: como é que eu gostava disso?

Uma curiosidade do filme é que o título original era Killing Mrs. Tingle (Matando a Sra. Tingle), mas o filme estava pra ser lançado bem na época em que ocorreu o massacre de Columbine, então o filme foi renomeado para Teaching Mrs. Tingle (Ensinando a Sra. Tingle), que eu gostei bem mais, achei mais sutil, sarcástico. Já o título nacional é uma porcaria. Não reflete o filme em nada. Aqui existe muito disso, traduzem muito mal os títulos dos filmes, além de quase sempre adicionarem subtítulos ridículos aos filmes. Um dia escreverei sobre isso também.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Seção CINEMA // Crítica Minhas Adoráveis Ex-Namoradas

O Outro Lado da Vida

Minhas Adoráveis Ex-Namoradas // Ghosts of Girlfriends Past


Nota: 5,0


Comédia é certamente o gênero mais difícil de acertar a mão. Certamente por ser o mais fácil de cair no caricato ou no ridículo, e esse aqui não é exceção. Mas talvez o problema seja comigo, porque eu não consigo ver graça naquelas comédias cultuadas cheias de piadas vazias, que o público se racha de rir no cinema, tipo Todo Mundo Em Pânico, As Branquelas, Penetras Bom deBico, tudo que o Ben Stiller, Adam Sandler, Owen Wilson e Vince Vaughn fazem, algumas coisas do Jim Carey, etc. Realmente não dá pra dizer que são bons filme. Uma amiga minha tava a fim de ver comédias, ficamos em dúvida entre essa e “A Mulher Invisível”, mas a sessão desse tinha horário melhor pra gente, então fomos conferir.

O diretor Mark Waters já tinha feitos 3 filmes que eu já tinha visto, Sexta Feira Muito Louca, E Se Fosse Verdade e Meninas Malvadas. O primeiro é uma refilmagem do filme clássico da Disney com a Jodie Foster criança (aquele que a mãe troca de corpo com a filha), em que a Lindsay Lohan refaz a Jodie. O segundo é com a Reese Witherspoon e o Mark Ruffalo, em que a Reese é uma assombração que ronda o ap. do Mark. E o terceiro, o melhor deles, é com a Lindsay Lohan e a Rachel McAdams, com roteiro da Tina fey, hoje multi-premiada atriz e roteirista pelo seriado 30 rock. O filme se perde perto do fim, e perde a chance de ser genial e fica só no bom. O que definitivamente não é o caso das “adoráveis ex-namoradas”.

Aqui a história é sobre o Matthew McConaughey, um cara mulherengo, bonito (cof! cof!), sedutor e praticamente irresistível, ele consegue conquistar todas as mulheres que quiser, mas as usa e joga fora. Além de não possuir nenhum amigo. Uma pessoa desprezível, podemos dizer. Um belo dia ele vai ao casamento do irmão dele, e reencontra as únicas pessoas que se importam com ele, o irmão (ululante!) e a Jennifer Garner, uma velha amiga.

Enquanto ele semeia todo o seu carisma durante os preparativos do casamento, ele recebe a visita do fantasma do seu falecido tio, que não por acaso era desprezível igual a ele, e na verdade o ensinou a ser assim. E não sei se foi de propósito, mas colocaram justo o canastrão do Michael Douglas pra fazer o papel. Ator perfeito. A piada pronta podia ser ainda maior se ele fosse o Warren Beatty, que inclusive é muito melhor ator que o Michael. Enfim, a missão desse fantasma é dizer a ele que ele vai receber a visita de fantasmas de 3 mulheres influentes da vida dele, que o ajudarão a repensar o seu modo de viver a vida. Inclusive a primeira dos fantasmas, a ruivinha, é a única personagem interessante do filme. Carismática. Ela até dá vida ao filme, e faz falta depois que some.

