sábado, 14 de novembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Tudo Pode Dar Certo

Uma Virada do Destino

Tudo Pode Dar Certo // Whatever Works


Nota: 9,0


Filme do Woody Allen a gente reconhece só pelos créditos inicias. Aquelas músicas antigas, que eu acredito que devem ser todas dentre a década 20 e 50, e fundo preto com letras brancas, fonte Benguiat, a mesma do cartaz aí do lado (é só clicar na imagem pra aumentar). Além, é claro, do chato neurótico verborrágico, que quando ele atua nos seus filmes, ele mesmo faz o papel. Eu já passei a acreditar que ele é assim, e esses personagens são sempre uma forma que ele encontrou de se ver dentro de outras realidades, vivendo novas situações, ou fazendo coisas que ele não poderia fazer e satisfaz essa vontade através dos filmes.

Bom, o chato neurótico da vez é o Larry David, que já foi chato neurótico do seriado "Curb Your Enthusiasm" por um bom tempo, então ele sabia bem o que fazia. No filme ele conta sua história, como o primeiro casamento não deu certo e como o inesperado aconteceu na sua vida. O inesperado responde pelo nome de Evan Rachel Wood, linda como sempre, fazendo uma menina do Mississipi (sul dos EUA), com aquele sotaque bem característico. Eu gosto da Evan. Desde Aos Treze e Correndo Com Tesouras que já dava pra ver que ela era boa atriz, tanto que pelos filmes a gente nem nota que é louca o suficiente pra namorar o Marilyn Manson. Só nunca a tinha visto fazendo comédia.

Então a Evan aparece na sua porta como uma menina fugida de casa, sem ter pra onde ir, procurando por comida e abrigo, e encontra seu alento no Larry. Ela é ingênua e tratada como a personificação da burrice universal por ele, que é um chato de galocha, mais salgado que carne de sol, pessimista, resmungão e hipocondríaco, mas ela se encanta pelo gênio que ele se auto-proclama ser, e pela sua suposta inteligência e ele gosta de transmitir todo o seu conhecimento à ela. Aí eles vão aprendendo a conviver um com o outro e o relacionamento deles se desenvolve.

Bom, o elenco ainda tem mais gente, que só aparece depois e eu não vou dizer exatamente o que eles fazem pra não entregar detalhes da trama. Tem a Patricia Clarkson, que também fez Vicky Cristina Barcelona e foi indicada ao Oscar por Do jeito Que Ela É (que eu adoro), como a mãe da Evan, o Ed Begley Jr. faz o pai, e geralmente tem o bonitão da trama, que tem como intuito fazer o chato neurótico (já que o universo gira ao seu redor) se sentir inferior (o que é uma neura a mais pra quem já tem tantas?), função atribuída ao Henry Cavill, do seriado The Tudors, e há alguns anos atrás foi considerado o ator mais azarado de Hollywood por perder 2 papéis pro Robert Pattinson (em Crepúsculo e Harry Potter), e os papéis em Superman Returns e na série 007 pro Daniel Craig. Eu sinceramente não consideraria tanto azar assim, tirando Crepúsculo. Mas perder trabalho pra toda aquela competência dramática do Robert deve ser muito frustrante...

Olha, Woody Allen no começo do ano ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia por Vicky Cristina Barcelona, mas pra mim ele não chega aos pés desse. Aqui tem piada até em letreiro, como o nome da banda do show de rock que a Evan vai. E o filme só cresce com o passar do tempo. O começo pode ser meio indigesto porque agüentar o chato é dose pra leão, mas a partir do momento que aparece a Evan, que é responsável por quase todas as deixas cômicas (e por mim devia ser pelo menos indicada ao Globo de Ouro de atriz em comédia, porque quem vai ganhar mesmo é a Meryl por Julie & Julia), tudo muda, e a entrada da Patrícia também é triunfal. O Henry aparece pra arrancar os suspiros, e o Ed é só a cereja no topo.

Ainda bem que o Woody deu uma desencanada da Scarlet Johansson. Duvido que ela se sairia tão bem quanto a Evan. Legal ver Woody voltando pra sua amada Nova York também, depois de filmar alguns filmes na Europa já que não conseguia financiamento nos EUA. Mas mesmo assim o filme teve lançamento limitado a poucos cinemas só. Nem sei se estreou ou vai estrear no Brasil. Uma curiosidade é que o roteiro já estava escrito desde os anos 70, mas foi arquivado. Ele decidiu produzir durante a greve dos roteiristas em 2008 e só teve que mudar algumas das referências dos diálogos, pra ficar atual. Incrível ver como as críticas à hipocrisia do moralismo religioso (cristianismo, no caso) ainda continuam válidas hoje em dia. E provavelmente sempre serão...

3 comentários:

  1. Adoro o Allen de paixao. Saiba que eu o considero um otimo ator!!!!!! Adoro essa coisa meio "complexo de Portnoy" que ele tem! Tb to louco pra Julia. Ja assitiu "500 dias com ela"? Nao gostei tanto nao desse ultimo. E o Obama? ta caindo a popularidade dele?
    Bjos!

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  2. Eu já acho o complexo dele um pé no saco. Ainda bem que ele sabe escrever outros personagens que conseguem balancear bem isso. Mas nem assim Annie Hall, que é mega aclamado, chega a ser digerível pra mim. Não assisti 500 dias. Perdi o tempo dele no cinema, e mesmo assim não me interessa muito também. Acho o casal insosso demais. E o Obama continua com a mesma popularidade, acredito eu. Pelo menos não percebi nenhuma diferença.

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  3. Não assisti o filme ainda, pretendo assisti. Mas se existe moralismo religioso (dito cristianismo), ele existe, e existirá para sempre. Que bom seja assim, pois se Deus fez as estrelas todas em seu lugar, todas numeradas e em sua rota correta, tudo perfeito na natureza, também é perfeita suas regras em relação à moralidade humana. Veja com relação à adúltera nos evangelhos todos queriam apedrejá-la, Jesus não permitiu, não a julgou, mas disse Vá e não peques mais. Que Deus os abençoe !

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