quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Foi Apenas Um Sonho

O peso da verdade

Foi Apenas Um Sonho // Revolutionary Road

Nota: 9,0

Sam Mendes ganhou um Oscar pelo excelente Beleza Americana e volta mais uma vez com um belo filme. O filme é uma adaptação de Justin Haynes da obra literária homônima de Richard Yates publicada em 1961. Eu achei a história muito parecida com a de Beleza, mas com enfoque e abordagem extremamente diferentes. Beleza é mais cínico, sarcástico, utiliza mais do senso humor, valoriza mais o bizarro. Isso tanto atrai quanto espanta público. Algumas pessoas reagem bem e outras mal a forma tão explícita que Beleza carrega o filme. Apenas Um Sonho faz o mesmo, mas verbalmente, sem os acontecimentos estranhos.

O filme marca o reencontro da dupla Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, que depois do sucesso estrondoso de Titanic há 11 anos atrás, voltam dessa vez como um casal de 30 anos infeliz com as escolhas que fizeram. Ela é uma dona de casa aspirante à atriz sem sucesso e ele um empregado de uma fábrica no interior. Ela está disposta a jogar tudo pro alto e recomeçar, mas ele teme isso, muito mais após receber uma promoção no emprego.

Um dia desses eu falava com ela sobre como as pessoas não gostam nem se preocupam com a verdade. Vivem uma falsa felicidade de propaganda de sabão em pó ou cereal matinal, varrem a sujeira pra debaixo do tapete, mantêm as aparências e vão levando a vida. É disso que o filme fala. A única pessoa que fala abertamente a verdade é um perturbado mental, psicótico, extremamente inconveniente e chato. Isso nos faz pensar como na vida tudo é de fato desse jeito. Ninguém gosta de ouvir as verdades. E quem as diz, se não for um terapeuta, sempre é uma persona-non-grata, porque diz quando as pessoas não estão procurando por ela.

O filme tem 4 indicações ao Globo de Ouro (Filme/Drama, Diretor, Ator/Drama e Atriz/Drama), e deve receber umas 5 ou 6 merecidas indicações ao Oscar. O destaque do filme é total da Kate Winslet. Sua personagem tem momentos mais marcantes. Talvez por isso ela seja mais lembrada pelas premiações esse ano do que DiCaprio. E caso ocorra o esperado, que ela receba duas indicações esse ano (por esse e The Reader), ela provavelmente vai bater dois recordes: a mais jovem atriz a receber 7 indicações e também de ser a atriz mais indicada sem nunca ter vencido. Vamos às contas: Razão e Sensibilidade em 1995, Titanic em 1997, Íris em 2001, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças em 2004, Pecados Íntimos em 2006 e Apenas um Sonho e The Reader em 2008. Todos filmaços. Acho que a mais nova Meryl Streep ou Katharine Hepburn não é nem Julianne Moore nem Cate Blanchett... Um dia ela levará seu merecido prêmio.

Um comentário:

  1. E a Kate é tão maravilhosa, né? Deu muita vontade de ver esse. E grata pela menção honrosa no seu post, eu tou chic, benhê. Pena o blog estar parado - o meu.Beijos

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