O enredo parece muito com De Repente 30, feito também pela Jennifer Garner, aquele filme que só é interessante por causa da trilha sonora anos 80. "Coincidentemente" ocorre o mesmo com esse aqui. “Time After Time” da Cyndi Lauper, “Keep On Loving You” do REO Speedwagon, “Nothin’ But A Good Time” do Poison, “I Hate Myself For Loving You” da Joan Jett & The Blackhearts, “Holding Back The Years” do Simply Red e diversas outras. Eu passei mais tempo aproveitando a trilha sonora do que a história. E as semelhanças não param por aí! O fim dos dois filmes é o mesmo. Não preciso nem dizer qual é, porque tá na cara, inclusive estampado no próprio cartaz.

domingo, 14 de junho de 2009

Seção CINEMA // Intrigas de Estado

Nos bastidores da notícia

Intrigas de Estado // State of Play


Nota: 9,0


Como nessa época do ano só estréia bomba no cinema, eu raramente acompanho a programação. Ultimamente eu tenho visto e me interessei por esse, só por ver o elenco. Resolvi conferir sem saber nem a sinopse. Sempre é mais interessante assim. A gente não cria muitas expectativas. O filme é adaptação de uma minissérie britânica homônima, da BBC, de 2003, que tinha no elenco a Kelly MacDonald (Onde os Fracos Não Têm Vez), Bill Nighy (Piratas do Caribe) e o James McAvoy (Desejo e Reparação e O Último Rei da Escócia). Nessa Adaptação, o diretor foi o Kevin MacDonald, que ganhou o Oscar pelo documentário Four Days in September, sobre o seqüestro dos atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique, e depois fez O Último Rei da Escócia, que deu o Oscar ao Forrest Whitaker.

Bom, a história é sobre o assassinato de uma jovem assessora de um congressista americano, feito pelo sempre canastrão Ben Affleck. O caso passa a ser investigado por dois jornalistas, o Russell Crowe (Gladiador, O Informante, Uma Mente Brilhante), que fez faculdade com o Ben, e a Rachel McAdams (Vôo Noturno, Meninas Malvadas e Diário de Uma Paixão), que escreve fofocas pra sua coluna da versão online do jornal. Eles são supervisionados pela Helen Mirren (A Rainha, Gosford Park, As Loucuras do Rei George), a editora gananciosa do jornal, que visa os lucros da empresa, e o relacionamento entre o Russell e o Ben fica em jogo, já que se descobre que a assassinada era sua amante.

O elenco ainda se completa com o Jeff Daniels - que fez dois dos meus filmes favoritos, A Rosa Púrpura do Cairo e Laços de Ternura - como outro congressista, Jason Bateman - do seriado Arrested Development e Juno - como um relações públicas que sabe coisas demais (talvez o melhor papel do filme, mas não o desenvolvem) e a Robin Wright Penn – Forrest Gump, Casa no Fim do Mundo -, que faz a mulher do Ben, e tem um lance meio platônico com o Russell. Ainda tem uma ponta da Viola Davis, que se mostrou uma atriz explêndida em Dúvida. Achei que a história tem umas incongruências, tipo a presença do Ben Affleck. Ele é muito novo pra ser um parlamentar, muito novo pra ser casado com a Robin, muito novo pra ter dividido quarto da faculdade com o Russell, a não ser que o Russell tenha entrado na faculdade tarde demais, além de muito mau ator pra fazer esse filme.

Parece que existe nas produtoras um sistema de cotas na seleção de elenco dos filmes, igual seleção de candidatos a reality show. Tem que ter a diva, a Helen, o ator difícil, o Russell, a jovem promessa, a Rachel, e o galã pra atrair público, onde entra o canastrão. Podiam ter trocado ele de papel com o Jeff Daniels ou com o Jason Bateman. Ia ter ficado muito melhor. A crítica especializada recebeu bem o filme, mas preferiu a minissérie. O filme precisou de 4 roteiristas pra fazer adaptação, entre eles o Tony Gilroy que escreveu a seqüência Bourne, Duplicidade que está nos cinemas agora, e foi indicado ao Oscar por Conduta de Risco e o Peter Morgan, que fez A Rainha e Frost/Nixon.

