sábado, 24 de janeiro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Gran Torino

Gran Tollette

Gran Torino


Nota: 3,0


Foi com muita alegria e satisfação que eu conferi a nova obra-prima de Clint Eastwood. Depois de ver Sobre Meninos e Lobos e Menina de Ouro, eu jurei por todos os santos que não veria mais nada vindo dele. Como eu não valho uma cocada azeda em fim de feira, vi A Troca. Que os orixás tenham compaixão da minha alma, mas eu gostei... Embalado, fui ver Gran Torino. Alegria de pobre dura pouquíssimo...

Querem saber sobre a história, né? Eu conto: um ser abominável (veterano da guerra da Coréia, republicano, moralista, machista, racista, xenófobo, rabugento e mal-humorado) fica viúvo. Deve ter matado a infeliz de desgosto... Ele não se dá bem com os dois filhos. Como filho de peixe, peixinho é, são duas víboras. Dois oportunistas. Aí ele vive sozinho, já que não tem alma na face da Terra que queira esse desafeto por perto. Ele mora na sua antiga casa no subúrbio, que já virou um bairro de imigrantes vietnamitas. Evidentemente, ele não se dá bem com a vizinhança, que não gosta dele. Também não há nada pra se gostar... E ele resiste em se mudar de lá.

Um belo dia, ele muito bem-humorado, serelepe e faceiro, pega sua espingarda pra espantar os vizinhos que pisaram em cima da sua grama. Só que na verdade ele acabou com uma ação de uma gangue e se não já bastasse ser herói aclamado e idolatrado de guerra (ô nojo...), ele ainda vira um herói da vizinhança. O Clint gosta de viver heróis no cinema. Acho que infla o ego dele, porque provavelmente é assim que ele se sente e tenta projetar isso nos filmes. Besta é quem acredita...

Lá pelas tantas ele acaba se envolvendo com o rapaz vizinho, um tal de Thao, e acaba criando uma empatia com ele. Até ensina o rapaz a ser grosseiro e desprezível igual a ele. Só que a família é constantemente atormentada pela tal gangue, e enfim chega o momento que todos nós estávamos esperando: lá vai o nosso super-herói (americano, como não podia deixar de ser) salvar o mundo das forças do mal mais uma vez!!! Que emoção!!!


O Clint é um moralista de carteirinha e eu me espanto como ele demonstra isso nos filmes. Ele é o típico herói de velho oeste, indestrutível e incasável. Ele, velho doente e escarrando sangue, enfrenta gangues sozinho. A ferro e fogo! E ainda leva a melhor. Isso é que eu chamo de ser seguro de si. É até mais patético que Rambo, porque o Stallone pelo menos não tem cabelos brancos aparentes nem manca ainda. Sempre carrega consigo a bandeira da moral e dos bons costumes, dos valores de família, da honra e o amor pela pátria, a Terra da liberdade. Batendo tudo isso no liquidificador com um pouquinho de fermento, assando no forno e a gente tem aí a receita perfeita para um delicioso bolo de hipocrisia. Até dá para decorar com glacê pra ficar mais bonitinho.

Seus filmes normalmente são uma colagem sucessiva de clichês. Esse não é diferente. E no final ele ainda dá uma de Jesus Cristo. Só pra ter noção, em um determinado ponto do filme, tem um diálogo entre ele e a vizinha vietnamita. Ela fala que é bom tê-lo como um exemplo para o irmão (???!), reclamando que o pai deles é tradicional e fechado. O Clint replica: mas eu também sou. A infame responde: mas você é americano! Fiquei com ódio e desliguei a porcaria pra passar a raiva. Só consegui ver o restante no dia seguinte. Vá pastar meu amigo! Ainda bem que pelo menos no Oscar ele foi solenemente ignorado.

Claro que o filme é todo dramático, tem um ritmo bom, a história flui e vai rumo ao final lacrimejante. Se você conseguir passar batido por essas mensagens, vai gostar, mas se conseguir ler esses absurdos nas entrelinhas, vai ver o tamanho do lixo que essa bomba realmente é. Esse é anunciado como seu último filme como ator. Sinceramente, se é por falta de adeus...

11 comentários:

  1. Hahahahahha. Eu tou que não me aguento de tanto rir. Desde o título. Acho que vou ler de novo para rir mais: "Ele, velho doente e escarrando sangue, enfrenta gangues sozinho. A ferro e fogo! E ainda leva a melhor." - KKKKKKKKKKK. Não te aguento...
    Eu tb não gosto dos dramalhões moralistas do Clint, mas não dou conta do tom e das entrelinhas em seus filmes - menina de ouro e todo aquele lance de sonho americano me deu vontade de vomitar. Mas eu gostei de As pontes de Maddison e acho ele um veião lindo de morrer... beijos, amigo. Meu dia começou com risadas, graças a ti.

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  2. O cara se garante é filme de machao!
    Gosto de alguns filmes dele. Mas pela nota 3 da vontade de assistir! Nota baixa aguça a curiosidade do ser humano, bem como a nota alta.

    Vou assistir e depois digo o que achei...

    Mas a do "Mas voce é americano" é podre! O pior é encarar isso como elogio...

    Sinceramente...
    Calcitran b12 pra ele!

