quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica As Filhas de Marvin

Assim Como Eu e Você

As Filhas de Marvin // Marvin’s Room (1996)

Nota: 9,5


O que será que me fez levar tanto tempo pra ver um filme com Meryl Streep, Diane Keaton, Leonardo DiCaprio e Robert DeNiro? Não consigo pensar numa justificativa plausível. Marvin’s Room era uma peça de teatro que foi adaptada para o cinema,como quase todo o material feito em Hollywood. Quase tudo vem de algum livro, ou alguma peça. Roteiros originais são escassos. E também é dirigido por um diretor de teatro, Jerry Zaks, que vários Tonys. O elenco eu já citei na primeira frase, e o roteiro foi adaptado por John Guare e pelo próprio escritor da peça, Scott MacPherson, que morreu em 1992, anos antes do filme ser filmado e lançado.

A história é sobre duas irmãs, Diane e Meryl. Quando o pai delas sofre um derrame e tica incapacitado, a irmã mais velha, a Diane, se dedica aos cuidados dele e da tia (feita pela Gwen Verdon, a maior bailarina da Broadway nos anos 50 e 60 e esposa de Bob Fosse, diretor de Cabaré), que é doente da coluna desde criança e é viciada em novela, enquanto a mais nova, a Meryl, ignora a família e se muda para outro estado onde se casa, e perde contato. Só que depois de 20 anos a Diane é diagnosticada com leucemia e precisa de um transplante de medula, e entra em contato com a irmã, que vai à sua ajuda com os dois filhos, o Leo, o mais velho, revoltado por nunca ter tido uma presença paterna e é internado numa clínica psiquiátrica após tocar fogo na casa, e o mais novo, um mosca morta.

Vendo esses filmes é fácil para a gente que tá de fora julgar o que é certo ou errado fazer, mas só vivendo a situação mesmo pra saber o que a gente de fato faria ou não. Até que ponto a gente estaria disposto a abdicar da nossa liberdade e individualidade pra ajudar nossos parentes que não têm mais como cuidar de si próprios e precisam de ajuda. E é uma situação muito mais comum do que se imagina. São várias as pessoas que fazem isso, e eu acredito que elas devam viver dilemas internos, sempre se perguntando como seriam suas vidas se elas pudessem ter se dedicado a si mesmas.

Na minha família mesmo teve casos bem parecidos. Eu poderia falar sobre eles, tirando a parte dos dilemas, porque eu não sei o que se passa na cabeça de cada um. Tipo o meu avô que ficou esclerosado, e precisava dos filhos pra cuidar. Uns ajudavam mais, outros menos, como cada um podia, e isso sempre gerava discussões entre eles. Pouco tempo depois que ele morreu a irmã solteirona dele que morava sozinha no interior trilhou pelo mesmo caminho e acabou sendo trazida pra morar na capital com a minha avó, onde ela veio a falecer também.

Ela não era das pessoas mais fáceis de lidar. Minha avó, que conviveu com ela desde jovem, que o diga. Eu me lembro de quando eu era criança e ela vinha visitar e começava com as brincadeiras chatas dela. Puxava a chupeta e beliscava. Eu tinha ódio. Quando eu cresci passei a levar as chatices dela na brincadeira. Ela às vezes se irritava, achava que eu tava debochando dela. Talvez eu estivesse mesmo... E no fim ela já nem se lembrava mais de mim, então cada vez que me via eu era um intruso diferente no mundo dela, e o tratamento dependia do humor dela no dia. Mas a gente gostava dela. Talvez por ser família. Tenho certeza que as opiniões das outras pessoas sobre ela eram diferentes.

Voltando ao filme, acho que a única crítica que poderia fazer a ele é sobre o cartaz. Por ele, parece ser uma história de uma família de classe média alta, e é bem longe da realidade. No filme a Diane assume as rugas e a idade e no cartaz não aparenta nada disso. Nem dá pra notar como a Meryl é cafona. Dá pra ver pelas outras fotos do post. Outra crítica seria em relação da utilização da canção feita pela Carly Simon para o filme. Apesar da letra meia-boca, a melodia é linda, e deveria ter sido usada durante o filme, e não nos créditos finais.

