domingo, 10 de maio de 2009

Seção CINEMA // Crítica Como Festejei o Fim do Mundo

O fim do mundo como a gente o conhece

Como Festejei o Fim do Mundo // Cum Mi-am Petrecut Sfârşitul Lumii

Nota: 8,0


Faz um tempinho que não vejo filmes europeus e resolvi ver esse filme romeno. Como nada da Romênia está na boca do povo, eu nunca ouvi falar de ninguém envolvido com a produção e não poderia passar mais informações a respeito delas. O filme é um retrato do fim da ditadura comunista na Romênia, a partir do ponto de vista de uma comunidade rural. Uma jovem, Eva Mateï, e seu “ficante” Alex quebram acidentalmente o busto do ditador lá. Como o mundo é machista, ela leva a culpa sozinha do acidente e é transferida desta escola para uma espécie de reformatório, tipo uma escola técnica, cheia de rebeldes “exilados”. Lá ela começa a se envolver com outro rapaz, Andreï. Juntos eles decidem fugir da Romênia, atravessando o Danúbio, e tentar uma vida melhor em outro país, longe do comunismo que fechava esses países. Interessante que até hoje em dia todos esses países da antiga Cortina de Ferro são muito misteriosos para nós. A gente não tem muita informação de como seja a vida por lá.

Uma coisa que me chamou a atenção é como os romenos são magros. Pelo menos os homens. Todos os dois namorados da protagonista são quase raquíticos. E o irmão criança dela também. Adorei o nome do menino. Lalalilu. Parace bê-á-bá. Outra coisa que o filme me lembrou foi uma novela de Dias Gomes dos anos 90 chamada O Fim do Mundo, que passou na Globo. Lembrei pelo nome dela, lógico, porque eu não me lembro de praticamente nada da trama, mas eu adorei e gostaria muito de rever. Só lembro que havia a profecia do apocalipse numa cidade do interior, e as pessoas liberavam os seus desejos mais secretos para realizar antes de partirem desta para pior... No filme não apocalipse nenhum, o fim do mundo é só uma metáfora para o fim do comunismo no país.

A gente é acostumado com filmes hollywoodianos, que têm um único objetivo, que é claramente especificado e a história toda caminha para o desfecho dela. Filmes europeus têm um ritmo totalmente diferente. O tempo vai passando e parece que nada acontece e que nada está para acontecer. Principalmente porque as personagens não expõem seus objetivos e suas ações futuras nos diálogos, como os americanos fazem, porque o público tem preguiça de pensar. Aqui a gente tem que entender sozinho porque eles fazem cada coisa. Onde eles querem chegar com isso. E esse costume de só ver produções americanas acaba condicionando a gente. Eu mesmo tive certa dificuldade de fazer uma sinopse para ele, e só consegui entender melhor o filme enquanto escrevia esse texto. Ele tem um pano de fundo interessante que merece ser discutido.

Regimes totalitários, sejam eles de esquerda, como nos países do leste europeu, ou de direita, como em toda América Latina dos anos 60 a 80, e nos países islâmicos são uma grande fonte de insatisfação e revolta popular. O filme mostra claramente que o comunismo, mesmo pregando a igualdade de direitos a todos, era um regime duro e cerceava a liberdade das pessoas. Tentavam enraizar um patriotismo na população enquanto elas na verdade estavam extremamente insatisfeitas com a falta de perspectiva na vida. Ou seja, era lindo na teoria, mas na prática era um fracasso. Mas quero deixar claro que isso também não é nenhuma defesa do capitalismo, que só aumenta o abismo social dos países, onde o rico cada vez fica mais rico, e o pobre cada vez fica mais pobre. E o motivo todo mundo já conhece, é o que o de cima sobe e o de baixo desce...

Um comentário:

  1. Fazer o qu~e... o capitalismo é o melhor regime.. nos países nórdicos a vida não é assim nao.. lá nao te m esse abismo social igual no continente americano..... e lá tb é capitalista. Mas nos brasileiros so queremos bolsas esmolas... ja ta bao demais da conta sô!

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