segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Seção CINEMA // Oscar 2009

Tente, invente, faça um Oscar diferente!

Com a recessão e a progressiva queda de audiência no decorrer dos anos, o desafio desse ano da academia era deixar a premiação mais rápida, enxuta, mais divertida e menos maçante. Eu nunca achei maçante, mas tudo bem, a grande maioria acha...

A primeira medida foi escalar o ator e showman Hugh Jackman como apresentador. Ele canta, dança, conta piada, assobia, chupa cana e toca pandeiro. Ele fez alguns números musicais, como o primeiro, sobre os filmes do ano, e a homenagem aos musicais, que foi dirigida pelo Baz Luhrmann, que teve Beyoncé, o casalzinho de High School Musical Zac Efron e Vanessa Hudgens e o casal de Mamma Mia! Dominic Cooper e Amanda Seyfried. Os dois casaizinhos totalmente dispensáveis... Hugh e Beyoncé davam conta do recado muito bem. Destaque absoluto para Beyoncé de maiô vermelho acentuando suas curvas e o seu quadril quilométrico. Qualquer dia a Preta Gil vai se comparar à ela, coitada...

Vários prêmios foram todos entregues de uma vez, pelos mesmos apresentadores para evitar maiores demoras. Aglomeraram efeitos visuais, edição de som, mixagem de som e montagem no mesmo grupo, todos entregues pelo Will Smith. Maquiagem, figurino e direção de arte, entregues pelo 007 Daniel Craig e Sarah Jessica Parker. Os prêmios de roteiro, logo no início, foram entregues por Tina Fey, roteirista e atriz de 30 Rock e Steve Martin, que não paravam de fazer piadas.

A orquestra saiu do fosso do teatro para ir para o palco, que também se aproximou mais da platéia. As apresentações das canções indicadas foram péssimas... Primeiro que só a de Wall-E se salvava. As indianas eram tenebrosas. Como resolveram fazer um medley (ou pot-pourri) delas, misturando alhos com bugalhos, Peter Gabriel se recusou a interpretá-la e o insosso do John Legend o substituiu. John Legend cantando Peter Gabriel, um filme sobre robôs com umas dançarinas indianas de fundo. Isso parece fazer algum sentido? Enfim... No fim das contas ganhou Jai Ho, a indiana que toca nos créditos finais de Slumdog, o momento “vergonha alheia” do filme...

Outro momento lindo foi Queen Latifah cantando a famosa canção da Broadway I’ll Be Seeing You (que bota no chinelo o circo indiano anteriormente apresentado), gravada por diversos famosos artistas, como Frank Sinatra, Billie Holliday, Etta James e, mais recentemente, Michael Bublé, como homenagem aos artistas falecidos em 2008, como Sydney Pollack, Anthony Minghella e Paul Newman.

Mais sem dúvida, a maior inovação, foram as entregas dos prêmios de atuação. Dessa vez, cinco antigos vencedores da categoria apareceram para falar dos indicados do ano, ao invés do tradicional clipe deles no filme:

Tilda Swinton (Conduta de Risco), Goldie Hawn (Flor de Cacto), Eva Marie Saint (Sindicato de Ladrões), Anjelica Huston (A Honra do Poderoso Prizzi) e Whoopi Goldberg (Ghost) entregaram o prêmio a Penélope Cruz, por Vicky Cristina Barcelona. A pior das indicadas, vamos combinar... Viola muito emocionada, e Whoopi não podia perder a oportunidade de ser engraçada.

Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine), Joel Grey (Cabaré), Christopher Walken (O Franco Atirador), Cuba Gooding Jr. (Jerry Maguire) e Kevin Kline (Um Peixe Chamado Wanda) entregaram o prêmio póstumo a Heath Ledger. Sua família veio diretamente da Austrália receber o prêmio.

