segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Seção CINEMA // Oscar 2009

Tente, invente, faça um Oscar diferente!

Com a recessão e a progressiva queda de audiência no decorrer dos anos, o desafio desse ano da academia era deixar a premiação mais rápida, enxuta, mais divertida e menos maçante. Eu nunca achei maçante, mas tudo bem, a grande maioria acha...

A primeira medida foi escalar o ator e showman Hugh Jackman como apresentador. Ele canta, dança, conta piada, assobia, chupa cana e toca pandeiro. Ele fez alguns números musicais, como o primeiro, sobre os filmes do ano, e a homenagem aos musicais, que foi dirigida pelo Baz Luhrmann, que teve Beyoncé, o casalzinho de High School Musical Zac Efron e Vanessa Hudgens e o casal de Mamma Mia! Dominic Cooper e Amanda Seyfried. Os dois casaizinhos totalmente dispensáveis... Hugh e Beyoncé davam conta do recado muito bem. Destaque absoluto para Beyoncé de maiô vermelho acentuando suas curvas e o seu quadril quilométrico. Qualquer dia a Preta Gil vai se comparar à ela, coitada...

Vários prêmios foram todos entregues de uma vez, pelos mesmos apresentadores para evitar maiores demoras. Aglomeraram efeitos visuais, edição de som, mixagem de som e montagem no mesmo grupo, todos entregues pelo Will Smith. Maquiagem, figurino e direção de arte, entregues pelo 007 Daniel Craig e Sarah Jessica Parker. Os prêmios de roteiro, logo no início, foram entregues por Tina Fey, roteirista e atriz de 30 Rock e Steve Martin, que não paravam de fazer piadas.

A orquestra saiu do fosso do teatro para ir para o palco, que também se aproximou mais da platéia. As apresentações das canções indicadas foram péssimas... Primeiro que só a de Wall-E se salvava. As indianas eram tenebrosas. Como resolveram fazer um medley (ou pot-pourri) delas, misturando alhos com bugalhos, Peter Gabriel se recusou a interpretá-la e o insosso do John Legend o substituiu. John Legend cantando Peter Gabriel, um filme sobre robôs com umas dançarinas indianas de fundo. Isso parece fazer algum sentido? Enfim... No fim das contas ganhou Jai Ho, a indiana que toca nos créditos finais de Slumdog, o momento “vergonha alheia” do filme...

Outro momento lindo foi Queen Latifah cantando a famosa canção da Broadway I’ll Be Seeing You (que bota no chinelo o circo indiano anteriormente apresentado), gravada por diversos famosos artistas, como Frank Sinatra, Billie Holliday, Etta James e, mais recentemente, Michael Bublé, como homenagem aos artistas falecidos em 2008, como Sydney Pollack, Anthony Minghella e Paul Newman.

Mais sem dúvida, a maior inovação, foram as entregas dos prêmios de atuação. Dessa vez, cinco antigos vencedores da categoria apareceram para falar dos indicados do ano, ao invés do tradicional clipe deles no filme:

Tilda Swinton (Conduta de Risco), Goldie Hawn (Flor de Cacto), Eva Marie Saint (Sindicato de Ladrões), Anjelica Huston (A Honra do Poderoso Prizzi) e Whoopi Goldberg (Ghost) entregaram o prêmio a Penélope Cruz, por Vicky Cristina Barcelona. A pior das indicadas, vamos combinar... Viola muito emocionada, e Whoopi não podia perder a oportunidade de ser engraçada.

Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine), Joel Grey (Cabaré), Christopher Walken (O Franco Atirador), Cuba Gooding Jr. (Jerry Maguire) e Kevin Kline (Um Peixe Chamado Wanda) entregaram o prêmio póstumo a Heath Ledger. Sua família veio diretamente da Austrália receber o prêmio.