Como disse antes, fui sem expectativas e fui adorando o filme. Até o final. O filme tem várias reviravoltas interessantes, que não cansam ou confundem como as de Anjos e Demônios por exemplo. Mas a última reviravolta fez o filme perder um ponto na nota pra mim, porque desfez todas as críticas que ele antes havia feito, que certamente foi o que mais me prendeu na história, e acabou levando a história apenas para o lado pessoal. Se tivessem cortado essa última por mim ele ficaria perfeito. E eu vou logo acabar com esse texto porque tá longo e eu já to com ódio do Word que fica corrigindo automaticamente Ben para “Bem” o tempo inteiro.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Seção CINEMA // Crítica Divã

À Procura da Felicidade

Divã


Nota: 8,5


Demorou mas eu fui ver Divã. Na verdade eu estava esparando pra ver com uma amiga que queria ver comigo, e como eu sempre escolho o filme, dessa vez eu atendi o desejo dela. Eu tenho um certo preconceito declarado com filme nacional, que eu já disse 1000 vezes (e digo de novo) que ele estagnou nos temas da violência e das versões cinematográficas dos programas noturnos da (eca!) Globo. Isso sem contar nas porcarias que a Tizuka Yamazaki filma da Xuxa e do Didi. Mas o Didi já mudou de diretor há um tempo... Enfim! Pelo menos divã vai numa onda diferente, foi peça de teatro de sucesso e que agora transformaram em filme.

A Lília Cabral faz Mercedes, uma mulher de meia idade que entra em crise, descontente com a vida, mas não sabe por que. Parece que essa é a idade para essas coisas. Espero estar muito bem resolvido da vida quando chegar nela. Retomando, ela questiona o casamento, passa a se envolver com outros homens (mais jovens), muda seu comportamento, etc. Enquanto isso a gente vai conhecendo a vida dela, o marido é o José Mayer, com aquela cara eterna de pedreiro dele, os dois filhos que somem com a mesma velocidade que surgem, a melhor amiga perua, consumista que só ela, o cabeleireiro gay, como não podia deixar de ser, etc.

A adaptação podia ser melhor. O filme tem uns problemas tipo nas cenas da terapia, em que a gente não vê o terapeuta ou ouve a voz dele. Lembrou os professores dos desenhos do Charlie Brown e Snoopy. O legal é que em nenhum momento ela é condenada pelas atitudes adúlteras dela. É um filme “pra-frentex”, o que eu acho ótimo! Não que eu apóie, mas deixemos os julgamentos e juízos de valor para os envolvidos com a história. Outros exemplos são os papos sobre masturbação e a conduta sexualmente ativa da filha adolescente da amiga. Em nenhum momento ninguém a chama de vagabunda, por exemplo. São avanços. Isso jamais passaria na tela da TV.

Divã é um filme que pra mim comprova o crescimento do cinema nacional. O nível é o mesmo das comédias americanas, desde os créditos à qualidade das imagens, mas o roteiro é melhor (porque não descamba pra baixaria), menos moralista e não é frívolo. Até tem menos agradecimentos aos patrocinadores no início. Tem seus defeitos também que todo mundo já cansou de dizer, tipo a forçada de barra que é a Lília Cabral formar par com o Reynaldo Gianechinni e com o Cauã Reymond. E dizer que o Cauã tem 19 anos também é demais. Nem há uns bons sete anos atrás quando ele fazia malhação ele tinha cara de 19 anos. A Mercedes lembra a Poppy de Simplesmente Feliz, de tão boba alegre que é, beirando a babaquice. Sem contar no visual entregue ao Deus dará. Aí fica mais difícil de entender os casos dela. As piadas são engraçadas, o cinema em peso ria alto. Eu, que sou cri-cri e enjoado, ria em tons menos agudos, mas reconheço que é um filme bem divertido e passa coisas boas.