Marion Cotillard (Piaf), a loba romana Sophia Loren (Duas Mulheres), Halle Berry (A Última Ceia), Shirley MacLaine (Laços de Ternura) e Nicole Kidman (As Horas), finalmente entregaram o prêmio a Kate Winslet. Pena que ela já tenha feito tanta coisa melhor, mas ela é esplendorosa e merecia o prêmio.

E no prêmio mais disputado da noite, entraram no palco Robert DeNiro (Touro Indomável e O Poderoso Chefão), Adrien Brody (O Pianista), Michael Douglas (Wall Street), Anthony Hopkins (O Silêncio dos Inocentes) e Ben Kingsley (Gandhi) entregaram o merecidíssimo prêmio de melhor ator a Sean Penn, deixando o favorito Mickey Rourke de mãos vazias.

Eu adorava ver os clipes, mas essa nova forma de apresentar foi emocionante e deve ser muito mais gratificante para os indicados. Mesmo perdendo acho que eles devem se sentir muito emocionados. Apresentaram também vários filmes feitos no ano, divididos por gênero. Muito legal. Na apresentação de comédia, James Franco e Seth Rogen transformavam cenas de qualquer gênero em comédia.

Os discursos na sua maioria foram todos muito comuns. Todo mundo agradecendo a Deus e tal. Não tem um ateu, um budista, um em Hollywood? Judeu tem demais! Isso a gente conclui vendo o holocausto ser premiado todo ano. Com certeza os discursos da noite foram os do roteirista de Milk, Dustin Lance Black, Sean Penn e Kate Winslet. Surpresas também não houveram. Houve sim! A animação israelense Valsa com Bashir perdeu filme estrangeiro pro japonês Departures. Mas foi só essa.

O grande vencedor do ano foi o indiano “Quem Quer Ser Um Milionário?” com 8 prêmios. A gente pode esquecer que estamos em tempo de crise, não há dinheiro em Hollywood, e que a produtora do Steven Spielberg, a Amblin (que fez ET, Guerra dos Mundos, Jurassic Park, Minority Report, etc.), por exemplo, vai ser financiada pelos indianos, e que o Spielberg em pessoa foi entregar o prêmio de melhor filme, e engolir que é uma grande produção. Ou não... Eu gosto muito do Danny Boyle, mas ele, com certeza, já fez muita coisa melhor.



UPDATE: Dito e feito! Como eu disse no segundo parágrafo, a Preta Gil não podia deixar passar e se comparou com a Beyoncé. Leia aqui.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Seção CANARINHOS // American Idol 8 - Top 36

American Idol voltou e com uma temporada aparentemente igual as outras, mas com algumas novidades. A principal é a nova jurada, Kara DioGuardi. No começo eu estranhei, mas hoje em dia adoro a sua inclusão. Principalmente porque ela é quem tem a opinião mais parecida com a minha. Antes eu ficava entre Simon e Randy. A Paula gosta de todo mundo...

Até a terceira temporada os finalistas eram escolhidos por grupos, de onde os mais votados eram classificados, e por fim, eles escolhiam alguns para a repescagem. Na terceira temporada, esse formato encheu o top 12 de mulheres e ficou aquele clube da Luluzinha. Ninguém naquela temporada fazia o meu estillo...

Na quarta temporada eles adotaram o formato ideal, ao meu ver. Escolhiam 24 finalistas, 12 homens e 12 mulheres. A cada semana todos cantavam e 2 homens e 2 mulheres saíam, até chegarem aos 12 finalistas, onde, desde então, apenas um era eliminado por semana. Esse formato durou até a sétima temporada.

Agora o injusto formato antigo voltou. Dessa vez são 36 finalistas (gente demais), divididos em 3 grupos de 12. O homem e a mulher mais votados, e o terceiro mais votado, seja homem ou mulher, avança para o top 12. Dos 3 grupos saem 9, e mais três serão escolhidos na repescagem. apenas alguns que o júri escolhe vão para a repescagem.

Por que esse formato é injusto? Porque em um grupo todo mundo pode ir muito bem, e apenas 3 se classificam, e na outra, todo mundo ir muito mal, e três ruins se classificarão. Era melhor ter deixado como era antes, até porque o público criava uma empatia maior com os pariticipantes.