Marion Cotillard (Piaf), a loba romana Sophia Loren (Duas Mulheres), Halle Berry (A Última Ceia), Shirley MacLaine (Laços de Ternura) e Nicole Kidman (As Horas), finalmente entregaram o prêmio a Kate Winslet. Pena que ela já tenha feito tanta coisa melhor, mas ela é esplendorosa e merecia o prêmio.

E no prêmio mais disputado da noite, entraram no palco Robert DeNiro (Touro Indomável e O Poderoso Chefão), Adrien Brody (O Pianista), Michael Douglas (Wall Street), Anthony Hopkins (O Silêncio dos Inocentes) e Ben Kingsley (Gandhi) entregaram o merecidíssimo prêmio de melhor ator a Sean Penn, deixando o favorito Mickey Rourke de mãos vazias.

Eu adorava ver os clipes, mas essa nova forma de apresentar foi emocionante e deve ser muito mais gratificante para os indicados. Mesmo perdendo acho que eles devem se sentir muito emocionados. Apresentaram também vários filmes feitos no ano, divididos por gênero. Muito legal. Na apresentação de comédia, James Franco e Seth Rogen transformavam cenas de qualquer gênero em comédia.

Os discursos na sua maioria foram todos muito comuns. Todo mundo agradecendo a Deus e tal. Não tem um ateu, um budista, um em Hollywood? Judeu tem demais! Isso a gente conclui vendo o holocausto ser premiado todo ano. Com certeza os discursos da noite foram os do roteirista de Milk, Dustin Lance Black, Sean Penn e Kate Winslet. Surpresas também não houveram. Houve sim! A animação israelense Valsa com Bashir perdeu filme estrangeiro pro japonês Departures. Mas foi só essa.

O grande vencedor do ano foi o indiano “Quem Quer Ser Um Milionário?” com 8 prêmios. A gente pode esquecer que estamos em tempo de crise, não há dinheiro em Hollywood, e que a produtora do Steven Spielberg, a Amblin (que fez ET, Guerra dos Mundos, Jurassic Park, Minority Report, etc.), por exemplo, vai ser financiada pelos indianos, e que o Spielberg em pessoa foi entregar o prêmio de melhor filme, e engolir que é uma grande produção. Ou não... Eu gosto muito do Danny Boyle, mas ele, com certeza, já fez muita coisa melhor.



UPDATE: Dito e feito! Como eu disse no segundo parágrafo, a Preta Gil não podia deixar passar e se comparou com a Beyoncé. Leia aqui.

Um comentário:

  1. Eu amei a cerimônia este ano. Eu gosto de entrega de Oscar. Sim, o que inclui da emoção genuína ao cafona e over, do glamour às coisas toscas. Tinha parado com o Episódio Brokeback, mas, voltei. Este ano a cerimônia teve o que andava carecendo há eras: carisma. Começando pelo Hugh, fofo demais, esbanjando charme em seus musicais. O Heath levou o prêmio, como não poderia deixar de ser. E foi uma super sacada os vencedores de outros Oscars entregarem o prêmio aos atuais competidores, com o plus dos pequenos discursos, que fez sentir a cada um, venceder a seu tempo. Põe reparo no Christopher Walken falando sobre o Michael Shannon. A Shirley Maclaine sobre a Anne. A Marion derretendo-se de admiração pela Kate. E o De Niro (quem não se emocionou?) falando do amigo Penn. Melhores momentos do Oscar. E devem entrar para a história. O roteirista de Milk fez o discurso mais sincero. A Kate, o mais divertido. E o do Sean foi o mais contundente. Danny Boyle é um grande diretor. Mas não lambe as botas dominatrix do Van Sant, não. E alguém ainda não sabe quém é o verdadeiro milionário por trás de "Quem quer ser um milionário?" Spielberg deve quintuplicar os seus milhões. Algo me diz que teremos muita Índia pela frente. Só não sei se eles (os indianos) vão levar alguma vantagem nisso, porque o ocidente tá longe de compreender o bollywood. Aliás, de bollywood o filme só tem a trilha, a montagem e o clipe de encerramento. Beijo.

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