segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Bastardos Inglórios

Obs: Esse foi um texto feito logo após ver o filme. Hoje (junho/2011) minha nota seria 9,5.

Oh, My God! They Killed Kenny!

Bastardos Inglórios // Inglourious Basterds

Nota: 7,5


Tarantino é dos meus diretores atuais favoritos. Então apesar do tema guerra/holocausto já ter me saturado faz tempo, não foi nenhum sacrifício assistir o novo filme dele. Eu sabia que dali iria sair uma maneira interessante de abordar o tema. E não estava enganado. Ele o definiu como um faroeste de catchup da Segunda Guerra Mundial. O filme é muito interessante. As histórias são envolventes e prendem a nossa atenção. As 2 horas e meia de filme mal se sente passar. Então vocês podem perguntar o porquê da nota relativamente baixa. Calma, tem explicação. Vou relatar tudo. Sigam-me os bons!

Bom, o filme tem duas histórias distintas que se cruzam sempre e se encontram em certo ponto. Vamos a elas:
#1 – Na França ocupada pelos nazistas, uma família judia se esconde em uma casa no interior, mas são encontrados pelo detetive alemão Hans Landa, que o Tarantino queria que fosse interpretado por Leonardo DiCaprio. Eu o acho um ótimo ator, mas me pergunto como o Leo se sairia falando alemão, francês e italiano... O papel acabou com o ator austríaco Christolph Waltz, que ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes. Enfim, apenas uma moça consegue escapar. Algum tempo depois ela vive em Paris disfarçada de francesa, com o nome falso de Emmanuelle Mimieux, é dona de um cinema, e passa a ser desejada por um soldado alemão, aquele rapazinho de Adeus Lênin, Daniel Brühl, que de certa maneira a força a ceder seu cinema para ser o local da estréia de um filme nazista, com a presença da nata do exército alemão, inclusive Hitler.

#2 – Um exército alternativo chamado Inglorious Basterds, liderado pelo Brad Pitt, caça nazistas e coleciona escalpos dos cadáveres dos alemães recém assassinados. Essas cenas são ótimas... Eles têm vários aliados, como franceses, americanos, ingleses e uma famosa atriz alemã, feita pela Diane Kruger, que era a Helena em Tróia e num primeiro momento me lembrou a Demi Moore, até eu poder ver o seu cabelo louro. Mas eu sabia que não era a Demi... O Tarantino queria a Nastassja Kinski interpretando-a inicialmente. Com a ajuda da Diane, eles descobrem sobre a estréia do filme nazista e armam um plano pra assassinar Hitler e acabar com a guerra.

Apesar das histórias serem totalmente fantasiosas, e de forma alguma servirem para retratar a história, as histórias são ótimas e muito interessantes. Ainda se perguntam sobre a nota... Eu explico. Acho que esse seja o filme com mais altos e baixos que eu já vi. Os créditos iniciais no início são um tédio interminável. Apenas letras amarelas num fundo preto e não acabam nunca. Depois vemos os capítulos do filme, e as histórias começam a interessar. O filme tem muito senso de humor e isso conta muito. Em contrapartida a violência é exagerada. Essa obsessão do Tarantino já passou do nível patológico. Ainda não vi um filme dele em que pelo menos metade do elenco morresse.

Há longas cenas em que se combinam humor negro e suspense. Elas são excelentes. Uma das melhores cenas é a do bar, com a Diane, que é excelente até o final. O elenco também é soberbo. O ator austríaco que faz o caçador de judeus ganhou o prêmio em Cannes, tem o melhor papel do filme de longe, mas a cena que eu vou lembrar pra sempre é o Brad Pitt falando "arrivederci". Apesar de ter sido rotulado como galã desde o início e ser subestimado, sempre o achei um bom ator, desde o tempo de Thelma e Louise e Os 12 Macacos. E ele é um dos poucos atores de Hollywood que conseguiu fazer três grandes performances seguidas. Queime Depois de Ler, Benjamin Button e esse. E são três papéis bem distintos, mas assim como em Queime Depois De Ler, aqui ele usa muito da sua veia cômica.