Bom, no último episódio o top 36 foi anunciado. Eles já haviam escolhido 54 e cortaram mais 18. Nesse episódio eles antes apenas informavam os resultados, se eles passaram ou não, mas desta vez, alguns tiveram que cantar de surpresa para poder passar. Achei isso de um mau gosto, e de uma crueldade tremenda. Pegou pessoas desprevenidas e sem nenhum preparo emocional no momento para cantar. Com certeza muita injustiça foi feita. Aqui vão as minhas considerações sobre os candidatos apresentados no episódio:


1. Anoop Desai - Indiano Nerd. Brega. Classificado.

2. Von Smith - Exagerado... Grita demais. Classificado.

Primeira dupla a cantar:

3. Cody Sheldon - Bom, mas é despreparado. Não se encontrou ainda, não sabe qual é o seu estilo.

4. Alex Wagner-Trugman - Vocais fracos. Cara de cachorrinho pidão.

Cody cantou Gavin Rossdale. Não combina com a voz dele... Alex cantou Don't Let The Sun Go Down On Me. A voz dele me lembra Damien Rice, e não ficou boa na música, mas ela agrada mais ao júri, é mais famosa e tal, e ele acabou passando.

5. Adam Lambert - Teatral, exagerado. Visual emo, cantando Cher. Não sei o que esperar dele... Classificado.

6. Taylor Vaifanua - Mudou o cabelo e melhorou. Ficou mais moderna. Gosto muito da voz dela, é bem suave. Cantou Alicia Keys, mas acho melhor ela cantando músicas sem agudos poderosos, como Norah Jones e Colbie Caillat. Classificada.

7. Jasmine Murray - Uma mistura de Ashanti com Janet Jackson. Tipo Rihanna. Gosto dela. É o tipo de música negra que me agrada. Classificada.

8. Arianna Afsar - Não gosto muito. Acho muito novinha e falta evoluir. Tem um ar muito teen, irritante. Passou.

9. Casey Carlson - Bonita, mas esquisita. Canta bonitinho, mas não chama atenção. Passou.

10. Megan Corkrey - A mais diferente. Linda, tatuadona, tem voz grave e charmosa, e gosta de cantar jazz. Tipo uma Diana Krall mais pop. O visual não combina muito, mas ela deve se encontrar. Merece ir longe. Classificada.

11. Mishavonna Henson - Não gosto. Assassinou Everything do Michael Bublé... Tão esquisita quanto o nome. Passou.

12. Stevie Wright - Simpática e bonitinha. Canta direitinho. Tudo muito "inho". Uma versão menos irritante da Mallu Magalhães. Classificada.

13. Joanna Pacitti - Era a minha favorita. A voz que mais me agradava esse ano. Esqueceu a letra em quase todas as músicas, mas passou. Só que foi desclassificada por ter relações com executivos envolvidos com o programa. Espero que ela consiga um bom contrato e caia no show business futuramente.

14. TK Hash - Não lembro dele... Eliminado.

15. Chris Chatman - Metido a popstar, mas é meia-boca. Mais pose do que qualquer coisa. Eliminado.

16. Reggi Beasley - Gosto dele, mas escolhe músicas erradas. Deveria cantar coisas como Bread ou America, evitar agudos potentes. Eliminado.

17. Kendall Beard - Bonita, tem uma voz country, mas é enfadonha, não encanta. Passou.

Segunda dupla:

18. Jenn Korbee - Jenn é linda e tem uma voz de contralto bonita, mas mal trabalhada.

19. Kristen MacNamara - Tem uma voz bonita, mas falta algo nela. É bonita, mas o visual Avril Lavigne não ajuda.

Jenn cantou I'm Not Ready To Make Nice, das Dixie Chicks, uma música para sopranos... Kristen cantou I will Always Love You bonitinho. Simon preferiu Jenn (eu também) e os outros Kristen, que passou.

