terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Seção CINEMA // Crítica O Leitor

O Contador de Histórias

O Leitor // The Reader


Nota: 9,0


Filme de Guerra (principalmente Vietnã e Segunda Guerra) e holocausto já me deram nos nervos. Como uma boa parte da comunidade cinematográfica é Judia, e financia os projetos, o tema é uma constante fértil. É para que a humanidade não se esqueça de como eles sofreram. Eles adoram posar de vítimas, mas vítimas eles já deixaram de ser há tempos. Só dar uma olhada nos conflitos por lá. E como se só eles houvessem sofrido. Esquecem que existe a África, América latina, Índia, China, etc. Povos que foram massacrados e até hoje sofrem as conseqüências desses abusos.

Tudo isso pra mostrar que eu já tinha certo preconceito em relação a esse filme, mas três nomes me fizeram vê-lo: Anthony Minghella, que faleceu recentemente, é um dos produtores do filme. Ele ganhou o Oscar por O Paciente Inglês, e fez também O Talentoso Ripley e Cold Mountain, dois filmes que adoro; Stephen Daldry, o diretor inglês que fez apenas dois filmes antes, As Horas e Billy Elliot. Adoro ambos; e Kate Winslet, uma das minhas atrizes hollywoodianas favoritas.

O filme se passa na Alemanha, e fala sobre um adolescente que se envolve com uma mulher mais velha, solitária e enigmática. Após um tempo ela misteriosamente some, sem deixar vestígios, e ele perde as esperanças de vê-la novamente Após vários anos, quando ele já está na faculdade, ele inusitadamente a reencontra e faz descobertas atordoantes sobre seu passado.

Acho que o que mais me fez gostar do filme, é que o holocausto é apenas um pano de fundo para o romance. Em nenhum momento o tema é aprofundado, nem ninguém é vilanizado na história, o que raramente acontece. Certamente não há nenhum americano para ser o herói, muito menos. A única coisa que realmente me incomodou é que o filme é falado em inglês, mas se passa na Alemanha, com todos os personagens sendo alemães. Algo parecido com O Último Imperador, de Bertolucci nos anos 80. Cabaré era parecido, mas os personagens centrais do filme eram americanos e ingleses, então era natural que falassem inglês.

David Kross, que faz o jovem Michael, é um ator alemão de 18 anos. Ele teve que decorar de fato a maior parte de suas falas em inglês para poder atuar no filme, já que seu conhecimento da língua era básico. Além das cenas de sexo e nudez. Os europeus certamente não viram nenhum empecilho, mas se ele fosse americano, jamais teria feito tal filme. Uma nota curiosa é que o papel da Kate era de Nicole Kidman, que não pode filmar devido à gravidez. Algo semelhante já aconteceu antes. Kate Winslet deveria ter protagonizado Moulin Rouge, mas acabou sendo substituída por Nicole.

O filme recebeu 5 indicações ao Oscar, um número esperado. O mais interessante é que a Kate que foi já levou diversos prêmios como coadjuvante pelo filme, dessa vez foi indicada como protagonista. Eu não sei ao certo como isso vai afetar suas chances de vencer, já que se fosse indicada a coadjuvante, provavelmente teria levado. E o papel dela, ao meu ver, pode ser interpretado como principal ou coadjuvante. O principal de fato, e base dos conflitos do filmes, é o rapaz, feito pelo David Kross, que depois cresce e vira Ralph Fiennes. Só sei que isso a impediu de concorrer duas vezes como era esperado. Em Foi Apenas Um Sonho ela está igualmente ótima.

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