quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Brüno

Tudo Pela Fama

Brüno // Brüno: Delicious Journeys Through America for the Purpose of Making Heterosexual Males Visibly Uncomfortable in the Presence of a Gay Foreigner in a Mesh T-Shirt

Nota: 5,0

E lá vem mais uma odisséia do Sacha Baron Cohen. Borat, eu odiei. Achei tudo de ruim, apesar de ter seus momentos interessantes, tipo a cena do rodeio. Dessa vez o filme é sobre o seu personagem gay, o fashionista austríaco Brüno. A fórmula é a mesma do outro filme. Ambos os personagens vão à América, como se a América fosse um país só... Mas eles têm diferentes finalidades. Enquanto Borat, que é cazaque, quer adquirir cultura nos EUA para poder transmiti-la a seus compatriotas, mas acaba se perdendo pelo caminho quando descobre a quenga-mór da “América”, Pamela Anderson, Brüno só está em busca da fama. Não sei como não adicionaram esse subtítulo clichê ao filme, (Bruno – Em Busca da Fama) já que no Brasil adoram fazer essas associações. Vou fazer um post qualquer dia só com os inúmeros exemplos.

Bom, eu já disse a história do filme no parágrafo anterior. Não há mais história do que aquilo. Dá pra falar agora sobre o formato e alguns acontecimentos do filme. Dá pra ver claramente que o Sacha é um cara muito inteligente e critica aspectos muito interessantes da sociedade. Tipo, o próprio personagem dele é a própria caricatura de subcelebridades que fazem de um tudo pra estar na capa das revistas. Mas a maneira como ele o faz é, no mínimo, de muito mau gosto.

Os personagens, tanto Borat, quanto Bruno, criam visões erradas dos seus países natais. O Sacha é inglês, judeu, etc., mas os personagens são de outros países, e ele cria uma realidade completamente asquerosa do ambiente em que eles vivem. A situação é a mesma de quando os brasileiros se revoltaram com o retrato do Brasil em Turistas. Imagine o que um cazaque pensa quando vê Borat... Ou um austríaco ao ver Brüno. E quanto ao Cazaquistão, eu não faço idéia, mas a Áustria deve ser um deslumbre. Apesar da crítica maior ser aos EUA, mas a menos óbvia, que o público em geral normalmente não capta.

Além disso, há cenas que são feitas apenas pra chamar atenção. Quebram o ritmo, e forçam a barra. Como a cena da sessão espírita em que ele “interage” com o Milli, do Milli e Vanilli, a briga do Borat com o seu agente, a intimidade de Brüno e seu namorado, entre outras. Cenas grosseiras, desnecessárias e totalmente gratuitas. Ok, estou longe de ser puritano, nem nada daquilo me ofende, mas também não há uma razão específica de elas estarem lá além de puramente chamar atenção. Risadas fáceis, para cabeças fáceis.

E por fim, a fórmula do filme em si, que é uma espécie de documentário, que eles chamam de “mockumentary”, algo tipo um documentário de gozação. A idéia é de tudo aquilo ser espontâneo e inesperado, mas não convence. Uma cena ou outra, pode até ser, mas é evidente que no mínimo 90% do filme é ensaiado. Se ainda fosse uma câmera escondida, a gente poderia tentar acreditar em alguma espontaneidade naquilo ali, mas com aquela qualidade de imagem, tantos ângulos e takes, quem seria o idiota que acharia que estava sendo filmado por tantas câmeras sem nenhum objetivo? E no fim das contas, Borat foi uma inovação no cinema, uma novidade. Bessa vez, caiu no mais do mesmo. Não acredito que tenha o mesmo impacto pra indústria. Enfim, resumindo, ainda tá difícil do Sacha me agradar...

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