20. Alexis Grace - Canta bem, mas acho sem graça. Não faz meu estilo. Classificada.

21. Scott MacIntyre - O candidato cego. Sem querer ser preconceituoso, mas os cantores cegos tem um jeito meio desajeitado, o que é compreensível. Mas ele canta bem e é carismático. Gosto dele, mas não tem jeito de pop star. Passou.

22. Lil Rounds - O tipo de diva soul que eles adoram e eu não gosto. Lembra as candidatas da terceira temporada (Fantasia, LaToya e Jennifer Hudson), que foi a que eu menos gostei. Passou.

23. Felicia Barton - Não lembro. Eliminada, mas entrou no lugar da Joanna depois.

24. Ashley Hollister - Também não lembro. Eliminada.

25. Devon Baldwin - Também não lembro. Eliminada.

Terceira dupla:

26. Frankie Jordan - Amy Winehouse cover. Gostei dela na única vez que vi.

27. Jesse Langseth - Tem uma voz bonita, mas não gosto do estilo.

Frankie cantou The Story da Brandi Carlile. Jesse cantou Like a Feather da Nikka Costa que eu amo, mas ficou irreconhecível na voz dela... É o tipo de música que precisa de instrumentos pra funcionar. Simon não gostou de nenhuma e Jesse acabou passando...

28. Shera Lawrence - Não lembro. Eliminada.

29. Derik Lavers - Não lembro. Eliminado.

30. Allison Iraheta - Não gosto muito. Lembra Gloria Trevi. Uma roqueira latina de voz rouca. Os jurados pareceram muito entusiasmados com ela.

31. Danny Gokey - Cantor de soul, me lembra um Taylor Hicks mais discreto. Vale lembrar que o Taylor foi o American Idol de menor sucesso... Uma voz rouca e interessante, mas não gosto quando apela pra choradeira da esposa que morreu. Passou muito na tv e já fez sua chantagem emocional. Apesar de cantar bem, já peguei nojo.

32. Jamar Rogers - O amigo do Danny. Não gosto dele. Muito moleque, e nem gosto da voz. Um Chris Brown piorado. Assassinou Hey There Delilah. Eliminado.

33. Ricky Braddy - Não lembro. Parece uma das drags de Priscilla, A rainha do Deserto. Passou.

34. Matt Giraud - Simon comparou com Elliott Yamin da quinta temporada, mas eu só lembro de Justin Timberlake... Gostei dele cantando Georgia on My Mind. Passou também.

35. Ju'Not Joyner - Não gostei. Achei fraco. Passou.

36. Jorge Nuñez - O porto-riquenho mistura de Marc Anthony com Jon Secada. Quando fica feliz solta a franga... Passou também.

37. Brent Keith - Redneck country singer. Gosto do estilo Brad Paisley, Keith Urban dele. Classificado.

38. Stephen Fowler - Acho fraco. Bem desinteressante. Passou.

39. Nick Mitchell - É um cara normal, mas depois dá a doida e se transforma no seu alter ego, Norman Gentle, espalhafatoso e afetado, que gosta de imitar divas black. Passou, não sei como, mas passou. Mas vai ser legal vê-lo. Ele é mais interessante e divertido quando incorpora o personagem, mas não é exatamente um bom cantor. Tá mais pra show de comédia.

40. Jackie Tohn - Alvoroçada. Tem uma voz interessante mas é amalucada demais, meio abestalhada. Passou.

41. Tatiana del Toro - Figuraaaaaaaaaaça. Uma personagem caricata de novela mexicana. Brega, perua, sem noção, exagerada, dramática, irritante, estridente, metida a diva, espalhafatosa, adora chamar atenção. Tem uma voz bonita acima de tudo, e é divertida demais de se ver. Ninguém gosta dela, e ela deve ser insuportável de se ter ao redor, mas como figura pública ela é o máximo. É a minha favorita absoluta, e provavelmente a do Vote for The Worst também. Eu quero ver os shows performáticos dela, quero ouvir os cd's com ela nua na capa, quero vê-la podre de brega no tapete vermelho do Grammy batendo boca com a Whitney, fazendo pouco caso da Rihanna, posando e soltando beijo pras câmeras só para causar, e quero ver os escândalos dela nos tablóides! Ela é o luxo, ela é o poder! Tatiana Nicole del Toro para American Idol!!!

