sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Seção CINEMA // Crítica O Lutador

Amargo Regresso

O Lutador // The Wrestler

Nota: 8,0

Bom, vi esse filme mais embalado pela vitória do Mickey Rourke no Globo de Ouro. O tema de fato não me interessa nem um pouco. Não sou fã de lutas, e acho o vale tudo de uma selvageria e ignorância ímpares. Um verdadeiro retrocesso. Darren Aronofsky é um bom diretor, mas não consegui ver inteiro o último filme dele, Fonte da Vida, de tão chato e confuso que é. Um filme dele que gosto muito é Réquiem por Um Sonho de 2000, com Ellen Burstyn, Jared Leto e Jennifer Connelly no elenco. A história sobre vícios é densa, envolvente e nos faz pensar. Eles fez outro bem famoso e controverso, PI, que eu ainda não vi.

No filme, Mickey Rourke faz um lutador de vale tudo em decadência. Já na meia-idade, ele é solitário e falido financeiramente. Se apaixona por uma stripper (Marisa Tomei), que se recusa a se relacionar com ele, por ele ser um cliente, e tem uma filha (Evan Rachel Wood) que o despreza por ele a ter abandonado. Quando sofre um ataque cardíaco, ele se vê obrigado a largar a última coisa que lhe motiva a viver, o vale tudo.

Bem, a história é comovente, mas pra mim é difícil de me tocar. O mundo do vale tudo não me é atraente de forma alguma. Como não podia deixar de ser, há cenas de luta durante o filme, e eu odiei todas, principalmente a segunda, que é mais hardcore. O cara é carismático, simpático, conquista o público desde o início, apesar do aspecto asqueroso. Ele cometeu muitos erros na vida e paga caro por eles. E é nisso que o filme se foca. A que se apegar na vida quando não há nada nela?

Bom, o filme marca a volta do Mickey Rourke, que foi um ator de sucesso nos anos 80, foi símbolo sexual principalmente pela sua figura de bad boy e pelo filme 9 e ½ Semanas de Amor. Depois ele fez uns filmes menores, rejeitou boas oportunidades e acabou largando a carreira pra se dedicar a outra paixão: lutar boxe. Não precisa nem dizer que foi a sua ruína... Não teve êxito, se afundou nas drogas, fraturou o rosto diversas vezes, fez muitas plásticas, acarretando nessa figura disforme e incômoda de se ver na tela. E caracterizado de lutador, então, virou praticamente Mun-Rá. Depois de perder praticamente tudo, acabou voltando às telas. Fez alguns filmes passando meio que despercebido, até aparecer Sin City, que foi um sucesso, mas esse aqui é o que realmente marca sua volta, que segundo Rubens Ewald Filho, ninguém queria de volta. Deveria ter permanecido a bela lembrança do que foi outrora.

Foi premiado com o Globo de Ouro, e eu sinceramente não concordei com a escolha. Apesar de ser um grande trabalho, não o achei superior aos demais concorrentes, e ele interpreta praticamente a si mesmo. A história é parecida. Ele até dá um discurso próximo ao fim do filme que parece que é ele mesmo quem está falando. Esse eu acredito que foi o maior momento do filme, e com certeza o que deve mais comover durante a projeção. Ele agora é por enquanto o favorito ao Oscar. As coisas talvez mudem com os resultados do SAG, que são a maior parte dos votantes da Academia.

4 comentários:

  1. ele tá o próprio Mun-rá, tentando libertar-se da forma decadente - e da decadência em si. Eu acho que não consigo. Menina de ouro já me deu nos nervos, esse então, não acredito que vá agradar...
    beijo!

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  2. Rapaz...

    Gostei do filme. O que mais me deixou impressionado foi o carisma do ator.

    O cara feio da mulesta mas muito carismatico.

    E o filme em si é um bom drama. Gostei...

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  3. o filme é uma jóia, a atuacao de Mickey Rourke É memoravel; rubens Ewald filho é um imbecil , dizer que ele nao mereceu o globo de ouro é falta de juizo!!!!!

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  4. Nene, não creio que seja falta de juízo. Eu achei bom o filme, mas nada demais. E a atuação dele é boa, mas não deixa de ser uma interpretação de uma variação dele mesmo. Eu gosto do Rubens como comentarista. Não concordo com ele na maioria das vezes, mas ele tem seu ponto de vista que é diferente do meu (e do seu), e que a gente deve no mínimo respeitar.

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