A Diane também me surpreendeu. Não sabia que ela era tão boa. Eu a vi em Tróia e acho que não vi mais nada dela desde então. Também queria ver mais do namorado dela, o Joshua Jackson, que era o Pacey de Dawson’s Creek, e era o melhor ator deles, junto com a Michelle Williams. Mas o filme dá uma derrapada legal no terço final. Perde totalmente o senso de humor, e foi o que mais me incomodou. O fim bota tudo a perder, porque o Taranta errou a mão dessa vez. Exagerou no seu sadismo já tradicional e dessa vez não deu pra rir. Tanto que o filme não foi bem recebido em Cannes, e ele reeditou para lançá-lo no cinema. E mesmo assim não gostei muito do resultado final dessa versão. Gostaria de ver a versão inicial pra ter noção de quais foram as melhorias. Se é que houve alguma...

9 comentários:

  1. Eu quero ver!!!!!!!!!!!
    Vou esperar alguem jogar na net com uma qualidade legal de imagem!
    Ouvi dizer que o novo filme do Almodovar é um lixo. Tem alguns brasileiros la na espanha, (vi isso no orkut) que detestaram o filme. As pessoas sairam do cinema antes dele terminar. Dizem que é super parado e que as acoes so ocorrem nos ultimos 15 minutos. Dizem que é pior do que "A lei do desejo".
    Mas eu acredito que as pessoas gostaram desse Bastardo.... Ele está no ranking 35 da lista do imdb (na frente de Apocalipse Now!!!!!!!!!!).
    Vc vai ver o novo do Trier?
    Bjos!

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  2. Adoro o Tarantino. Adoro o Daniel Bruhl (fofo.fofo.fofoooo!). Eu acho que ele quis encarar o desafior de fazer humor sobre um tema tão caro ao dramalhão como é a segunda guerra, pena que tenha abusado da bolonheza. Em todo caso, já pela nota 6 vale conferir. Um tarantino 6 é melhor que muita coisa 10 por aí. beijos!

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  3. Um dos melhores filmes do ano. Para mim superior a Pulp Fiction. Excelente fotografia e banda sonora, com um elenco invejável. Christoph Waltz é a grande surpresa!

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  4. Tiago, das suas 4 frases, só concordei com as duas últimas. Acho que ainda vem muita coisa por aí pra saber se esse é um dos melhores filmes do ano. E ao contrário de Pulp Fiction, que tem o humor negro no ponto certo e é constante durante todo o tempo, Inglourious perde totalmente a graça perto do fim e fica só no repugnante, tipo Jogos Mortais (Saw). Mas o meu filme favorito do Tarantino continua seno Jackie Brown.

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  5. Ameeeeeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiii!
    Nunca vi Pulp Fiction, nunca conseguir assistir a um Kill Bill completo, sempre durmo antes de acabar, e adorei Cães de Aluguel.
    Também gostei de Jackie Brown.

    Enfim, não sou a maior fã do Tarantino, mas ameiiiii o filme!

    Ele não quis que o filme tivesse só humorzinho negro, Ele quis sim chocar.
    Não vi essa mudança de ritmo. O filme inteiro é bem pesado.
    Ele quis chocar mesmo.
    Adorei a abordagem dele.

    Eu dou uns 9,5 tanquilo. Na verdade, não sei nem porque eu não dei 10,0.
    É que eu sou muito perfeccionista mesmo.

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  6. Tenho esse filme gravado na memória do meu receptor SKY e não canso de assistir, não pela violência, mas pelos diálogos em alemão, francês e um pouco de italiano impecável de Christoph Waltz (perfeito).

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  7. Esse daí merecia nota mais alta na minha opinião :D É a obra-prima de Tarantino.

    A minha crítica: http://cineroad.blogspot.pt/2010/01/sacanas-sem-lei-2009.html

    Abraço,
    Roberto Simões
    CINEROAD

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    1. SPOILER ALERT:

      Eu hoje gosto BEM mais do que quando vi nessa época. Shoshanna ter morrido, quando vi na primeira vez, meio que matou o filme pra mim. Acho muito superior a "The Hurt Locker" e "Avatar", e devia ter ganho aquele Oscar. A bilheteria de "Avatar" e a relação de Bigelow com Cameron, além do tema central das infindáveis guerras americanas no oriente médio, acabaram ofuscando "Bastardos" :(

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