Quarta dupla:

42. Jackie Midkiff - Gosto da voz dele. Tem visual de cantou de baladas pop ou integrante de boy band.

43. Nathaniel Marshall - Afetado, dramático e espalhafatoso, mas não tem metade do carisma da Tatiana por exemplo. Adora fazer cena e se vitimizar. Irritante.

Jackie cantou When a Man Loves a Woman, e Kara ficou perguntando porque ele estava lá passando por um novo teste. Eu concordo com ela. Nathaniel cantou I'm Already There vestido de Barbie indo à Academia. Por mim, Jackie teria passado, mas Nathaniel passou e vai fazer drama e choraradeira pelo menos mais uma vez na tv.

44. Jeanine Vailes - Não lembro dela, mas passou.

45. Kai Kalama - Sem graça. Parece cantor de rua.

46. Anne Marie Boskovich - Uma das minhas favoritas. Bonita, visual simples, voz suave e simpática.

47. Kris Allen - Não mostraram, mas ele teve que cantar também para passar, junto com Kenny Hoffpauer. Gosto dos dois. Kenny faz o estilo Jason Mraz, já Kris lembra mais cantor de boy band.


Última dupla:

48. Matt Breitzke - Parece cantor de bar. Interessante, mas nada demais.

49. Michael Sarver - Tem uma voz country meio Rascall Flatts. Gosto dele, é carismático e educado, apesar do jeito de republicano sulista.

Matt cantou Satisfied do Ian Moore e Michael canta uma música que nunca ouvi na vida. Os dois passaram...

Eles não mostraram 5 dos que não passaram. O que significa que eles devem ter colocado algumas duplas para cantar e nenhum passou, o que seria desagradável de se ver... Além de perverso por parte da produção. Um dos 5, Kenny Hoffpauer, ficou implícito junto com Kris Allen.

Anunciaram os 12 que cantarão próxima semana, sempre pagando mico dançando ridiculamente, como a produção sempre manda eles fazerem. Se há uma coisa que eles deviam eliminar do programa, eram essas filmagens com essas dancinhas.

O grupo 1 é: Casey Carlson, Stephen Fowler, Jackie Tohn, Anne Marie Boskovich, Brent Keith, Alexis Grace, Michael Sarver, Stevie Wright, Danny Gokey, Tatiana del Toro e Anoop Desai.

Ou seja, desses daí, gosto de Anne Marie, Brent, Michael e Tatiana, mas só 3 passam, e um deles certamente vai ser Danny Gokey. Anoop, Stevie e Alexis têm grandes chances também. Com certeza um dos próximos grupos vai estar cheio de gente que eu não dou a mínima. Alguns dos que não passarem vão para a repescagem, mas é imprevisível saber quem vai. Não gostei desse novo formato antigo...

E como eu havia previsto, adivinnha quem é a favorita do Vote For The Worst:

Go girl!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Seção CINEMA // Crítica O Casamento de Rachel

Acontece Nas Melhores Famílias

O Casamento de Rachel // Rachel Getting Married

Nota: 8,5

Geralmente atores comerciais só são levados de fato a sério quando fazem filmes menores, normalmente independentes, em que eles possam mostrar que têm talento para fazer mais do que Blockbusters e comédias românticas. Isso se aplica mais às atrizes também. Foi assim com Charlize Theron, por exemplo, e agora com Anne Hathaway. Depois de O Diabo Veste Prada, O Diário da Princesa, Agente 86, ela resolveu partir para um filme menor, mas com um conteúdo mais denso. Ela até já fez, Brokeback Mountain, mas definitivamente não era o tipo de filme para ela se destacar.

