terça-feira, 10 de novembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Amor Por Acaso

Quem Vê Cara Não Vê Coração

Amor Por Acaso // Love Happens

Nota: 6,0

Quando eu vi o trailer eu me encantei. Talvez por causa da música de fundo. "Better Days" do Goo Goo Dolls. Adoro a música, adoro a banda, etc. Mas ela nem toca no filme... Senti falta. Enfim, besteiras a parte, o filme é dirigido pelo Brandon Camp e o roteiro é do Mike Thompson. Muito prazer... Outro atrativo pra mim foi o elenco. Amo Jennifer Aniston desde o primeiro episódio de Friends, e ainda tô esperando ela se estabelecer no cinema. Acho que ela só fez uns dois ou três bons papéis. O Aaron Eckhart também tem a minha admiração desde Obrigado por Fumar, Batman, Sem Reservas, etc. Ainda tem a Judy Greer que normalmente faz filmes que eu gosto, sempre como coadjuvante, como Elizabethtown e Vestida Pra Casar. De Repente 30 a gente ignora...

Bom, a história é sobre o Aaron, um viúvo que transformou a perda da sua esposa em diário, e depois foi convencido pelo seu empresário maniqueísta a transformar tudo isso em livro. A partir daí ele virou uma espécie de guru da auto-ajuda de araque, à La Walter Mercado, só que menos alegórico, vendendo falsas soluções às pessoas, tipo esse monte de “religião do sétimo dígito” que se proliferam pelas esquinas. Escrevendo isso eu pude ver como esse tema podia ser um ótimo filme. Charlatanismo, religião, mentir pra si mesmo, etc. Esse filme podia ser muito bom...

Enfim, aí entra a Jennifer na história como uma florista trabalhando no hotel em que ele tá dando palestra, e ele se interessa por ela. Aí transformam tudo em romance, como o próprio título denuncia. Só que a imagem de superação que ele vendia é uma completa farsa porque ele nunca superou a perda e não está preparado pra se envolver com ninguém antes de resolver seus problemas primeiro. Enfim, a história não é tão interessante quanto soa. Não se engane.

O problema dos romances é que a fórmula é mega gasta. Tem que ser muito criativo pra trazer coisas novas. Cair no lugar comum, no óbvio, nas cenas clichês, que todos os outros do gênero têm é o que acontece com 95% deles. O filme é facílimo de ser decifrado. Nada surpreende. As cenas são todas comuns, apesar dos atores serem bons, o roteiro não dá espaço pra eles brilharem. A gente vê uma diferença gigantesca entre o desempenho da Judy aqui e em Vestida pra Casar. O papel é o mesmo, a melhor amiga da protagonista loira. Só que no outro ela tinha vida, aqui ela não faz nada. Ainda tem o Martin Sheen (Apocalipse Now, Os Infiltrados e o seriado The West Wing), pai do Emilio Estevez, Charlie Sheen e Cia ltda., que faz o sogro do Aaron.

É um exemplo clássico de como edição é tudo no mundo do cinema. Você sai cortando tudo, montando como quer, coloca uma música legal e faz um mega trailer de algo bem meia-boca. Ou então pode mudar tudo de contexto e transformar em algo completamente diferente, como algumas pessoas fazem e postam no YouTube. Lembro de um vídeo que transformaram Curtindo A Vida Adoidado (que eu detesto, tenho ódio, acho o Ferris um vigarista, um picareta em desenvolvimento, o tipo de gente que cresce e vira político ladrão, e tinha total simpatia pela irmã dele) num romance gay, só remontando as cenas. Tem vários outros exemplo aqui. Se você souber inglês, vale à pena conferir.

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