sexta-feira, 12 de junho de 2009

Seção CINEMA // Crítica Divã

À Procura da Felicidade

Divã


Nota: 8,5


Demorou mas eu fui ver Divã. Na verdade eu estava esparando pra ver com uma amiga que queria ver comigo, e como eu sempre escolho o filme, dessa vez eu atendi o desejo dela. Eu tenho um certo preconceito declarado com filme nacional, que eu já disse 1000 vezes (e digo de novo) que ele estagnou nos temas da violência e das versões cinematográficas dos programas noturnos da (eca!) Globo. Isso sem contar nas porcarias que a Tizuka Yamazaki filma da Xuxa e do Didi. Mas o Didi já mudou de diretor há um tempo... Enfim! Pelo menos divã vai numa onda diferente, foi peça de teatro de sucesso e que agora transformaram em filme.

A Lília Cabral faz Mercedes, uma mulher de meia idade que entra em crise, descontente com a vida, mas não sabe por que. Parece que essa é a idade para essas coisas. Espero estar muito bem resolvido da vida quando chegar nela. Retomando, ela questiona o casamento, passa a se envolver com outros homens (mais jovens), muda seu comportamento, etc. Enquanto isso a gente vai conhecendo a vida dela, o marido é o José Mayer, com aquela cara eterna de pedreiro dele, os dois filhos que somem com a mesma velocidade que surgem, a melhor amiga perua, consumista que só ela, o cabeleireiro gay, como não podia deixar de ser, etc.

A adaptação podia ser melhor. O filme tem uns problemas tipo nas cenas da terapia, em que a gente não vê o terapeuta ou ouve a voz dele. Lembrou os professores dos desenhos do Charlie Brown e Snoopy. O legal é que em nenhum momento ela é condenada pelas atitudes adúlteras dela. É um filme “pra-frentex”, o que eu acho ótimo! Não que eu apóie, mas deixemos os julgamentos e juízos de valor para os envolvidos com a história. Outros exemplos são os papos sobre masturbação e a conduta sexualmente ativa da filha adolescente da amiga. Em nenhum momento ninguém a chama de vagabunda, por exemplo. São avanços. Isso jamais passaria na tela da TV.

Divã é um filme que pra mim comprova o crescimento do cinema nacional. O nível é o mesmo das comédias americanas, desde os créditos à qualidade das imagens, mas o roteiro é melhor (porque não descamba pra baixaria), menos moralista e não é frívolo. Até tem menos agradecimentos aos patrocinadores no início. Tem seus defeitos também que todo mundo já cansou de dizer, tipo a forçada de barra que é a Lília Cabral formar par com o Reynaldo Gianechinni e com o Cauã Reymond. E dizer que o Cauã tem 19 anos também é demais. Nem há uns bons sete anos atrás quando ele fazia malhação ele tinha cara de 19 anos. A Mercedes lembra a Poppy de Simplesmente Feliz, de tão boba alegre que é, beirando a babaquice. Sem contar no visual entregue ao Deus dará. Aí fica mais difícil de entender os casos dela. As piadas são engraçadas, o cinema em peso ria alto. Eu, que sou cri-cri e enjoado, ria em tons menos agudos, mas reconheço que é um filme bem divertido e passa coisas boas.

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