Outro atrativo é o diretor Jonathan Demme, que fez dois filmes que eu adoro: Filadélfia e O Silencio dos Inocentes (um dos raros casos onde um filme leva os 5 prêmios mais importantes no Oscar, Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro), além da presença da Debra Winger, que eu adoro em Laços de Ternura, e saiu de cena ultimamente. Bom, o filme é sobre uma ex-modelo drogada e atormentada que deixa a reabilitação por um fim de semana para ir para o casamento da irmã mais velha, onde a gente vê um retrato do que é o seu relacionamento familiar, tumultuado com as conseqüências do seu vício.

O filme é interessante e tem seus altos e baixos. Os baixos, pra mim, são definitivamente a festa. Apesar de o noivo ser negro, e ter todo o contexto anti-racismo implícito, tem muita cena de casamento que não acrescenta muito. Isso me lembrou muito o clássico O Franco Atirador, onde a primeira metade inteira é um casamento. E a outra parte pra mim foi tão desinteressante quanto o casamento... Aqui o caso é diferente. E o casamento é uma bagunça. Tem aquela tradição deles das madrinhas usarem o mesmo vestido, e elas usam sári (vestido típico indiano). Uma bandinha aparentemente irlandesa toca o filme inteiro. Depois toca reggae, hip hop, bossa nova, e ainda aparece uma bateria de escola de samba com umas passistas. Uma verdadeira globalização. Eu já estava esperando entrar Silvio Santos com o seu Ritmo de Festa, ou então, Hot Hot Hot. Não dá pra entender se a festa era pra ser temática, se era para ser essa confusão mesmo, se eles julgam que tudo isso combine perfeitamente ou que tudo seja a mesma cultura.

Os altos com certeza são as cenas da família, onde os conflitos entre eles vão surgindo por todos os lados. Nessa parte me lembrou muito outro clássico, Gente Como A Gente, do Robert Redford, inclusive a Debra Winger tem um papel muito semelhante ao da Mary Tyler Moore, só que bem menor. E a principal diferença entre os dois filmes é que aqui ninguém é vilão, ninguém herói. São todos humanos cheios de defeitos que cometem erros. Anne é egocêntrica e mimada. A irmã que se casa tinha inveja do “sucesso” como modelo da irmã, virou bulímica e também se incomoda com a necessidade de atenção eterna dela, que provavelmente a deixou à sua sombra a vida toda. Isso daí já lembra um pouco outro clássico, O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, mas numa versão muito menos doentia. A mãe que não consegue conviver com todos os problemas e o pai que tenta manter alguma união. Aí as semelhanças já voltam com Gente Como A Gente.

Outra parte interessante é como o filme mostra que as drogas são um caminho sem volta. A morte quando vem é trágica, mas como fica a vida dos que sobrevivem, que ficam depois na luta eterna para ficar sóbrios? Para onde eles vão? Todo mundo quer sair da reabilitação, um lugar pesaroso e doloroso, que ninguém gosta. Mas voltam para um lar normalmente desestruturado (porque quem se envolve com drogas não só estraga sua vida, mas a de todos ao seu redor), onde a convivência é dificílima, e em geral acabam voltando para o mesmo meio que os levaram ao vício. É preciso muita força de vontade para mudar de vida realmente. O depoimento de uma personagem fala bem sobre isso numa das reuniões da Kym (Anne).