sábado, 6 de junho de 2009

Seção CINEMA // Crítica Magnólia

De caso com o acaso

Magnólia // Magnolia


Nota: 10


Como já diria a canção de Albert Hammond, nunca chove no sul da Califórnia. Quando chove, há algo de muito estranho acontecendo. Talvez não seja tão estranho assim. É apenas difícil de enxergar. E assimilar. Magnólia é um close na sociedade, especialmente a americana, aquela que cultua os vencedores, onde a maior ofensa é ser um loser (perdedor), onde as pessoas não sabem como agir quando as coisas não vão a seu favor. Mas o que não se dão conta, é que todos têm um loser abafado no âmago. Todo mundo tem seus problemas. Eles deixam marcas. Trarão conseqüências cedo ou tarde. Acompanhamos nove pessoas com seus demônios pessoais. Pessoas consumidas pela culpa, pessoas desajustadas devido a traumas ocultos. Oprimidos e opressores. Todos eles carregam dentro de si um desespero silencioso prestes a desabar como um temporal.

Como a lidar com esse desespero? Nenhum deles sabe ao certo. Ninguém ensina. O mundo não foi feito para eles. Então só os resta engolir tudo isso. Mas será que realmente há como reprimir esse sentimento por muito tempo? Provavelmente não. E isso é tudo o que presenciamos.

Como o desespero se manifesta? Quando se puxa o tapete e a sujeira debaixo ainda está lá. Reconhecendo os seus próprios erros. Sombras de um passado que voltam a atormentar. Pela constatação de tudo o que poderia ter sido e não foi. Através de uma verdade que se recusou a enfrentar. Pelo surgimento de um sentimento inesperado. Por uma necessidade fisiológica.

E ele vem forte, como uma tempestade de verão. Vem limpar tudo que ficou por cima. Vem mostrar que ele ainda está lá. Que precisa ser encarado. Que precisa ser resolvido. Que não podemos nos esconder de quem somos. E as mágoas guardadas, o grito de socorro (retratado na canção final da Aimee Mann), por tanto tempo abafado, precisam ser expelidos.

O filme começa com três rápidas histórias. Histórias estranhas. Difíceis de ocorrer. Coincidências aparentemente. Mas será que elas são mesmo fruto do acaso? Será que elas não acontecem todos os dias? Acontecem na sua rua. Acontecem em torno da rua Magnolia. Acontecem em todos os lugares. E estão interligadas umas as outras, como as pétalas de uma flor. Mesmo que não se perceba.

Essa é para mim uma das obras primas do cinema contemporâneo. Com certeza o melhor filme de Paul Thomas Anderson. Muitos não entendem. Não é um filme fácil. O roteiro também não mastiga as informações. Te deixa livre para pensar e tirar suas conclusões. Um exercício mental que não estamos acostumados.

O elenco é primoroso. Tom Cruise, no melhor papel de toda sua carreira, foi o mais elogiado deles. Quase ganhou o Oscar. Eu o vejo com altos e baixos. Achei perfeito na entrevista e na palestra, mas achei caricato na visita. Julianne Moore é uma das maiores atrizes da sua geração. O excelente William H. Macy é o eterno e menosprezado coadjuvante. Philip Seymour Hoffman seguia o mesmo caminho até Capote. Ainda vemos pontas de outros famosos, por exemplo, Felicity Huffman, que hoje faz sucesso em Desperate Housewives, indicada ao Oscar por Transamérica.

O formato de histórias interligadas, similar ao estilo Robert Altman, lembra Short Cuts, e virou coqueluche entre os roteiristas depois disso. Mas nunca com o mesmo brilhantismo. Com a mesma honestidade e profundidade. Nem Babel, muito menos Crash chegaram perto da genialidade deste. Justamente por ele deixar tudo em aberto, todas as metáforas ao léu, para cada um tirar suas conclusões, enxergar e refletir sobre as que mais o tocar.