Apesar da carga dramática do filme, ele também prima pelo senso de humor. Sabe quando a gente ria das excentricidades da Shirley MacLaine em Laços de Ternura? Aqui a gente pode rir da tia avó que tem problemas da coluna e anda com uma maquininha que dá choques anestésicos, da falta de decoro e compostura da Meryl e das tentativas do Leonardo de chamar atenção.

Filmes como esse também me provam como a Meryl é de fato a maior atriz de Hollywood. Ela pode fazer uma sobrevivente de campos de concentração, uma lésbica, uma freira intransigente, uma editora de moda, uma líder sindical, uma artista em reabilitação ou uma amalucada como a Lee todas com a mesma intensidade. Ano que vem ela pode ganhar mais um Oscar por Julie & Julia, mas já na primeira premiação da temporada, a vencedora foi a Hillary Swank... Será que a Academia vai preferir dar um terceiro Oscar pra Hillary antes da Meryl?

3 comentários:

  1. Nenhuma das duas vao ganhar o oscar no ano que vem. Serio!!!
    Pq vc gosta tanto desse filme e nao gosta das novelas do Maneco? O enredo é igualzinho! Pq essa raiva da classe media? Vc tm é um cidadao medio-classista! Quantos tem a oportunidade de fazer mestrado nos EUA???

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  2. Pode ser que nenhuma das duas ganhe. Mas por mim a Hillary não era nem indicada. Ela já esgotou a cota dela de Oscar pro resto da vida.

    E eu acho bem diferente esse filme das novelas do Manoel Carlos. Novela dele fala de gente rica, que se tratam por nome, nome do meio e sobrenome, com aquelas mansões gigantes no alto da pedra e vista pro Rio, com arrumadeiras, cozinheiras, motoristas, bossa nova de fundo, e a classe média que tem é metida a besta e aspirante a rico. Tem Susana Vieira chegando do shopping cheia de sacola, com aquele diálogo que dura metade da novela, senta e pede um suco a empregada porque ela não queria comer porcaria na rua. Lourdinha Arruda Cequeira de Mendonça liga pra ela, mas ela não quer atender, pergunta pelo filho playboy que só que saber de gandaia, se ainda tá dormindo, lembra que ainda tem academia e consulta no ginecologista e fala como a Helena é uma pessoa boa. Aí ela lembra que tinha encontro com Clarissa Monteiro de Albuquerque e vai embora de uma vez. Ou seja, cheias de cenas inúteis.

    Enfim, tudo me irrita naquelas novelas dele. Essa nova eu até vi uma cena no youtube, de um desfile (em uma mansão, não era nem em uma fashion week) na água (nada que America's next top model não tenha feito) em que a Alinne Morais, que deve ser a vilã enjoada, cai e bota a culpa no povo. Todas as falas são terríveis. Os comentários da Natália do Valle, Lilia Cabral, etc. Os diálogos são indigestos de tão artificiais. Os problemas ele copia de filmes de Hollywood e mascara num apartamento do Leblon com Tom Jobim ao fundo. Aí coloca um nucleozinho pagodeiro ou do funk porque já o criticaram por só ostentar riqueza. No final todos vivem aquela felicidade patética de propaganda de margarina com todo mundo junto e sorrindo depois que todos os problemas foram embora, tomando muito veuve clicquot. A socialite dá até um pra empregada...

    Enfim, já falei demais e acho que já deu pra ilustrar o meu repúdio.

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  3. http://www.youtube.com/watch?v=aiRxG0eT7L0

    Dá uma olhada nesse vídeo, vê os discursos do povo, as falas da Lilia Cabral, Danielle Suzuki, etc. Um horror de tão fake.

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