O filme recebeu uma indicação ao Oscar, de melhor atriz para Anne. E é dela o melhor desempenho das cinco indicadas. Só acho melhor a Kate Winslet em Foi Apenas Um Sonho, mas o filme foi desprezado pela academia e ela foi indicada por O Leitor, já que holocausto é um tema que agrada muito mais aos poderosos judeus da indústria cinematográfica do que a hipocrisia de vida que é vendida para as pessoas nos subúrbios americanos como a receita da felicidade. O prêmio deve estar entre as duas, com a Meryl correndo por fora.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Austrália

Além do Arco-íris

Austrália // Australia

Nota: 8,5

Esse filme foi tão massacrado que eu tinha que ver mesmo pra poder ter uma opinião concreta a respeito. A seção começou logo com um trailer de Gran Torino. E tinha um senhor que dormiu e roncou desde os créditos iniciais. Só acordou quando o celular tocou. Tudo parecia ir contra a maré... Produzido por talvez seu maior diretor, Baz Luhrmann, que fez Moulain Rouge (que eu odeio) e protagonizado por duas de suas maiores celebridades, Nicole Kidman e Hugh Jackman. Esse é o filme australiano mais caro da história. O bom de ir ver filmes com baixa expectativa é porque normalmente ele acaba nos surpreendendo. Eu gostei.

Bom, o filme é sobre uma aristocrata inglesa que tenta salvar sua fazenda em ruínas, e tem como árdua tarefa levar o seu rebanho até o litoral norte para vendê-lo. Para isso ela conta com a ajuda do independente e aventureiro capataz feito pelo Hugh Jackman, vulgo Wolverine. Essa é a primeira história. A segunda é sobre um menino mestiço e a segregação racial promovida na época. A miscigenação era proibida, então os mestiços (que eles chamavam de creamy) eram levados para ilhas para não se misturar com o restante da população, como faziam com os leprosos. As vítimas desse sistema são conhecidas hoje como Geração Perdida. Tem uma terceira ambientada durante o ataque dos japoneses na Segunda Guerra. E ainda tem uma analogia entre a Austrália e o clássico O Mágico de Oz. Oz é o apelido da Austrália por lá, e os australianos são chamados de aussie (pronuncia-se Ozzy). Over The Rainbow toca mais aqui do que no próprio Mágico de Oz.

Esse talvez seja o principal problema do filme. Tem história demais e elas não exatamente se interligam. Parece que estamos vendo vários capítulos de um seriado, o que faz o filme parecer ter vários finais, e já que é um filme longo, isso irrita maior parte do público. O elenco não tem grandes momentos de atuação. Nicole na primeira metade tá o supra-sumo do estereótipo. Uma espécie de Scarlet O’Hara três vezes mais caricata. Ela mesma afirmou que não gostou do seu trabalho do filme. Mas depois ela acerta o ton. Hugh Jackman está constante durante toda a produção.

O filme valoriza tudo que a Austrália tem. Até a figura feminina da Nicole não é vista como indefesa e frágil a espera de um homem que a proteja. A cultura aborígine (que para o cristianismo virou macumba) é abordado, porém meio mística, meio Disney, fantasiosa. As paisagens são lindas. Já vimos em Priscilla, a Rainha do Deserto, que se passa no Território do Norte também, mas Priscilla é um filme de baixo orçamento e metade dele deve ter sido dos figurinos extravagantes. E também nenhum dos milhares de bichos perigosos, cobras, aranhas e afins que a gente vê no Discovery Channel e National Geographic aparecem aqui. Ainda bem porque eu tenho ojeriza a todos eles.

O filme também fala sobre qual o lugar de cada um. Os aborígines são os verdadeiros donos da terra (pareceu até música da Xuxa...) e deveriam ser mantidos no seu natural, com suas culturas e seu modo de vida. Esse é um ponto que se toca e não se conclui ou se desenvolve. Enquanto o estilo de vida europeu (atualmente o American way of life) é imposto, essas minorias são incluídas para servirem como base do sistema. Eles se "integram" para fazer o trabalho pesado que o branco não quer fazer, e suas chances de ascensão social são nulas. Isso foi feito no mundo inteiro. Dá pra fazer comparações com muitas coisas, tipo, não seria melhor se os índios mantivessem suas culturas e continuassem a viver como em 1500 em vez de superlotar favelas e viverem na marginalidade como hoje em dia? É algo a se pensar. E eu vou parando por aqui porque esse post já ficou longo demais.