Não há interpretação única para ele. Esta é a minha. A sua pode ser outra. E deve ser outra. Cada um vê o mundo com o seu repertório de sensações e emoções, e são eles que nos fazem tão diferentes uns dos outros, com opiniões, idéias e ideais distintos. Procurar respostas simples aqui é impossível. Os diálogos são simples. Mas as pessoas são complicadas. As personagens são assim. Nós somos assim. Magnólia é sobre todos nós. Nós podemos ser como qualquer um dos nove. Conhecemos todos eles por aí, mesmo sem os reconhecer. Nosso temporal também irá desabar uma hora. Será que estamos preparados para ele?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Seção CINEMA // MTV Movie Awards 2009

Eu acho que só fui público alvo da Mtv por uns 3 anos. No fim dos anos 90. Eu lembro que adorava os programas, tipo o Radiola, Disk Mtv, Cine Mtv, Erótica, Quiz, Os Piores Clipes do Mundo (com a Marina Person), Teleguiado, etc. No tempo que os VJs eram Sabrina, Edgar, Chris Nicklas, Astrid, Gastão, Chris Couto, Babi, Adriane Galisteu e Cazé. Também não fui da época de Zeca Camargo e Maria Paula. Nessa época eu via Tv Colosso, Fada Bela e Power Rangers.



A Mtv sempre promove suas já famosas premiações, de cinema e de música, que tentam ser moderninhas, descoladas, etc. Nem sempre é o que acontece. Normalmente fica babaca. Nem dá pra rir das piadas, mas de vez em quando eles acertam com algumas coisas, tipo o vídeo acima do Jack Black e Sarah Michelle Gellar (adoro ela! Desde que a servi no Hawaii virei fã!) cantando Movies Kick Ass (They Show People Having Sex), tirando a parte da bandeira no fim, e a apresentação abaixo da Madonna, Britney, Christina Aguilera e Missy Elliott, que ficou famosa pelos beijos. Aliás, pelo beijo. Ninguém nem viu que a Madonna beijou a Aguilera também...



Esse ano no Mtv Movie Awards o Sacha Baron Cohen, ou melhor, o "Brüno", caiu de bunda na cara do Eminem. Não gosto nem de um, nem do outro. Ele ficou mais revoltado do que o Eddie Murphy quando perdeu o Oscar, e deixou o lugar no ato, nem esperou os comerciais, como o Eddie. "Brüno" veio do teto vestido de anjo com a bunda de fora, perdeu o controle e caiu em cima do rapper. Tudo muito fino. E tudo ensaiado, lógico! Enquanto ele ainda estava desgovernado no ar, ele anunciou o prêmio de melhor ator, e com o resultado acabou virando piada prontíssima... Pra ver o vídeo, clique aqui.


Vejam os resultados esdrúxulos com breves comentários meus:


Melhor Filme
Crepúsculo
Hã? Então tá.

Revelação Masculina
Robert Pattinson (Crepúsculo)
Uma batata passa mais emoção.

Revelação Feminina
Ashley Tisdale (High School Musical 3: Ano da Formatura)
Como assim revelação? Já é o terceiro filme da série que ela faz...

Melhor Atriz
Kristen Stewart (Crepúsculo)
Kate Winslet, por onde estás???

Melhor Ator
Zac Efron (High School Musical 3: Ano da Formatura)
Libero sim.

Melhor Comediante
Jim Carey (Sim Senhor)
Só ler aqui. Não preciso dizer mais nada.

Melhor Vilão
Heath Ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas)
Finalmente um resultado de respeito.

Melhor Beijo
Kristen Stewart e Robert Pattinson (Crepúsculo)
É, eles devem beijar bem. Javier Beltrán que o diga...

Melhor Cena de Ação
Robert Pattinson vs. Cam Gigandet (Crepúsculo)
Sério? O que estraga o filme são as cenas de ação...

Momento WTF (What the fuck - Como Assim, Que porra é essa, e similares)
Amy Poehler mijando na pia em Uma Mãe Para O Meu Bebê
Não vi, e não pretendo ver.

Melhor Canção
The Climb (Miley Cyrus), de Hannah Montana: O Filme
Adoro a melodia, mas a letra é babaca, e a Hannah é meia-boquíssima.


Os resultados ficaram bem Nickelodeon mesmo... Qualquer evento que premie os grandes feitos artísticos de Zac Efron e Robert Pattinson não foi feito para ser levado a sério.