terça-feira, 28 de julho de 2009

Seção CINEMA // Crítica A Proposta

Proposta Indecente

A Proposta // The Proposal

Nota: 5,5


Às vezes eu me espanto como Hollywood consegue transformar tudo em comédia romântica. Devem vender livros com a fórmula secreta. Nem tão secreta assim, porque no fim, tudo acaba como aquela velha e boa colagem de diversas coisas que deram certo em diversos filmes e nesse ficou bem mais do mesmo, mas é só colocar duas estrelas protagonizando que a bilheteria já justifica o investimento. Pode deixar que sempre que necessário eu irei citando pra ficar claro.

A protagonista é a Sandra Bullock, grande estrela de Hollywood, e apesar de nunca ter feito um grande filme. Pode baixar sua mão. Crash é uma droga. Ela faz a chefe infernal, bem ao estilo “O Diabo Veste Prada”. Só que ela é canadense, e seu visto expirou. Ou seja, cerveja! Enfim, ela está prestes a ser deportada, e demitida, e resolve se casar com o seu assistente (o Ryan Reynolds, marido da Scarlet Johansson, que tem até variado a filmografia ultimamente) para poder ficar no país. [Alarme soando] Tema delicado mal aproveitado [Cessar alarme]. O que poderia render cenas interessantes com um drama, que inclusive poderia levar os dois atores a serem mais reconhecidos na indústria, acaba virando apenas uma comédia banal.

A Sandy é diabólica, mas o Ryan é o braço direito dela, o que o faz ter alguma intimidade ali. Então ele se aproveita disso e exige em troca outros favores dela, como uma promoção. Mas eles têm que provar que realmente mantêm um relacionamento para a imigração, então ela acaba indo passar um fim de semana com a família dele. No Alaska... Aí ele vai domando a megera (Shakespeare?). [Alarme soando] Tema mal aproveitado 2! [Cessar alarme]. O Alaska deve ser um dos lugares habitados mais gélidos do mundo. Já que virou comédia, o frio do inverno de lá renderia muito mais piada do que ir para o Alaska no verão, creio eu.

Enfim, depois disso a história se desenrola mais, e se eu contar perde a graça, pra quem gosta do gênero ou de se surpreender intensamente. Outras coisas mais que posso comentar é o elenco. Sandra e Ryan estão bem, mas não são nem de longe um casal tão bom como o James Marsden e a Katherine Heigl em “Vestida pra Casar”. Falando em “Vestida”, o filme tem a Malin Akermann, que faz a irmã da Katherine no outro. No outro ela era a irmã sexy e fatal. Aqui ela é a ex-namorada matuta e insossa. É, talvez até se possa dizer que há ali algum potencial para atriz camaleônica. Mas nesse filme, achei o papel dela totalmente desnecessário. Não contribui em nada.

Além da Malin, tem a Betty White, ícone da comédia americana na TV, e a Mary Steenburgen. A Mary hoje trabalha bem esporadicamente, mas ela já ganhou um Oscar de coadjuvante nos anos 80 por Melvin e Howard, do Jonathan Demme (O Casamento de Rachel e O Silêncio dos Inocentes). Não me lembro de ter visto nenhuma cara conhecida fora os que citei. No parágrafo anterior falei tanto sobre “Vestida pra Casar” que até esqueci que ambos são dirigidos pela Anne Fletcher. Esse é o terceiro filme dela. Outra coisa interessante é que o Ryan é canadense, e a Scarlet é americana. Será que a arte imitou a vida?

Quanto às partes mais “curiosas”, eu poderia citar os tamanhos dos saltos da Sandra. São gigantescos. Eu não sei como alguém se equilibra naquilo. O do cartaz é pequeno comparado aos que ela usa durante o filme. A casa dele no Alaska é um deslumbre, e deve ser um local totalmente inacessível no inverno, imagino. Apesar de lindo no verão. A cena em que eles ficam no quarto fica evidente que a paisagem da varanda é um quadro. Ou um cromaqui. Lembrou teatrinho do colégio. Vergonha alheia batendo forte! A cena mais famosa do filme, a que os dois se esbarram nus, ficou muito forçada. Ela estava tomando banho e esqueceu a toalha. Até faz sentido. Mas ele, do nada, tirou a roupa toda na varanda. Só pra dar ibope...

O bom das comédias românticas é que as trilhas sonoras costumam ser ótimas. Adorei conhecer músicas novas. Além disso, o elenco costuma ser muito agradável "de se ver", salvo algumas exceções, como o latino faz-tudo (mega caricato), que vai de stripper a ministro de igreja. No final das contas, eu critico tanto as comédias românticas, mas às vezes dá vontade de desligar o cérebro e ver algo sem ter que pensar muito. E nesse caso eu prefiro mil vezes uma comédia romântica a uma aventura interminável cheia de elfos, hobbits, anões, bruxos e/ou smurfs. Conclusão: boas ou ruins, comédias românticas têm sua função de existir. Mas eu poderia ter ficado sem essa...

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