sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Seção CINEMA // Crítica Pequeno Buda

O Evangelho Segundo Bertolucci

Pequeno Buda // Little Buddha

Nota: 5,0

Esse filme tem um tempão já. Eu tinha visto quando pirralho, nunca vi de novo. Revi na TV esses dias e resolvi escrever sobre ele. Bom, é um filme do Bertolucci, que eu considero um dos diretores mais superestimados da indústria. Eu sinceramente já vi vários filmes dele e não gostei de nenhum! O Último Tango em Paris é um saco. O Último Imperador é aquele bando de chinês falando inglês. Até rimou... A parte técnica é irretocável, mas a história é sem sal. A Academia adora premiar histórias assim. Vide O Senhor dos Anéis. 1900 só é lembrado hoje por causa da cena de masturbação do DeNiro e do Depardieu. Os Sonhadores, seu último filme, é pura putaria sem propósito. Sempre quis ver Beleza Roubada, mas nunca tive oportunidade. Ou sempre preferi alugar outros a ele. Em resumos, não nutro grande simpatias a obra dele.

O principal motivo por eu ter revisto foi uma amiga ter me dito que esse era seu filme favorito. Aí a curiosidade me moveu. Bom, a história é sobre uma família de Seattle que é abordada por monges budistas que afirmam que seu filho possa ser a reencarnação de Buda. Aí qualquer pessoa ocidental normal daria uma bela de uma gargalhada, ou sairia à francesa com um tiquinho de medo, mas eles levam a pataquada adiante.

Os pais do menino são feitos pela Bridget Fonda, que é filha do Peter, sobrinha da Jane e neta do Henry (se você não sabe quem é a família Fonda, morra e reencarne com um pingo de vergonha na cara), e que eu gosto muito desde A Assassina, Jackie Brown, Escândalo e Vida de Solteiro. Ela se casou com o Danny Elfman, que era da banda Oingo Boingo e hoje virou compositor de trilhas de filmes. Desde então ela se aposentou da indústria. Uma pena. O pai é o Chris Isaak. O Chris é um cantor conhecido por Wicked Game, aquela música de motel que ele desmunheca a vontade, e de vez em quando faz umas pontas em filmes.

Os monges então dizem que precisam levar o menino para o Butão para averiguar se ele é de fato a reencarnação da divindade. Enquanto isso, ele conta a história de Buda para o menino, e o filme é intercalado com encenações da história de Buda, que é feito pelo Keanu Reeves, numa coisa bem Godspell, parece aqueles desenhos animados que passavam religiosos da vida de Jesus que passavam no SBesTeira domingo de manhã, e no colégio em toda aula de religião.

O filme recebeu uma indicação ao Framboesa de Ouro, de pior revelação para o Chris. Por mais que eu ache a premiação divertida, ela não é exatamente justa, né? Qualquer cantor que bote a cara num filme é gongado. Mariah, Britney e Madonna que o digam. E o Chris nem tá ruim num papel sem grandes nuances, tirando a cena da orelhinha. Tudo bem que em Friends como namorico da Phoebe ele tava bem melhor, mas o pirralho, filho dele, é muito pior ator. Nossa, ele é muito ruim. Tem criança muito melhor que ele por aí na indústria. Pior que o menino, só o Keanu. Cruz credo, Ave Maria! Tenho até medo. Eu acho que ele pensou que pra fazer Buda só precisava emagrecer, e se esqueceu de atuar. Ele ficou magro, uma coisa esquisita, parecendo uma serpente transformista. Fez parecer que Buda era um eunuco! Não dá pra não gongar.

Enfim, não me identifiquei, não curti, não achei o budismo interessante, não consigo levar religião a sério, seja ela qual for e detesto esses processos de evangelização. Ainda mais quando nós, o público, somos vistos pelos olhos de uma criança, e tratados como tal, onde a história tem que ser contada praticamente como desenho animado, mais mastigada do que chiclete, porque senão a gente não entenderia. O filme até suscita uma curiosidade pra saber a solução do mistério que ele propõe, mas o resultado é o pior que se possa esperar. Indecisão me irrita. E Bertolucci continua sendo pra mim um realizador de filmes ruins. Pelo menos ele não propaga discriminação ou a superioridade da raça americana, como outros.

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