segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Garota Interrompida

Eu Sou Rebelde Porque o Mundo Quis Assim…

Garota Interrompida // Girl, Interrupted

Nota: 9,5

Esse filme completa agora 10 anos, e eu continuo gostando tanto quanto quando eu vi pela primeira vez. No fim dos anos 80 e começo dos anos 90 Winona Ryder vinha se tornando uma das mais promissoras atrizes de Hollywood, fazendo filmes de sucesso como Minha Mãe É Uma Sereia, Edward Mãos de Tesoura, A Época da Inocência, Drácula e Adoráveis Mulheres. A própria Winona produziu esse filme praticamente (aparentemente...) com uma forma de estabelecê-la de vez na indústria como grande estrela, grande atriz, e ela poder levar o Oscar, que ela teve nas mãos alguns anos antes, mas deram pra Anna Paquin.

Só que havia no meio do caminho uma Angelina Jolie, que roubou a cena. E o Oscar... Depois disso teve o escândalo dos roubos e a carreira dela foi pelo ralo de vez. Acho que se de fato a intenção dela era ganhar prêmios, ela deveria ter agarrado o papel da Lisa, feita pela Joile, porque é de longe o personagem mais interessante do filme, apesar de ser coadjuvante. Mas pelo menos ela acrescentou mais um filme bom no currículo.

Eu fico às vezes tentando imaginar qual a cena memorável dela no filme, mas não consigo escolher uma. São todas ótimas. A do fantoche (foto acima), a da solitária, a que elas cantam Downtown, as duas da sorveteria, e várias outras. A cena que mostraram no Oscar durante o anúncio das indicadas é muito boa, mas pegaram o trecho mais sem graça. Provavelmente não escolheram outra porque ela fala palavrão em todas. E palavrão na TV é o fim do mundo. Acho que só Dercy Gonçalves pra falar palavrão na TV e ninguém dar valor. Ela já tava velha caduca mesmo, então se passava por espontaneidade. Isso no Brasil, por outras bandas acho que nem deve haver exceções.

Garota Interrompida é baseado em um livro autobiográfico escrito por Susanna Kaysen, sobre o tempo em que passou internada numa clínica psiquiátrica. Após tentar suicídio, Susanna, interpretada pela Winona (esquálida!), é internada numa clínica psiquiátrica e diagnosticada com distúrbio Borderline (não tem nada a ver com a música da Madonna). Pesquisei e descobri que em português o nome é transtorno de personalidade limítrofe. Ela reage bem ao tratamento, até começar a se influenciar por Lisa, feita pela Angelina, a sociopata internada na clínica há 8 anos.

Ainda no elenco tem a Brittany Murphy, num dos raros momentos em que ela não está em uma comédia, fazendo uma menina abusada sexualmente, Jared Leto, como o namorado da Winona, prestes a ir à Guerra do Vietnã, Vanessa Redgrave como a psiquiatra do hospital, e a Whoopi Goldberg como a enfermeira-chefe. A direção é do James Mangold, que fez depois Kate & Leopold e Johnny & June, dois filmes que eu também gosto muito.

Esse filme também marcou o fim de uma fase da Angelina. Tava no auge da revolta, tinha feito trabalhos de sucesso seguidos, como George Wallace e Gia, que a renderam diversos prêmios, casou-se com Billy Bob Thornton, caprichou nas esquisitices e virou alvo freqüente dos tablóides e das colunas de fofoca. Depois ela só colecionou filmes fracos, como Tomb Raider, Alexandre e Sr. e Sra, Smith, que eu até acho divertido, mas é mais famoso por outros motivos.

Só agora que ela tá voltando aos trilhos, fez A Troca e O Preço da Coragem (que eu não gosto, mas já é uma evolução), e virou humanitária, adotando crianças carentes, seguindo os passos da Mia Farrow. Tomara que a Zahara (ou o Maddox, pelo andar da carruagem...) não roube o Brad dela. Comentário infame, eu sei... Ela agora substituiu o Tom Cruise no elenco do policial Salt. Refizeram o roteiro só para ela estrelá-lo. Deve estrear no verão de 2010 nos EUA.

Enfim, o filme tem um ritmo ótimo, prende a atenção do começo ao fim, o elenco totalmente em sintonia, apesar de a Angelina ter todos os bons momentos e a trilha sonora dos anos 60 é um veludo para os ouvidos, com Simon & Garfunkel, The Mamas & The Papas, Jefferson Airplane, The Band e principalmente End of The World da Skeeter Davis e Downtown da Petula Clark. O tema é um dos meus favoritos. Acho pano pra manga pra boas discussões. Apesar do meu entusiasmo, o filme não teve das melhores repercussões. A própria autora do livro achou o filme tendencioso e melodromático por criar situações que não existiram, e, portanto, não estão livro. Mas ela viveu a situação real, nós não, então não saberíamos exatamente o que é real ou não na história. Mas o que aparece na tela me agradou.

3 comentários:

  1. Adorei a crítica! Amei esse filme, para mim, a Winona combinou mesmo com esse papel, porque foi parecido com o que ela viveu, acho que foi isso que ela quis passar. Não sou muito fã de Angelina jolie, mas nesse papel ela se superou. Para mim, foi o melhor filme que ela participou e foi a melhor atuação dela!

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  2. Ué, mas o filme foi antes dos dramas da Winona. Teve alguma coisa antes que eu não tô sabendo? E também concordo que a Winona pegou o papel que mais combina com ela, mas se ela queria prêmios, como parece ter sido a intenção, ela deveria ter agarrado o papel mais desafiador.

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  3. A Winona teve outros problemas antes sim, também amo o filme, principalmente pela Winona. E apesar de não está tudo no livro, o filme ficou ótimo, a história é muito boa. Pena que ela se meteu em encrenca demais, amo a Winona no cinema.

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