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  3. Eu não achei o filme uma bomba não. Durante a exibição, eu até tava gostando (claro, aquela parte do "vc é americano" é fogo). Não é um filme desagradável de se ver, apesar do protagonista ser racista, machista, homofóbico, e mais uns 500 preconceitos em um. Mas não sei se dá pra dizer que o Clint Eastwood é assim. Pontes de Madison é um filme sensível, bonito, e Imperdoáveis é um clássico maravilhoso. E ele tem outros tb que vão contra a sua persona de cara durão. Mas eu acharia o cúmulo se ele tivesse sido indicado pra melhor ator por Torino. Ele só tem uma cara...

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  4. LOL voces são tao tristes. por amor de deus, o homem é o melhor realizador vivo e um dos melhores actores. mas se calhar acham "cidade de deus" melhor não? é mesmo coisa de pessoas que não percebem NADA de cinema. tristes...

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  5. Que pena que voce o considere o maior realizador vivo. Tem tantos nomes, como Scorcese, Tarantino, Coppola, Spielberg, que tem filmes tao melhores, que a colcha de retalhos que o Clint faz... E Cidade de Deus eh considerado um grande filme por diversos criticos e produtores consagrados. E eh superior a toda a filmografia dele. E no final de contas, eh tudo uma questao de valores, de perspectiva e opiniao. Pena que nao compartamos da mesma...

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  6. Sinto muito Vitor, mas essa sua leitura do filme e da obra do Clint é superficial, rasteira, preconceituosa, pra não dizer intelectualmente preguiçosa . É impressionate como tanta gente complentamente nécia cisma em"fazer crítica" de cinema, capazes de mandar pérolasdo tipo "Cidade de Deus é melhor que toda a filmografia dele..."! Meu deus, de onde vc saiu meu querido Vitor??? Vc tem 13 anos? Vá ver mais uma bela batelada de filmes pelos próximos 20, 30 anos, daí vc volta pra dar uma opinião mais abalizada. Credo.

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  7. É impressionante o número estarrecedor de gente autoritária e invasiva que a gente encontra na Internet. Uns idiotas que se sentem pessoalmente feridos quando alguém emite alguma opinião dissonante às formuladas em massa pelos articulistas (estes sim, néscios, porque incapazes de fazer algo que esteja fora do clichê) dos jornalões. Adorei sua crítica. Que bom que existem pessoas de 20 anos criativas e corajosas ao ponto de expor o que pensam nesse mundo normativo em que a gente vive. Que bom que vc não dá bola para o preciosismo e a pretensão daquelas que acham que há sacralidade em torno de determinadas opiniões. Continue, sim, expressando aquilo que você pensa. É direito seu. Embora eu discorde de algumas das suas impressões, não sou babacac ao ponto de acreditar que a crítica sirva para algo muito além da manifestação de impressões, mais ou menos fundamentadas. O que fazer com elas é o que conta, de fato. Triste vivermos num mundo onde querem desqualificar as pessoas por você terem uma visão menos madura - que seja - da coisas. E aproveite pra benzer o pc com urtiga.

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  8. Rubens, como eu já disse antes, é tudo uma questão de perspectiva. Nem todos os intelectuais compartem da mesma opinião. E eu não me considero um, mas só pra te mostrar que mesmo não compartilhando da mesma opinião que vc eu não sou completamente estúpido como vc propõe. Se fosse preguiçosa, eu não teria captado tantas coisas, que com certeza nem o roteirista queria passar. E o filme é um poço de preconceitos (de todos os gêneros), mostra uma redenção ridícula, ainda exalta a fraternidade e solidariedade americana no final, e depois eu que sou o preconceituoso?

    A minha é só uma percepção diferente da sua, e provavelmente da do Clint. Isso não te faz superior a mim. Eu apenas escrevo com o que eu consigo enxergar, e com a visão de mundo que eu tenho, com os meus valores, etc. E continuarei com ela até quando eu amadurecê-la ou realizar que ela não é acurada. É assim que se cresce não? Esse ano eu completo 14, ano que vem 15, e assim por diante. Um dia eu serei adulto e sábio.
    Obrigado pelo comentário e volte sempre!

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  9. 1. meus amigos . ali não é um só filme. é uma aula de vida, de cinema, de belo, de dedicação. o menosprezo pela simplicidade é enorme, hoje em dia. o filme é a condensação final da obra de eastwood. ali está o ator o diretor, o roterista o compositor, o cowboy. o filme mostra valores perdidos, identidade perdidas. mas mostra tambem a esperança na transformaçao do velho ao novo. do encontro do velho e do novo. da convergencia das diferenças. uma visão aparetemente distoricda que tende ao equilibrio. a morte tudo resolve. é perturbador vemos isso na nossa cara todo dia. mas ali tambem se aponta a saida esse é o merito do filme. faz-nos acreditar na mudança na esperança na transformação. nao há patriodada, falsas ideologias, linguagem futurista ou qualque idiotice glamourizada pela estatueta. ali esta a vida de uma parte do mundo que podia ou melhor que é seu. tenho dito. pois alguem já dizia isso.

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  10. tomando a liberdade, Vitor, gostaria de falar com o elemento não identificado:

    Que legal que vc é tão generosa. Eu só vejo ali um cínico tentando condesar sua hiprocrisia em 120 minutos. Muita culpa pelos dirtyharrismos do passado. Não cola comigo essa indulgência pós-colonialista tardia. E eu DETESTO Eastwood - o compositor, o cowboy, o machão, o diretor, o patrono da precariedade americana. Mas, sei lá, não sou um gênio como os anônimos da vida.

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